EDITORIAL – Amor e í“dio: Martha Medeiros e Torres

8 de agosto de 2014

 

 

 

Por Fausto Júnior

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Na Zero Hora de quarta-feira passada, a cronista Martha Medeiros deu sua opinião sobre a cidade de Torres. Foi polêmica e virou assunto aqui na cidade. Posicionou-se como uma turista (ou ex-veranista) de Torres, deixando isto por mais de uma vez bem claro em seu texto.  A colunista de Zero Hora, portanto, não estava falando como uma moradora da cidade e conhecedora dos problemas, dificuldades, vitórias e derrotas da comunidade. Falava como uma cronista visitante de Torres e portadora de uma boa a saudosa estima daqui.

O texto é imparcial porque elogia a cidade por um lado e critica por outro. Mas, acima de tudo, mostra o protagonismo que nossa praia possui no contexto gaúcho e nacional. Afinal de contas, não é qualquer destino do RS ou do Brasil que vira assunto de pauta de jornal de alta circulação. Muito menos torna-se tema para coluna de uma cronista deste mesmo meio de comunicação.

Na crí´nica, Martha Medeiros diz que Torres é páreo para a maioria dos destinos turí­stico do mundo, um elogio de deixar qualquer morador da cidade com orgulho. Mas ela também critica. Chama a parte urbana de nossa Torres de feia e mal cuidada. E isto deixa a nós, torrenses (de nascença ou coração), com certo sentimento de desprezo. Como somos uma cidade turí­stica, que teoricamente sobrevive dos elogios dos visitantes para que outros venham nos visitar, é legí­timo e saudável o sentimento de rancor para com a cronista pelas criticas, principalmente quando são abertas, públicas e veiculadas num dos jornais da maior circulação de nosso Estado.

Mas de certa forma a colunista tem razão. Ela fala de ruas esburacadas, de calçadão mal cuidado e fala da falta de um código de posturas arquitetí´nico, principalmente se referindo ao comércio espalhado pela cidade. Ela pede mais bom gosto. Pede que a cidade tenha um trato mais í  altura de suas belezas naturais. Ela tem razão, porque este tema é primordial nas rodas de debates polí­ticos e do futuro do turismo de Torres.  Ou não?

Martha Medeiros só exagerou na espécie de finitude para o futuro de Torres estampada no texto, que foi tema do tí­tulo da coluna, inclusive (‘era uma vez Torres’). Ela foi exagerada e grosseira na generalização de seu conceito perante os hotéis, comércio e restaurantes, principalmente. Martha Medeiros não parece ter passado vários dias por aqui nos últimos tempos. Talvez não tenha se dado conta da Rota Gastroní´mica e seus vários pontos de gastronomia; dos bons restaurantes localizados na região central da cidade nos últimos anos; da abertura e reforma de hotéis e pousadas de primeira linha acontecidas também nos últimos anos.

Talvez Martha Medeiros não saiba ainda que o sistema de captação e tratamento de esgoto de Torres mais que duplicou nos últimos sete anos; que belos e confortáveis edifí­cios foram construí­dos na cidade; que dois condomí­nios de casas de luxo estão em fase de construção já adiantada, dentre outros avanços que a infraestrutura turí­stica de Torres têm recebido na última década. Mas, principalmente, Martha Medeiros não se deu conta que as belezas naturais de Torres estão preservadas. Que não existe edificaçíµes altas no entorno do Morro do Farol, nem das Furnas e Torre Sul; que nossa praia da Guarita está preservada de urbanização em toda a grande área do Parque; que o Parque Itapeva – que pode ser um estorvo ao turismo por falta de gestão turí­stica da área – tem a vantagem de ser um bolsão de natureza preservado na borda da cidade, e assim continuará no futuro aos olhos de nossos moradores e visitantes.

Tem uma máxima que afirma que o amor e o ódio andam juntos. Isto quer dizer que quando se ama um lugar, quando se possui um ví­nculo afetivo por um destino de férias e de lazer – como foi Torres para a colunista de Zero Hora – ver este lugar de certa forma regredir (ou não evoluir corretamente) no conceito de trato urbano acaba gerando um sentimento de desânimo, de desistência, quase de decepção.   Mas esta demonstração sentimental (quase um desabafo) protagonizada pela colunista de Zero Hora, se for vista sob uma ótica positiva, acaba podendo servir como uma crí­tica construtiva para nós torrenses. Sabemos que nossa cidade necessita urgentemente de reparos em seu conceito urbaní­stico. A prefeitura atual, inclusive, vem priorizando isto em seu plano de ação, abrindo mão de outras prioridades, inclusive, em nome desta demanda urgente.

Marta Medeiros fez uma declaração de amor (e ódio) por Torres. Se não houvesse este sentimento de afeto por nossa cidade, ela sequer colocaria em seu texto semanal este assunto. E pessoas que amam verdadeiramente falam o que acham, mesmo que de certa forma estas revelaçíµes sejam doloridas, exageradas ou mal contextualizadas. O que importa quando se gosta de algo ou alguém é ser verdadeiro com seus sentimentos, seja em relação a uma pessoa, cidade, pais, estado… A verdade dita sem medo é a maior demonstração de afeto. Passar a mão por cima pode parecer mais educado no primeiro momento, mas lá na frente pode-se passar por relapso. E com certeza, Martha Medeiros – uma formadora de opinião estadual (e até nacional) – não vai querer passar por despreocupada com a Torres que ela sempre admirou, como confessa no artigo de Zero Hora.      

 

"Esta demonstração sentimental (quase um desabafo) protagonizada pela colunista de Zero Hora, se for vista sob uma ótica positiva, pode acabar servindo como uma crí­tica construtiva para nós torrenses".


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