EDITORIAL – PELA DIMINUIí‡íO DO TAMANHO DO COFRE…

30 de agosto de 2013

 

Lamento condenar um homem que participou da resistência í  ditadura, no tempo que isto exigia admiração. Lamento condenar alguém que participou da reconstrução democrática do paí­s. Lamento, sobretudo, condenar um homem que, segundo todas as fontes confiáveis, leva uma vida modesta e que jamais lucrou financeiramente com a polí­tica.

 

Estas foram as palavras do novo ministro do Supremo Tribunal Federal sobre a condenação de seu tribunal ao deputado José Genoí­no. O nobre ministro tem razão. Seus argumentos perante seu lamento são reais, embora um pouco subjetivos. Mas são reais. Com certeza, Genuí­no só entrou nesta quadrilha de desvios de dinheiro público por estar, í  época, exercendo a presidência do Partido dos Trabalhadores. Portanto, é de se deduzir que o deputado condenado vai cumprir pena em nome de sua sigla e todos os seus ideais, inclusive de colocar e manter o presidente Lula da presidência do Brasil e colocar a atual presidente Dilma como presidente, dando continuidade ao trabalho de Lula.

 O deputado Genuí­no pode ter ideais contrários de muitos brasileiros. Pode querer implantar um sistema mais para o lado do Comunismo; pode achar que o Estado ideal é maior ainda do que o atual… E com certeza no mí­nimo a metade da consciência dos brasileiros não concorda com isto. Mas esta é uma questão de ideal, de forma de enxergar o coletivo. E isto não é crime: faz parte da democracia. E Genuí­no vai ficar preso por desviar dinheiro em nome do caixa do seu PT…

Mas partido não vai aos tribunais. í‰ julgado nas urnas. E a maioria dos outros polí­ticos condenados no esquema do Mensalão é, também, parte da cúpula de suas agremiaçíµes. Eles foram escolhidos para desviar recursos em nome de suas siglas. E isto é sintomático. O ministro do STJ desabafou sobre isto. A sociedade está sendo de certa forma injusta em última instância?

í‰ claro que onde há sujeira muitos outros espertos acabam usufruindo da meleca.  Simples deputados do PP, PMDB, PL e PR também estão envolvidos. Eles estavam no esquema catando migalhas ou recebendo em nome de uma agremiação para usufruto próprio. Mas o esquema foi, sim, uma forma de financiar o Partido dos Trabalhadores e seus feitos, inclusive de comprar votos na Câmara, talvez o crime mais sério para a sociedade, pois muda situaçíµes por lei que não se sabe como ficariam caso os legisladores não tivessem comprados como provou o inquérito do Mensalão.

O que está por detrás destas mazelas polí­ticas, que infelizmente têm dominado as páginas de jornal e os espaços das TVs é o excesso de dinheiro que é propiciado pela alta carga tributária empreendida pelas leis fiscais no Brasil. Se a carga fosse de 20%, por exemplo, (como já o foi na época do iní­cio da dita abertura democrática, com a Constituição de 1988), não haveria margem de manobra para tantos orçamentos superfaturados fazerem parte do processo de custos das obras e açíµes públicas na nação. Consequentemente teria muito menos espaço para a propina. Mas com os quase 40% de carga tributária alimentando os cofres públicos diariamente, as agremiaçíµes partidárias, movidas por mau feitores chupins que estão dentro de todas elas, consideram trocado o que para brasileiros comuns como nós, simples viventes, se trata de muito dinheiro. E daí­ o que ocorre é constatação que Brasí­lia (e quem vive no entorno do império financeiro Brasileiro – o governo) fazem parte de um paí­s da Fantasia í  parte: Uma ficção incrustada no meio de uma nação pobre e ainda necessitada de obras básicas para trilhar o verdadeiro desenvolvimento.

São exageros quase ridí­culos dados aos parlamentares do Senado e da Câmara; são ministérios se multiplicando como coelhos a cada ano, e com eles levando batalhíµes de servidores concursados e contratados politicamente; e, é claro, empresas prestadoras de serviços públicos se se se encostando a esta verdadeira mina de ouro í  céu aberto que se transformou o Planalto Central para superfaturar e pagar propina para quem deixa que os preços licitados sejam í queles expostos nas planilhas. Tudo isto causado pelo excesso de carga tributária e o consequente estado gigantesco que se tornou o Brasil.

O PT não é o único partido que se beneficiou (e ainda se beneficia) nas benesses de estar no poder. Muitos antes dele assim o fizeram, também, quando no poder. O brasileiro não é tão ingênuo para não constatar isto. E o PT não é também o coitadinho, que é ví­tima de imbróglios jurí­dicos geralmente nascidos de hipóteses jogadas na mí­dia pela oposição. Ele (PT) foi o maior denunciante de falcratuas na polí­tica brasileira nacional antes de ser dono do poder. Portanto, neste momento , como se diz na gí­ria, o feitiço está se voltando contra o próprio feiticeiro.

O que está por trás desta verdadeira delegacia de polí­cia que se transformou o sistema polí­tico brasileiro é o excesso de impostos e o excesso de dinheiro disponí­vel aos polí­ticos e aos que vivem no entorno dos orçamentos do setor público. As pequenas empresas e até boa parte das grandes empresas sérias e trabalhadoras do Brasil estão sendo asfixiadas pela alta carga tributária. Muitas boas idéias que surgem nas cabeças empreendedoras dos jovens brasileiros morrem na casca justamente pelo ambiente hostil para negócios do Brasil, que alem de cobrar muito imposto burocratiza o sistema í  ponto de engessar qualquer cabeça arejada e fazer os donos das ideias desistirem.

 A urgente diminuição do tamanho do Estado é a única saí­da coerente atual. O dito financiamento público de campanha só serviria para recrutar melhor os polí­ticos, mas não adianta um polí­tico bem intencionado ser eleito para trabalhar num sistema viciado e ridiculamente incoerente, onde o povo brasileiro pobre e necessitado assiste na TV o desfile de desleixos e desperdí­cios do sistema feitos por quem ele mesmo elegeu, ano após ano.

 Se diminuir o tamanho do cofre, diminui o desperdí­cio. Se não dá para desperdiçar, acabam sendo extintos os marajás…. E aí­ o presidente do STF não terá de lamentar em mandar prender um homem simples que trabalhou em nome de uma quadrilha. No sistema atual, só muda os nomes, quadrilhas sempre conseguirão dominar o sistema exagerado de tributos do Brasil. Diminuir o tamanho do cofre irá desorientar os espertos, que terão de buscar noutros crimes seus feitos dinheiristas.

 


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