EDITORIAL – VAMOS TERCEIRIZAR O BALONISMO E O Rí‰VEILLON?

7 de outubro de 2013

 

Filosoficamente, várias correntes de pensamento de administração pública (que, afinal, é o setor da sociedade que administra os impostos pagos pelos cidadãos, que chegam aqui no Brasil próximo a 40% de tudo que consumimos ou produzimos) debatem em pólos opostos a questão da terceirização de serviços. O tema é discutido na esfera do olhar trabalhista; Leva em conta por um lado o domí­nio das coisas ( quando o serviço é feito de forma direta, por departamentos dos órgãos públicos) pois os servidores são contratados pelo mesmo governo que planeja o resultado final do trabalho em analise. E leva em conta em muitos casos a questão da eficiência, pois é notória e publica a grande diferença final entre um serviço publico e o mesmo serviço realizado pela iniciativa privada. Números divulgados por institutos que medem a produtividade no trabalho revelam que, para cada trabalhador privado, são necessários três trabalhadores públicos para realizar a mesma tarefa. í‰ um tema de pólo institucional, que tem gente dos dois lados para provar que o seu pensamento é mais correto, como tudo na polí­tica.

Em cidades que vivem do Turismo como Torres, esta questão vai mais além. í‰ que em cidades turí­sticas, os eventos que trazem públicos aos destinos como o nossos são fundamentais: mexem com a atividade econí´mica principal dos municí­pios. Mas muitas vezes, estes mesmos eventos de certa forma vitais para o andamento da normalidade local se tornam pesados para os cofres municipais, já que o orçamento das cidades exige muito investimento em Saúde, Educação, Infraestrutura e Bem Estar Social. E em cidades que vivem do Turismo esta demanda não é diferente. A terceirização total de eventos já formatados e vencedores que fazem parte do calendário de Torres, portanto, deveria ser uma realidade. A prefeitura entra com a cidade e a disponibilidade logí­stica e legal; as empresas que realizam o evento entram com o resto, o plano de receita e despesa do mesmo, com os í´nus e os bí´nus naturais em empreendimentos privados

Eventos como o Festival de Balonismo ou o Réveillon são exemplos claros desta possí­vel atitude governamental local. Se gasta praticamente R$ 2,5 milhíµes nas duas festas que trazem Turismo pra cidade. Sabe-se que elas, além de promoverem a Marca Torres no cenário nacional e estadual como ponto privilegiado de destino de férias e lazer, movimentam o comércio e o trade do turismo torrenses, sempre sofrendo com a sazonalidade de suas atividades por sermos uma cidade de verão, ainda… Mas sabe-se também que R$ 2,5 milhíµes é muito dinheiro para Torres. Representam 2,5% do orçamento total. Além disto, o departamento de Turismo da cidade (secretaria) gasta quase que 100% do seu tempo planejando, montando e desmontando os circos das atividades de fomento ao turismo local. E mais: a tendência do excesso de paroquialismo exigido por fornecedores contratados pela prefeitura é iminente. A pressão polí­tica para que se contratem amigos do Rei ao invés de pessoas melhor preparadas é muito grande. E o resultado é o engessamento das atividades de Turismo local: Falta dinheiro para se investir em infraestrutura;  e falta tempo para os trabalhadores alocados nesta secretaria possam planejar outras coisas bem mais efetivas para o fomento da indústria do turismo local, nosso maior produto gerador de emprego & renda.

Estamos prestes a realizar o Réveillon 2014. Dá tempo, ainda, para chamar empresas especialistas em realizar este tipo de atividade, entregar o evento e as vantagens de marketing que eles podem propiciar aos realizadores. A própria RBS tem um departamento especializado nisto, e a cidade pode até ter certo ganho financeiro na negociação.

Com esta atitude –  que só depende de vontade polí­tica e uma boa negociação, talvez possamos nós, torrenses, usufruir de um iní­cio de ano de 2014 com duas realizaçíµes. Mais dinheiro para outras atividades ligadas ao turismo de Torres; e mais tempo para que a secretaria trabalhe nos planos destas novidades necessárias para a cidade. Estruturar melhor a possibilidade de captação de eventos de inverno é uma demanda antiga, e poderia avançar com esta nova postura pública; estruturar uma espécie de treinamento para os donos e trabalhadores dos equipamentos que atendem o turista da cidade seria outra demanda, demanda esta sistematicamente reclamada por todos (turistas e operadores do trade), que poderia também entrar no novo rol de tarefas. São pequenos exemplos de uma lista imensa.

Mas enquanto a sociedade e os polí­ticos da cidade de Torres avaliarem o Turismo público local tão somente medindo o número de pessoas que compareceram no Balonismo e no Réveillon; ou avaliando baseados na qualidade dos shows trazidos pelos secretários, nossa cidade continuará engessada e nada será possí­vel fazer. Há de se terceirizar o Réveillon e o Balonismo para que Torres vire uma nova página em sua história: trabalhe efetivamente como uma cidade turí­stica moderna e competitiva.

 


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