EDITORIAL – O Lobo Mau ainda existe

3 de setembro de 2010

A Feira do Livro de Torres abre neste final de semana para cumprir uma missão institucional para o povo da região, e para cumprir uma missão maior ainda para com a humanidade em geral.   Ler um livro sempre foi, é e sempre será uma forma de qualquer ser humano buscar a única independência que possui: a independência de suas idéias e fantasias. Ler mais quer dizer saber mais, fantasiar com menos incertezas e decidir com mais segurança de que se está indo no rumo que entendemos cada um de nós, como o certo. Ler mais, além de aumentar o ní­vel de conteúdo qualitativo nas memórias e almas dos leitores, ajuda a praticarmos com mais respeito í  comunicação com nossos pares, falando com eles com uma linguagem mais correta e utilizando mais palavras do vasto vocabulário de nossa lí­ngua, que afinal serve para que tenhamos possibilidades de sermos mais precisos, corretos e elegantes com o que queremos dizer.  

Feira do livro em qualquer lugar significa dar possibilidade para que pessoas convivam com todos os lados de suas vidas. Profissionalmente através de livros técnicos, pessoalmente através de ficçíµes, exotericamente através de livros religiosos e de auto-ajuda e familiarmente através da oferta de livros infantis.   E tudo isto ofertado de uma forma correta e didática: através de livros escritos, revisados e editados conforme padríµes de lingí¼í­stica, diferente de alternativas fast food como as de hoje, que empurram a todos, principalmente aos jovens, enlatados através de programas de TV questionáveis e de revistas que tratam da vida alheia como tantas manqueteadas e vendidas aos borbotíµes pelas bancas do Brasil e do mundo.  

Incrivelmente as histórias clássicas que deram origem í  leitura infantil de tempos atrás faziam uma interpretação divertida e metafórica de temas sérios que a vida humana enfrentava. Serviam para dar liçíµes í s nossas crianças para que aprendessem que a vida em determinado momento se transforma; que pessoas passam a não ser tão confiáveis quanto os pequenos interpretam em suas sagradas infâncias e que cuidados devem ser tomados a partir de determinado momento. A Estória o Chapeuzinho Vermelho, sua Vovozinha e o Lobo Mau é uma delas. Ela sugere que as pessoas não podem confiar nas outras de forma cega como a óptica da infância induz.     A estória clássica ainda é altamente válida nos dias de hoje, mesmo quando florestas e lobos estão cada vez mais longe da humanidade, em alguns casos até por extinção. A representação da bela ficção   mostra de forma infantil a existência inequí­voca do bem e do mal no mundo que vivemos, independente de onde estamos. Ridicularizar a estória pelo alto grau de simplicidade nega a fundamentação da pequena trama, que é base para outras várias tramas onde várias vovozinhas e vários chapeuzinhos Vermelho são protagonistas de histórias reais e que também são iludidas por matilhas de lobos maus que existem soltos por aí­, na maioria vestidos de gente, como sugere o conto original.  

E a feira do livro é isto. Em tempos de eleição, de decisão de onde irmos, em quem votarmos e o que cobrarmos de nossos dirigentes polí­ticos, as várias ficçíµes vendidas nas bancas dão na maioria delas chances para que saibamos que existem cada vez mais lobos espalhados por aí­ vestidos de gente. Dá chance para que consigamos claramente definir quem são os lobos e as vovozinhas e chapeuzinhos vermelhos nas estórias. Dá chance para que enxerguemos o bem e o mal contido em qualquer ficção e optarmos por seguir o bem embora muitos optem por seguir o exemplo do mal.  

 Feira do Livro é segurança pessoal e conhecimento, verdadeira liberdade de cada um de nós.  


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