EDITORIAL – PARTIDO POLíTICO SE TRANSFORMOU EM AGÊNCIA DE EMPREGOS

29 de setembro de 2013

 

Mais dois partidos foram registrados no Brasil na última semana. E mais uns dois estão em fase de registro. Provavelmente a nação vai votar na eleição de 2014 para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual com quase 40 agremiaçíµes no elenco de escolhas.  Pois é chegada a hora de dar um basta nesta corrida desenfreada. Não é somente o desejo doentio pelo poder que fez que se abrissem tantos partidos novos no Brasil; Não são somente o surgimento de novos coronéis ou coronelas que estão fazendo nascer agremiação partidária no Brasil como nascem coelhos. í‰ o acesso ao dinheiro público que ocasiona esta verdadeira corrida do ouro.

O debate no Congresso Nacional sobre a reforma polí­tica no Brasil parece que já está nascendo errado. Na maioria dos casos, os polí­ticos que dominam as correntes de mudança em pauta optam pelo fim do financiamento privado de campanha e introduzem o financiamento público de campanha em suas pautas de reivindicação. Portanto, são fomentos a ampliar a forma atual de obtenção de recursos dos partidos para que consigam realizar seus feitos idealistas. Com certeza, com a implementação do Financiamento Público de Campanha, haverá, logo ali adiante, movimentos polí­ticos apoiados por todos os partidos para a criação de mais um imposto, ou para o aumento da cota do Fundo de Financiamento de campanha no orçamento do Estado, o que obrigará a criação de outro imposto ou o aumento de alí­quotas dos atuais, sob a esteira de falta de dinheiro para que o feito dos partidos seja realizado.

Ser lí­der de agremiação polí­tica no Brasil se tornou uma bela forma de se conseguir emprego sem mérito. Basta jogar no time dos caciques partidários, que comandam, afinal, o orçamento das agremiaçíµes, que muitos cidadãos desgarrados do sistema de emprego por competência acham nos partidos um lugar onde trabalhar da forma que querem (na maioria das vezes sem exigência de mérito) e receberem salários ou repasses de dinheiro informal em contrapartida: um paraí­so para vagabundos. E é somente por isso que se criam tantos partidos no Brasil. Imaginem quanta gente usufrui do dinheiro do fundo partidário (dinheiro do povo) sem ter de se adaptar a nenhuma regra mais rí­gida. Imaginem o quão é confortável para uma pessoa que não gosta muito de trabalhar, mas que gosta muito de gastar, se encostar nos caciques de um partido polí­tico para conseguir emprego e renda de forma artificial, na base   do puxa-saquismo ou na base da coerção?

Pois bem. Nossos problemas acabariam se não houvesse mais nenhum fundo para sustentar partido polí­tico. Daí­, eles surgiriam por ideologia. E uma ideologia coerente terá sempre pessoa fí­sica e jurí­dica que irá ajudar a financiar a implantação da idéia ou sua manutenção. O presidente atual dos EUA conseguiu mais recursos para sua primeira campanha através da arrecadação de dinheiro de pessoas fí­sicas: simples viventes dos EUA (na maioria simpáticas de seu partido e rebeldes ao concorrente), do que seu concorrente conseguiu através de várias empresas. E Obama também conseguiu que muita empresa americana financiasse seu projeto, mesmo sendo ele de certa forma mais socialista do que capitalista para o gosto do povo altamente liberal dos Estados Unidos. Dá para se imaginar o quadro polí­tico no Brasil após ser extinto (ou bastante restrito) o financiamento público dos partidos e das campanhas. Terí­amos no máximo meia dúzia de agremiaçíµes que seriam viáveis, o resto sucumbiria na própria ignorância. Ideologia é coisa séria, embora simples.

Existem dois grandes grupos de pensamento polí­tico. Um, que acredita que a o Estado serve para somente organizar a segurança e a relação entre os seres. A liberdade de ir, vir, fazer e desfazer é sagrada. As leis são feitas somente quando altamente necessárias. O segundo grupo acredita o contrário. Acredita que o Estado deve ser grandioso e que o cidadão deve ser de certa forma submisso í s várias leis e regras estabelecidas na sociedade. A liberdade individual fica em segundo plano. As prioridades estatais em primeiro. Os outros pensamentos acabam sendo adaptaçíµes desta duas grandes correntes.

 O Brasil deveria ter estas duas frentes bem claramente definidas. Por exemplo, entre seis partidos, três tenderiam mais para o lado da Liberdade; e os outros três tenderiam mais para o lado do Estado poderoso. Mas com o Estado dando dinheiro para o cidadão trabalhar na polí­tica, a tendência é a de que, logo, o Brasil chegue a cem agremiação. E o que é pior: com a maioria dos filiados não sabendo sequer distinguir a diferença de polí­tica e uma galinha caipira.

 


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