EM 15 DIAS, MAIS DOIS ASSASSINATOS EM TORRES

18 de setembro de 2015

 

Já são 12 os homicí­dios cometidos em Torres neste ano de 2015. Em menos de 15 dias – entre os dias 23 de agosto e 06 de setembro – foram mais duas pessoas assassinadas a tiros na cidade. Tendo em vista esta situação preocupante, conversamos novamente com o delegado de Polí­cia de Torres, Celso Jaeger.

 

Por Redação A FOLHA

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Sobre os novos casos de homicí­dio

 

No último dia 23 de agosto, foi assassinado a tiros em sua própria residência (no bairro Campo Bonito) Alexandre de Melo Santos, 36 anos. A ví­tima deixou mulher e uma filha de 02 anos, que foram poupadas pelos assassinos. As evidências apontam para uma morte encomendada, a chamada ‘queima de arquivo’. Mas o delegado Celso Jaeger apenas diz que, sobre este caso, ainda não há autoria identificada, e que a polí­cia já tem suspeitos (embora mais detalhes não possam ser informados para não atrapalhar a investigação).

 Já na noite de 06 de setembro,   o Jovem Paulo Henrique de Jesus Pinto, de apenas 19 anos, foi assassinado também a tiros quando voltava para sua casa, no bairro Igra Sul. Suspeitos relataram que a ví­tima estava sendo ‘caçada’ com disparos de arma de fogo ainda na rua, mas conseguiu correr até sua casa.   Entretanto, os criminosos invadiram a residência e lá alvejado a tiros Paulo Henrique –  sendo que um dos tiros atingiu a cabeça da ví­tima. Paulo chegou a ser socorrido pela SAMU ainda   com vida. Porém, acabou tendo a morte cerebral decreta na segunda-feira (07/09), no hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa.

Quanto a este caso, o delegado Celso Jaeger diz que as investigaçíµes apontam para uma possí­vel vingança, relacionada a uma ‘guerra entre gangues’ que – numa reação em cadeia – já tirou a vida de alguns jovens este ano em Torres. Em fevereiro deste ano, o irmão de Paulo Henrique – Mateus Pinto – havia sido morto a tiros em Pleno Posto Pit Stop, no centro da cidade. Em março, enquanto ainda ocorria a investigação deste caso, o jovem Thimoty Barbosa Lobão – 20 anos – foi morto com um tiro da cabeça no Bairro São Francisco. Thimoty era primo de J.C.B.J. – que posteriormente foi acusado pela morte de Mateus Pinto, no Posto Pit Stop. Assim, as evidências apontavam Paulo Henrique quanto suspeito principal pelo assassinato de Thimoty, e a razão seria uma vingança pela morte do seu irmão Mateus. Mas esta sangrenta briga entre grupos rivais acabou mal para Paulo Henrique Pinto, que pelas suspeitas da Delegacia de Polí­cia de Torres, pode ter sido morto em retaliação pelo assassinato de Thimoty. E tem mais: apesar de ter sido acusado e preso pelo assassinato de Mateus Pinto, J.C.B.J. já está novamente nas ruas, foi liberado da cadeia recentemente.

 

Entre greve na delegacia,   ‘lei do silêncio’ e o apoio da BM

 

O delegado Celso Jaeger nos disse que, em consequência do parcelamento de salários dos servidores públicos estaduais – promovido pelo governador José Ivo Sartori – a Delegacia de Polí­cia de Torres esteve em greve por alguns dias. "As atividades voltaram ao normal   desde o último dia 12, mas não quer dizer que não entraremos em greve novamente caso o governador decida, novamente, parcelar os salários. Há até decisão judicial proibindo o governo do RS a parcelar os salários dos servidores, mas Sartori decidiu passar por cima desta decisão, alegando a crise das finanças do estado", salientou Jaeger

Em decorrência do estado de greve – bem como da histórica falta de efetivo na Polí­cia Civil em Torres – ficam dificultadas as elucidaçíµes destes últimos homicí­dios em Torres. Mas o que realmente vem complicando as investigaçíµes dos últimos casos, segundo o delegado Jaeger, é uma espécie de ‘lei do silêncio’ que vigora entre as testemunhas e até familiares das ví­timas, que não colaboram o suficiente com a DP local. "Mas apesar das dificuldades, não quer dizer que a nossa equipe de investigação não esteja trabalhando com afinco, coletando pistas e fazendo avanços para resolver em definitivo estes últimos casos de assassinato", ressaltou o delegado Jaeger, que faz um apelo para que a população colabore com a Delegacia de Polí­cia de Torres caso tenha informaçíµes que ajudem a elucidar os casos de crimes violentos na cidade.

Outro ponto destacado pelo delegado foi a boa relação com a BM de Torres, que segundo ele continua ativa e operante apesar das incertezas (e dificuldades salariais) que vêm passando quanto servidores estaduais. Conforme Celso, a BM vêm se destacando na apreensão de traficantes de drogas e foragidos da justiça.

 

Falência do sistema carcerário e um recado para os jovens

 

Celso Jaeger ainda foi franco ao reclamar de uma "falência do sistema carcerário brasileiro, dizendo que – ao invés de reeducar para a sociedade, cadeias se tornam verdadeiras escolas do crime para jovens delinquentes. "Para muitos jovens que cometem crimes, cadeia é coisa de macho, uma prova de força. E nas cadeias as facçíµes criminais continuam tendo acesso a drogas, celulares, mandando e desmandando açíµes fora do presí­dio. O crime se tornou um negócio corporativo", lamenta.

Para o delegado de Torres, o sistema penal brasileiro precisa passar por mudanças – e leis precisam ser endurecidas – para que não vigore a sensação de impunidade. Além disso, ele pensa que deve haver uma inversão de valores principalmente da juventude – que ao invés de se deixar tentar pelo caminho do crime, do tráfico de drogas e da violência, deveria buscar encontrar potencialidades positivas em suas vidas.  


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