A cada dia que passa a questão da Drogadição, dependência química e a violência que a mazela trás a toda sociedade tem tomado mais tempo das autoridades públicas e médicas em geral. Nesta semana que passou, a coordenadora Municipal para Políticas para as Mulheres de Torres Paula Fernandes deixou a constatação mais clara ainda durante sua participação na Tribuna Popular da sessão da Câmara de Vereadores da cidade realizada na segunda-feira (12). Ela afirmou que quase 100% das agressíµes ás mulheres aqui na cidade são feitas por homens usuários de drogas ilícitas ou de álcool, uma droga, também.
Também nesta semana, uma comissão especial criada na Câmara Municipal de Torres promoveu um encontro público estruturado, em dois turnos, para apresentar mais uma abordagem dada por uma comunidade terapêutica que trabalha no tratamento e na prevenção ao uso de drogas. Mesmo Torres tendo uma comunidade Terapêutica localizada dentro da cidade, tendo um CAPS (Centro de Atendimento Psico- Social) estruturado; e tendo várias alternativas voluntárias organizadas que labutam no combate í s drogas, a cidade recebe, de fora, mais uma forma de atacar o problema. Temos de nos perguntar: Será que o CAPS “ a única política pública gratuita em funcionamento na cidade e região – funciona da forma que deveria? Pelas estatísticas divulgadas ultimamente podemos responder com muita chance de acerto que NíƒO.
Há muitos anos já existem tratamentos alternativos ao alcoolismo e a dependência química em geral. Os grupos de Alcoólicos e Narcóticos Aní´nimos são um dos exemplos que estão disponíveis há décadas por todo o mundo e com uma razoável resolução de problemas. Em Torres existem dois grupos a disposição da sociedade. Outras iniciativas voluntárias têm aparecido na cidade e região. O KOI “ Clínica do Possível “ é uma delas, mais atual. Mas comunidades terapêuticas de várias correntes de organizaçíµes sociais são outra, talvez a que tem mostrado mais eficiência. O CAPS “ iniciativa pública comandada pelo Governo Federal e conveniada com os Estados e municípios surgiram como uma primeira solução pública palpável, mas parece que não têm sido eficazes. Sem lugar para internar os pacientes, acabam sendo um remédio paliativo ao dependente. Trazem alguns resultados, sim, mas muito pouco se comparados í necessidade desta epidemia das drogas instalada em todas as cidades do Brasil, até no interior dos municípios. Para a política pública, parece que o proveito que os CAPS podem tirar para uma necessária repaginação do sistema público é a capacidade de triagem dos casos. Os tratamentos em si não resistem í s faltas de continuidades exigidas pelas técnicas de ataque a doença divulgada por especialistas.
Todas as abordagens dadas í s drogas sugerem que nos casos mais sérios somente a internação (em uma espécie de imersão) dos pacientes dão resultados. O trabalho pós- tratamento também é importante. A freqí¼ência em grupos de auto-ajuda como os AAs e similares dos ex-drogados e familiares, após passarem por um tratamento de internação, parece também ser colocado como vital premissa ao verdadeiro re-encaminhamento social dos pacientes.
Ora: parece então que o que falta é o SUS disponibilizar a compra de vagas em Comunidades Terapêuticas, de preferência em conjunto com o Estado e os municípios. Uma comissão formada por médicos psiquiatras, psicólogos e ex-dependentes (muito úteis no processo) deveria reunir-se diariamente para enquadrar em qual tipo de tratamento os pacientes deveriam ser inseridos. Algumas clínicas operam com unidades de desintoxicação dentro do tratamento, no mesmo local físico; outras exigem que o paciente chegue desintoxicado; umas possuem médicos em seus quadros; outras não. Enfim: O CAPS deveria ser somente um ponto de referencia, triagem e de reinserção social do pacientes. O tratamento eficaz parece ser em comunidades. E o papel dos governos é somente triar e comprar as vagas. E sabe-se que este novo orçamento não pode cair somente no colo das administraçíµes municipais; há de se conveniar com orçamentos estaduais e federais.


