O governo brasileiro anunciou a nesta semana a implementação do Estatuto da Juventude. As medidas anunciadas serão válidas a partir de 2014. O projeto, que estabelece direitos para jovens entre 15 e 29 anos, garante a meia-entrada em eventos culturais e esportivos de todo o país para jovens de baixa renda e estudantes. Até então, só havia meia-entrada para jovens estudantes e as regras eram determinadas por leis estaduais. Agora, a lei determina que todos os jovens estudantes e carentes do país têm direito í meia-entrada. Trata-se de mais um imposto, embora fantasiado de política pública de Estado.
O governo do Brasil, mesmo cobrando quase 40% de carga tributária da sociedade emitiu uma medida arbitrária obrigando que a mesma sociedade dê descontos. Com certeza, a população (incluindo os próprios jovens beneficiados) acabara pagando a conta através do natural repasse dos benefícios aos preços finais. Como nas passagens de transporte público, âmago das principais manifestaçíµes do país em junho passado, o governo terceiriza para o sistema produtivo uma tarefa dele: a de oferecer subsídios í população mais necessitadas. E a tendência é que os beneficiários saiam í s ruas reclamando dos preços no futuro, desta vez dos cinemas, dos teatros, dos ingressos em estádios de futebol, dentre outros setores incluídos na medida arbitrária do governo Dilma.
Há uma hipocrisia no ar. Os políticos, como os chupins (ave silvestre), colocam seus ovos em ninhos alheios e esperam seus filhos nascerem depois de alimentados por outros animais. Para o povo do Brasil, a presidenta, o Congresso Nacional e os partidos aparecem como idealistas de um benefício necessário aos jovens. Eles estão em fase de formação e, principalmente os pobres, não conseguem recursos para se movimentar, para o lazer, para a inclusão no mundo pensante (o das artes). Portanto, aparecem como idealistas bem intencionados. Mas o que não aparece é que a medida do governo está sendo feita com o dinheiro do sistema produtivo. A medida aparece na chamada grande mídia como se fosse o governo que estivesse dando o subsídio através dos cofres públicos, o que não o é. Quem entra com a responsabilidade de dar os descontos saudáveis aos jovens de baixa renda são os empreendedores do sistema de Cultura, Esporte, Lazer…
A cultura e o acesso í arte sempre foi uma das maiores alavancas para que os cidadãos conquistem sua própria liberdade. Liberdade de pensar, de achar, de divergir, de sugerir. As manifestaçíµes artísticas são sínteses de ideais e traduzem o sentimento de classes sociais ou tribos de pensamentos críticos, em uma linguagem mais moderna. Os empresários que operam o setor são escravos da chamada viabilidade econí´mica de seus empreendimentos. Precisam pagar as contas dos espaços alugados, dos artistas, da estrutura de segurança e operação dos shows e mostras, dentre outras obrigaçíµes naturais. E o mercado e as ofertas culturais estão em queda livre em todos os cantos do Brasil. Já não existem cinemas nas cidades do interior, muito menos teatros. O acesso í arte fica restrito a projetos culturais patrocinados ou á nomes da hora, que realizam shows buscando massas de fãs. A expressão da arte na íntegra passa por sérios problemas; e a medida do governo somente aumentará a dificuldade de viabilizar que manifestaçíµes culturais sejam realizadas pela iniciativa privada no país, sejam realizadas por pessoas livres, sem serem ligadas a favores estatais.
Portanto, o certo seria que o governo distribuísse ingressos aos jovens carentes pagos com o dinheiro dos cofres públicos. Com esta medida, o Brasil atacaria dois problemas ao mesmo tempo: incluiria os jovens pobres ao mundo das artes e fomentaria os empresários do setor, altamente necessitados atualmente. Mas não. O governo largou outro fardo nos ombros da sociedade. E mirou em setores que penam para sobreviver. E o pior de tudo isto é que os jovens incultos ainda acham que a meia entrada é medida governamental. O que não o é. Trata-se de uma medida arbitrária e um imposto disfarçado. Um lobo fantasiado de ovelhinha.


