EDITORIAL – Convênio ou Servidão com cara de escravatura?

23 de agosto de 2013

 Os médicos cubanos, que estão chegando ao Brasil para suprir a carência de profissionais interessados em trabalhar nas pequenas cidades do paí­s, viraram tema polêmico. E a polêmica é normal em uma democracia, bem como é compreensí­vel o orgulho ferido dos médicos. Mas diferente da soberania material – como a defendida por muitos nacionalistas quando se fala da Petrobrás, do Banco do Brasil, dentre outras estatais – a importação de médicos, em um ambiente que já têm médicos, fere a soberania profissional e humana dos brasileiros. Mas há gente que apoia a medida, e o governo de certa forma prova que os médicos brasileiros não cedem (e não querem se submeter) a um plano de vida longe de centros urbanos tradicionais, o que dá certa legitimidade para o governo do Brasil agir, a partir do Programa Mais Médicos.

Mas a forma de pagamento dos médicos cubanos – que estão chegando ao Brasil para suprir esta demanda do ministério da saúde nacional – se mostra perigosamente uma forma de servidão, muito próxima í  escravatura. O Brasil não pagará os R$ 10 mil reais mês aos médicos cubanos; pagará a Cuba, que decidirá por seus critérios quanto, como e de que forma remunerará os médicos que aqui aportarão. Trata-se de uma variante da escravatura: uma servidão compulsória. Servidão que foi a marca dos sombrios tempos de Feudalismo, 500 anos atrás, numa época onde a humanidade retrocedeu em seu processo civilizatório. E agora, em época de defesa dos direitos humanos e de conquistas sociais, querem trazer a servidão de volta… Existem outros paí­ses que estão conveniando, da mesma forma, com os médicos cubanos. Paí­ses ditos desenvolvidos, inclusive, como Inglaterra e Espanha.Mas isto não justifica e não derruba o aberto processo quase escravocrata que o sistema estampa.

O Brasil não construiu barreiras comerciais contra Cuba, como construí­ram vários paí­ses, mesmo sabendo que os moradores daquela ilha são uma espécie de ˜presidiários do sistema™: não podem sair de lá sem motivos institucionalmente compatí­veis com o sistema comunista implantado; e para viajar, alem de motivo, necessitam de licença expressa dos dirigentes do Partido, que domina as regras na ilha; o Brasil não construiu barreiras mesmo sabendo que Cuba está fechada para o mundo, e que não existe liberdade de expressão por lá.

 Estas e outras atrocidades contra os direitos humanos, cometidas por Cuba, somar-se-iam aos motivos para que o Brasil praticasse retaliaçíµes contra aquela nação. Mas, ao contrario, o nosso paí­s é amigo de Cuba, e tem realizado vários acordos diplomáticos com o sistema de lá. Agora: praticar e fazer apologia í  exploração laboral que o regime cubano pratica com seus cidadãos, isto já soa como falta de respeito aos direitos humanos fundamentais, defendidos por todo o planeta e não praticados por Cuba, sabidamente. í‰ como comprar droga de guerrilha ou de terroristas para apoiar o caixa da causa, que mata em nome de ideais radicais.

A escravatura foi abolida há mais de 100 anos, e os movimentos dos negros ainda reclamam dos traumas psicológicos e na auto-estima que o tratamento escravocrata causou para suas comunidades.  Foram perí­odos em que seres humanos foram tratados como mercadorias e fonte de produção barata, mesmo sendo, como se prova cabalmente, um grupo de pessoas iguais a todos os viventes da terra, mas que eram vendidos por suas tribos e comprados por portugueses, ingleses e espanhóis, para trabalhar de graça na produção de suas colí´nias.

 Cuba está fazendo algo parecido com seu povo. Utiliza-o como fonte de recursos para os cofres do falido sistema comunista da ilha; aluga seres humanos como se aluga cavalos para passeios, e o Brasil está apoiando esta causa. E, além de apoiar, faz apologia í  atitude de tratar seres como mercadorias.

 Uma servidão disfarçada como parceria está sendo aplicada neste caso. Os servos? Os cubanos. Os mercadores?  Os governos do Brasil e de Cuba… E infelizmente, os senhores, donos dos escravos, são os municí­pios brasileiros.

 

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados