Editorial – Horizonte bom para espertinho e preguiçoso

24 de março de 2013

 

Um plano de vida para as crianças brasileiras conforme os valores que a sociedade (principalmente o governo) sugere para as famí­lias:

 

1           – A criança nasce e passa o dia na creche, pois o Plano Federal exige que as cidades tenham 100% de vagas nas creches de 0 a 6 anos. O recado é que a proximidade dos pais é supérflua. Mesmo até os 7 anos, as crianças DEVEM ficam mais tempo longe de casa, denegrindo o conceito e a segurança que o LAR as dá (ou daria).

2           – Na escola, a disciplina é supérflua também. Alunos podem desrespeitar os professores. Os professores por sua vez não têm um sistema de avaliação que possa punir os ruins e promover os bons. Usam a bengala da baixa remuneração da categoria para justificar de forma generalizada os baixos conceitos dos alunos. O resultado é que a questão da qualidade, da excelência, do respeito e da necessidade de limites é jogada no lixo, sem reciclagem. A necessidade de trabalhar os pontos fracos e fomentar os pontos fortes como base de educação vai por água abaixo.

3            – Para entrar na faculdade, o adolescente faz o ENEM. A prova mostra que não tem nenhum compromisso com a exigência da qualidade e do conhecimento do aluno. Serve como uma espécie de carimbo burocrático que move o aluno para a universidade. Os bons não têm o saudável direito de mostrar isto em testes. São nivelados por baixo e entram nos bancos universitários como porcos em pocilgas.

4            – Na faculdade, principalmente a pública, os alunos são obrigados a conviver com professores contratados com ESTABILIDADE DE EMPREGO. Muitos não comparecem í s aulas, preocupam-se pouco com o exemplo a ser dado í  seus jovens pupilos, e o conceito que fica é que a vida profissional é assim. Como no Comunismo (já falido), o recado que fica é que a única coisa que não é importante na vida é a disciplina, o comprometimento. Além dos alunos serem educados sob o signo do socialismo, onde uma empresa, que produz e gera os verdadeiros empregos na nação, só serve para tirar dinheiro do pobre povo (é isto que permeia o ambiente da faculdade pública). Caso os jovens entrem nas universidades privadas, na maioria das vezes por despreparo nas escolas para enfrentar com competência o vestibular das públicas, atualmente os jovens são obrigados a conviver com pessoas que, diferente deles, ganharam do governo uma bolsa de estudos, avaliados pelo mesmo teste, o ENEM, que pouco presa pela qualidade do aluno. Portanto, para uma faculdade poder se diferenciar, deve abrir mão desta boquinha que o governo as dá, pagando vagas para alunos vindos de setores sociais menos favorecidos, chancelados pelo governo e seus métodos pouco qualificados e pouco comprometidos com a qualidade. Trata-se de uma espécie de corrupção institucionalizada, que sugere que não exista estabelecimento de ensino superior diferenciado no Brasil.

5            – Quando encerram seus cursos, os jovens brasileiros de deparam com uma IMENSA diferença ao escolherem entre a carreira pública e a carreira na iniciativa privada. Notam que na pública os salários e os benefí­cios profissionais são em torno de 10 vezes mais atraentes do que na iniciativa privada (que remunera pelo conceito saudável e natural da lei da oferta X procura).  Sabem também que na carreira pública podem usufruir da Estabilidade. 퉅 a mesma estabilidade que viram durante suas vidas, desde os professores descompromissados (alguns) da Escola até os professores descompromissados (alguns) na faculdade. E ai, muitos dos mais bem preparados em casa, os que tiverem boa educação em suas famí­lias e estão mais prontos para a vida adulta, optam pela comodidade. Pensam: Vou estudar para um concurso e, após passar, estou feito pro resto da vida…

6            Os que optam pela carreira pública (parte da nata social, pois para passar em concurso público é muito difí­cil), convivem com um sistema paternalista em suas vidas produtivas. Os mal intencionados, podem passar a vida inteira sem trabalhar utilizando o máximo do que sabem e podem (o contrário do conceito de qualidade total); trabalham só o que é exigido, que é pouco, muito pouco. E, ao transgredirem em seu ambiente laboral, principalmente quando já estão nas cúpulas de suas carreiras, podem errar feio que a punição do sistema do funcionalismo é a aposentadoria precoce, com salários integrais, como se vê fazer no sistema judiciário, por exemplo. Que punição, hein? Que exemplo da sociedade, hein?

 

O pior de tudo isto é conviver neste verdadeiro convite ao ócio, ao descompromisso, em um paí­s EM DESENVOLVIMENTO, como nosso Brasil. Uma nação que precisa de 50 anos de boa polí­tica progressista para oferecer a todos uma estrutura básica de pais desenvolvido; uma nação que estampa a falta de tratamento de esgoto, de um sistema que dê segurança perante a Saúde, sem estradas, dentre outras mazelas estruturais.

Se fossemos um paí­s desenvolvido como poucos europeus, poderí­amos usar esta bengala (a falta de comprometimento institucionalizada) para defender o indefensável: o de termos um sistema de vida que premia a preguiça e o descompromisso, sistema este que pune os que querem produzir através de burocracias e baixa progressão de carreiras privadas ou liberais. Mas não. Não somos um paí­s que usufrui de uma renda per capita de primeiro mundo. Temos PIB de terceiro mundo, embora remuneremos as cúpulas do sistema polí­tico e dos servidores públicos com salários de primeiro mundo. Funcionário público mal remunerado, só na base da pirâmide da maioria das carreiras públicas, com luzes mais atentas e entristecedoras focada nos professores em iní­cio de carreira.

Somos um paí­s que abre espaço para os espertinhos e para os preguiçosos.

 

 


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