Educação: Do atraso brasileiro ao exemplo da Coréia

8 de dezembro de 2012

 

Na Coréia do Sul, incentivo maciço em educação é chave para o desenvolvimento do paí­s

 

 Não é novidade que a situação precária do sistema educacional brasileiro é um dos principais entraves para o desenvolvimento de nosso paí­s. E na última semana, uma nova pesquisa reafirmou este quadro preocupante.

 

 O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação, que comparou 40 paí­ses. O ranking levou em conta, dentre outros fatores, as notas dos alunos em provas e a qualidade de professores. A pesquisa foi realizada por consultores britânicos do Economist Intelligence Unit (EIU), tendo sido encomendada por uma empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários paí­ses, a Parson.

Tidas como "super potências" da educação, a Finlândia (1 º) e a Coreia do Sul (2 º) dominam o ranking. Na sequência aparece uma lista de destaques asiáticos: Hong Kong (3 º), Japão (4 º) e Cingapura (5 º).  Já Alemanha (15 º), Estados Unidos (17 º) e França (25 º) estão em grupo intermediário na lista, e Brasil , México e Indonésia são os lanterninhas da lista.

 

conclusíµes do estudo

 

O ranking é baseado em testes efetuados por professores e alunos em áreas como matemática, ciências e habilidades linguí­sticas. O objetivo da empresa educacional Person é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas naçíµes, e criar um banco de dados que a Pearson chama de "Curva do Aprendizado".

Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira cultura nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo. Isso explicaria o alto desempenho das naçíµes asiáticas no ranking. Nesses paí­ses o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade, e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.

O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade (principalmente nos ní­veis primários), além da necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e garantir pagamento de bons salários.

 

Descaso com o professor primário

 

O professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários, de acordo com uma pesquisa feita no ano passado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a pela Unesco. Dentre 40 paí­ses analisados, a situação dos brasileiros só não era pior do que a dos professores do Peru e da Indonésia.

Um brasileiro em iní­cio de carreira, segundo a pesquisa, recebe, em média,  menos de US$ 5 mil por ano para dar aulas. E isso porque o valor foi calculado incluindo os professores da rede privada de ensino, que ganham bem mais do que os professores das escolas públicas.

Na Alemanha e na Coréia do Sul, um professor com a mesma experiência de um brasileiro, ganha, em média, US$ 30 mil por ano, mais de seis vezes a renda no Brasil. No topo da carreira e após mais de 15 anos de ensino, um professor brasileiro pode chegar a ganhar US$ 10 mil por ano. Em Portugal, o salário anual chega a US$ 50 mil, equivalente aos salários pagos aos suí­ços.

O estudo mostra que, no Paí­s, apenas 21,6% dos professores primários têm diploma universitário, contra 94% no Chile. Nas Filipinas, todos os professores são obrigados a passar por uma universidade antes de dar aulas. A OIT e a Unesco dizem que o Brasil é um dos paí­ses com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez.

 

 

O exemplo da Coréia

 

Quase o mundo inteiro reconhece que o desenvolvimento de uma nação é diretamente proporcional ao investimento em educação. Exemplo veemente desta relação é a Coréia do Sul, paí­s localizado no Sudeste asiático que no passado elegeu a educação como uma das prioridades de sua polí­tica de governo e que atualmente colhe os resultados. Em 1960, a renda per capita da Coréia era a metade da dos brasileiros. Já em 2000, ela era mais do que o dobro. Isso ocorreu porque, a partir de 1962, este paí­s resolveu investir maciçamente em educação, básica e universitária. Já na área econí´mica, a Coréia passou neste mesmo perí­odo a dar ênfase a exportaçíµes dos produtos de sua florescente indústria. Isso representou ampliação do numero de escolas e criação de incentivos para estudantes de engenharia e de cursos técnicos.

Desde que priorizou os investimentos em educação, a renda per capita da Coréia do Sul cresceu dezenove vezes, e a sociedade atingiu um patamar de bem-estar invejável. A educação na Coréia do Sul é considerada por sua sociedade como sendo o fator crucial para a competitividade do paí­s. Os coreanos praticamente erradicaram o analfabetismo, e colocaram cerca de 80% dos jovens na universidade.

Mas é um equí­voco imaginar que a experiência da Coréia com educação possa ser integralmente transplantada para o Brasil. Como a maior parte das sociedades orientais, a coreana exibe um sentido de hierarquia que não encontra paralelo entre os brasileiros. Ela também é muito mais homogênea cultural e etnicamente, não só em razão de a Coréia ser uma nação pequena, como também pelo fato de o paí­s não ter recebido milhíµes de imigrantes das mais diversas partes do mundo “ o contrário do Brasil, que exibe um território vasto e é um belo tanto de culturas e etnias. Contudo, citamos no quadro anexo alguns dos fundamentos do exemplo coreano de desenvolvimento e educação, e que poderiam ser adaptados a realidade do nosso Brasil.

 

 

Sete liçíµes da Coréia do Sul para a educação do Brasil

 

 

1-        Concentrar os recursos públicos no ensino fundamental “ e não na universidade “ enquanto a qualidade nesse ní­vel for sofrí­vel

 

2-        Premiar os melhores alunos com bolsas e aulas extras para que desenvolvam seu talento

 

3-        Racionalizar os recursos para dar melhores salários aos professores

 

4-        Investir em polos universitários voltados para a área tecnológica

 

5-       Atrair o dinheiro de empresas para a universidade, produzindo pesquisa afinada com as demandas do mercado

 

6-        Estudar mais. O contraturno escolar é uma realidade educacional das naçíµes desenvolvidas.

 

7-        Incentivar os pais a se tornarem assí­duos participantes nos estudos dos filhos

 

 

 

 

FONTES: BBC Brasil, Veja e Brasil de Fato


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