EDITORIAL – TURISMO OU BEM ESTAR SOCIAL?

11 de março de 2013

 

Na última edição de A FOLHA, veiculou uma entrevista com a colunista Martha Medeiro, onde, entre outras indagaçíµes feitas perante a colunista e escritora de renome nacional, uma pergunta sobre a impressão de Martha sobre a cidade de Torres ficou em aberto. E a resposta foi publicada na í­ntegra, como manda a ética jornalí­stica. Na resposta sobre Torres, a escritora lamentou a perda de charme que nossa cidade vivenciou nos últimos 30 ou 40 anos.

Martha Medeiros veraneou na cidade por toda sua infância e adolescência. Portanto, possui direitos especiais em dar sua opinião sobre a evolução principalmente da arquitetura e do conceito de receptividade que o lugar proporciona, í  seu critério de valor, perante justamente í quelas pessoas que, como ela, buscam em Torres um lugar para passar suas férias, seus finais de semana, suas temporadas de verão.   Afinal de contas, são pessoas como ela que uma cidade turí­stica como Torres busca. Ou não?

 Deve-se dar mais importância, ainda,  í s impressíµes deixadas pela colunista através da entrevista em A FOLHA da semana passada, o alcance qualitativo que Martha Medeiros usufrui na sociedade brasileira, principalmente na gaúcha,  do Estado onde nasceu e ainda reside. Este conceito sugere que a sociedade torrense reflita sobre os cuidados que gestores públicos, associaçíµes, hoteleiros, dentre outros, vêm tendo em suas participaçíµes no desenvolvimento urbano e social local. Martha deu um sinal para nós, torrenses, para que questionemos se estamos agradando a quem merece ser agradado, quando nos colocamos como cidade turí­stica. Por suas constataçíµes e recados deixados na entrevista, ao contrário: estamos desencantando, ano após anos, pessoas que fizeram de nossa cidade um í­cone dos destinos do turismo de verão em tempos atrás.

Parece que a sociedade torrense insiste em fazer um turismo mais popular. Shows gratuitos, programas noturnos e comércios sendo divulgados por carros de som barulhentos, concentração exagerada de pessoas e quiosques em pequenos espaços de beira de praia, letreiros agressivos e de gostos duvidosos sendo estampados em nossas ruas e avenidas, dentre outras várias mazelas locais, são alguns exemplo desta popularização da venda do Destino Torres no trade do Turismo gaúcho e nacional. Talvez o motivo disto seja uma eventual mistura de vontades pessoais de moradores locais que estejam se confundindo com as vontades dos turistas, principalmente daqueles mais acostumados a viajar, os verdadeiros consumidores. Talvez seja, ao contrário, a falta de um norte turí­stico bem claro para que os gestores públicos se baseiem para executar seus trabalhos. Mas o que é fato é a popularização do turismo de Torres e a notória falta de equipamentos que atendam turistas mais exigentes, por pura falta de mercado para estes estabelecimentos comerciais.

Até meados dos anos 1980, mais ou menos até 1984, a cidade mantinha alguns cuidados perante sua postura como lugar turí­stico. De lá para cá, a falta de critérios acabou deixando com que vontades individuais fossem realizadas, sem padríµes pré-estabelecidos. As mesmas vontades, tomadas sem nenhum critério técnico mercadológico, muito menos turí­stico, acabaram fazendo parte também das chamadas polí­ticas públicas de Turismo da cidade.   Gostos diversos, com a predominância para gostos pessoais e de interesses locais, tornaram-se atitudes públicas. Shows gratuitos passaram a fazer parte da programação local como tema obrigatório, quando se sabe que pessoas que buscam veranear e passear não faz questão deste tipo de promoção: a maioria do público que, afinal, assiste aos shows é de torrenses ou de pessoas de cidades do entorno, praticamente também filhas de Torres.

 Outras atitudes locais passaram a tomar conta da beira da praia nos veraneios. Torneios de futebol para comunidades de Torres, prestação de serviços públicos locais na beira de praia, dentre outros, são exemplos de priorização do bem estar local frente ao bem estar do turista, que não vem veranear para participar de campeonatos de futebol junto com moradores, muito menos vem í  praia tirar suas carteiras de identidade, ou verificar como está sua situação perante o ministério do Trabalho. Parece que este tipo de ação pública combinaria muito mais para ser feita durante os nove meses de baixa de movimento de veraneio na cidade, já que a maioria dos torrenses tem chance de ganhar algum trocado a mais no veraneio, mas trabalhando, não se divertindo.

Somos uma cidade que vive do Turismo, principalmente de verão. As crí­ticas construtivas feitas por uma ex-veranista de Torres como Martha Medeiros devem servir para uma reflexão profunda da sociedade local. Cidade turí­stica vive de satisfazer as vontades dos turistas. Se continuarmos misturando turismo com bem estar social, nosso ganha-pão no futuro pode estar com os dias contados.

 


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