Filosoficamente, várias correntes de pensamento de administração pública (que, afinal, é o setor da sociedade que administra os impostos pagos pelos cidadãos, que chegam aqui no Brasil próximo a 40% de tudo que consumimos ou produzimos) debatem em pólos opostos a questão da terceirização de serviços. O tema é discutido na esfera do olhar trabalhista; Leva em conta por um lado o domínio das coisas ( quando o serviço é feito de forma direta, por departamentos dos órgãos públicos) pois os servidores são contratados pelo mesmo governo que planeja o resultado final do trabalho em analise. E leva em conta em muitos casos a questão da eficiência, pois é notória e publica a grande diferença final entre um serviço publico e o mesmo serviço realizado pela iniciativa privada. Números divulgados por institutos que medem a produtividade no trabalho revelam que, para cada trabalhador privado, são necessários três trabalhadores públicos para realizar a mesma tarefa. í‰ um tema de pólo institucional, que tem gente dos dois lados para provar que o seu pensamento é mais correto, como tudo na política.
Em cidades que vivem do Turismo como Torres, esta questão vai mais além. í‰ que em cidades turísticas, os eventos que trazem públicos aos destinos como o nossos são fundamentais: mexem com a atividade econí´mica principal dos municípios. Mas muitas vezes, estes mesmos eventos de certa forma vitais para o andamento da normalidade local se tornam pesados para os cofres municipais, já que o orçamento das cidades exige muito investimento em Saúde, Educação, Infraestrutura e Bem Estar Social. E em cidades que vivem do Turismo esta demanda não é diferente. A terceirização total de eventos já formatados e vencedores que fazem parte do calendário de Torres, portanto, deveria ser uma realidade. A prefeitura entra com a cidade e a disponibilidade logística e legal; as empresas que realizam o evento entram com o resto, o plano de receita e despesa do mesmo, com os í´nus e os bí´nus naturais em empreendimentos privados
Eventos como o Festival de Balonismo ou o Réveillon são exemplos claros desta possível atitude governamental local. Se gasta praticamente R$ 2,5 milhíµes nas duas festas que trazem Turismo pra cidade. Sabe-se que elas, além de promoverem a Marca Torres no cenário nacional e estadual como ponto privilegiado de destino de férias e lazer, movimentam o comércio e o trade do turismo torrenses, sempre sofrendo com a sazonalidade de suas atividades por sermos uma cidade de verão, ainda… Mas sabe-se também que R$ 2,5 milhíµes é muito dinheiro para Torres. Representam 2,5% do orçamento total. Além disto, o departamento de Turismo da cidade (secretaria) gasta quase que 100% do seu tempo planejando, montando e desmontando os circos das atividades de fomento ao turismo local. E mais: a tendência do excesso de paroquialismo exigido por fornecedores contratados pela prefeitura é iminente. A pressão política para que se contratem amigos do Rei ao invés de pessoas melhor preparadas é muito grande. E o resultado é o engessamento das atividades de Turismo local: Falta dinheiro para se investir em infraestrutura; e falta tempo para os trabalhadores alocados nesta secretaria possam planejar outras coisas bem mais efetivas para o fomento da indústria do turismo local, nosso maior produto gerador de emprego & renda.
Estamos prestes a realizar o Réveillon 2014. Dá tempo, ainda, para chamar empresas especialistas em realizar este tipo de atividade, entregar o evento e as vantagens de marketing que eles podem propiciar aos realizadores. A própria RBS tem um departamento especializado nisto, e a cidade pode até ter certo ganho financeiro na negociação.
Com esta atitude – que só depende de vontade política e uma boa negociação, talvez possamos nós, torrenses, usufruir de um início de ano de 2014 com duas realizaçíµes. Mais dinheiro para outras atividades ligadas ao turismo de Torres; e mais tempo para que a secretaria trabalhe nos planos destas novidades necessárias para a cidade. Estruturar melhor a possibilidade de captação de eventos de inverno é uma demanda antiga, e poderia avançar com esta nova postura pública; estruturar uma espécie de treinamento para os donos e trabalhadores dos equipamentos que atendem o turista da cidade seria outra demanda, demanda esta sistematicamente reclamada por todos (turistas e operadores do trade), que poderia também entrar no novo rol de tarefas. São pequenos exemplos de uma lista imensa.
Mas enquanto a sociedade e os políticos da cidade de Torres avaliarem o Turismo público local tão somente medindo o número de pessoas que compareceram no Balonismo e no Réveillon; ou avaliando baseados na qualidade dos shows trazidos pelos secretários, nossa cidade continuará engessada e nada será possível fazer. Há de se terceirizar o Réveillon e o Balonismo para que Torres vire uma nova página em sua história: trabalhe efetivamente como uma cidade turística moderna e competitiva.


