Um plano de vida para as crianças brasileiras conforme os valores que a sociedade (principalmente o governo) sugere para as famílias:
1 – A criança nasce e passa o dia na creche, pois o Plano Federal exige que as cidades tenham 100% de vagas nas creches de 0 a 6 anos. O recado é que a proximidade dos pais é supérflua. Mesmo até os 7 anos, as crianças DEVEM ficam mais tempo longe de casa, denegrindo o conceito e a segurança que o LAR as dá (ou daria).
2 – Na escola, a disciplina é supérflua também. Alunos podem desrespeitar os professores. Os professores por sua vez não têm um sistema de avaliação que possa punir os ruins e promover os bons. Usam a bengala da baixa remuneração da categoria para justificar de forma generalizada os baixos conceitos dos alunos. O resultado é que a questão da qualidade, da excelência, do respeito e da necessidade de limites é jogada no lixo, sem reciclagem. A necessidade de trabalhar os pontos fracos e fomentar os pontos fortes como base de educação vai por água abaixo.
3 – Para entrar na faculdade, o adolescente faz o ENEM. A prova mostra que não tem nenhum compromisso com a exigência da qualidade e do conhecimento do aluno. Serve como uma espécie de carimbo burocrático que move o aluno para a universidade. Os bons não têm o saudável direito de mostrar isto em testes. São nivelados por baixo e entram nos bancos universitários como porcos em pocilgas.
4 – Na faculdade, principalmente a pública, os alunos são obrigados a conviver com professores contratados com ESTABILIDADE DE EMPREGO. Muitos não comparecem í s aulas, preocupam-se pouco com o exemplo a ser dado í seus jovens pupilos, e o conceito que fica é que a vida profissional é assim. Como no Comunismo (já falido), o recado que fica é que a única coisa que não é importante na vida é a disciplina, o comprometimento. Além dos alunos serem educados sob o signo do socialismo, onde uma empresa, que produz e gera os verdadeiros empregos na nação, só serve para tirar dinheiro do pobre povo (é isto que permeia o ambiente da faculdade pública). Caso os jovens entrem nas universidades privadas, na maioria das vezes por despreparo nas escolas para enfrentar com competência o vestibular das públicas, atualmente os jovens são obrigados a conviver com pessoas que, diferente deles, ganharam do governo uma bolsa de estudos, avaliados pelo mesmo teste, o ENEM, que pouco presa pela qualidade do aluno. Portanto, para uma faculdade poder se diferenciar, deve abrir mão desta boquinha que o governo as dá, pagando vagas para alunos vindos de setores sociais menos favorecidos, chancelados pelo governo e seus métodos pouco qualificados e pouco comprometidos com a qualidade. Trata-se de uma espécie de corrupção institucionalizada, que sugere que não exista estabelecimento de ensino superior diferenciado no Brasil.
5 – Quando encerram seus cursos, os jovens brasileiros de deparam com uma IMENSA diferença ao escolherem entre a carreira pública e a carreira na iniciativa privada. Notam que na pública os salários e os benefícios profissionais são em torno de 10 vezes mais atraentes do que na iniciativa privada (que remunera pelo conceito saudável e natural da lei da oferta X procura). Sabem também que na carreira pública podem usufruir da Estabilidade. 퉅 a mesma estabilidade que viram durante suas vidas, desde os professores descompromissados (alguns) da Escola até os professores descompromissados (alguns) na faculdade. E ai, muitos dos mais bem preparados em casa, os que tiverem boa educação em suas famílias e estão mais prontos para a vida adulta, optam pela comodidade. Pensam: Vou estudar para um concurso e, após passar, estou feito pro resto da vida…
6 Os que optam pela carreira pública (parte da nata social, pois para passar em concurso público é muito difícil), convivem com um sistema paternalista em suas vidas produtivas. Os mal intencionados, podem passar a vida inteira sem trabalhar utilizando o máximo do que sabem e podem (o contrário do conceito de qualidade total); trabalham só o que é exigido, que é pouco, muito pouco. E, ao transgredirem em seu ambiente laboral, principalmente quando já estão nas cúpulas de suas carreiras, podem errar feio que a punição do sistema do funcionalismo é a aposentadoria precoce, com salários integrais, como se vê fazer no sistema judiciário, por exemplo. Que punição, hein? Que exemplo da sociedade, hein?
O pior de tudo isto é conviver neste verdadeiro convite ao ócio, ao descompromisso, em um país EM DESENVOLVIMENTO, como nosso Brasil. Uma nação que precisa de 50 anos de boa política progressista para oferecer a todos uma estrutura básica de pais desenvolvido; uma nação que estampa a falta de tratamento de esgoto, de um sistema que dê segurança perante a Saúde, sem estradas, dentre outras mazelas estruturais.
Se fossemos um país desenvolvido como poucos europeus, poderíamos usar esta bengala (a falta de comprometimento institucionalizada) para defender o indefensável: o de termos um sistema de vida que premia a preguiça e o descompromisso, sistema este que pune os que querem produzir através de burocracias e baixa progressão de carreiras privadas ou liberais. Mas não. Não somos um país que usufrui de uma renda per capita de primeiro mundo. Temos PIB de terceiro mundo, embora remuneremos as cúpulas do sistema político e dos servidores públicos com salários de primeiro mundo. Funcionário público mal remunerado, só na base da pirâmide da maioria das carreiras públicas, com luzes mais atentas e entristecedoras focada nos professores em início de carreira.
Somos um país que abre espaço para os espertinhos e para os preguiçosos.


