Festival Internacional de Balonismo de Taiwan dura cerca de 40 dias. Cidade onde o evento ocorre ficou parcialmente destruída após passagem de um forte tufão
Por Maiara Raupp
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O piloto torrense, Giovani Pompermaier, é o único brasileiro que está participando do Festival Internacional de Balonismo em Taiwan, na ísia, que iniciou dia 1 de julho e segue até 7 de agosto. Confira abaixo entrevista com o piloto, que viveu duas grandes experiências de uma só vez.
Jornal A Folha – O Festival Internacional de Balonismo de Taiwan existe há quanto tempo?
Giovani – O festival teve seu início no ano de 2011 de forma um pouco discreta, com apenas alguns balíµes e uma duração não tão extensa. Nos anos de 2013 e 2014 o festival tomou proporçíµes bem maiores com uma duração de 70 dias. Isso mesmo, 70 dias de evento com balíµes diversificados. Nos anos seguintes, 2015 e 2016, ocorreram reduçíµes no período de realização e na quantidade de balíµes. A duração do evento tem sido de 40 dias e com uma média de 40 balíµes, sendo que as equipes participantes são trocadas a cada 15 dias de evento.
Jornal A Folha – Como surgiu a oportunidade de participares desse evento?
Giovani – O convite para participar deste evento foi feito ao piloto Eduardo Melo com seu balão em formato de aquário (fishbowl). No entanto, ele me repassou este convite, pois estaria em um trabalho até outubro na ífrica do Sul. Obviamente eu não poderia deixar esta oportunidade passar em branco e aqui estou. Agradeço muito a ele por esta oportunidade e confiança em meu trabalho.
Jornal A Folha – Como é a organização do evento?
Giovani – O evento é muito bem organizado, desde o transporte dos equipamentos que vem dos mais diversos lugares do mundo, até o deslocamento dos pilotos. Transporte, hospedagem, alimentação, tudo muito preparado pela equipe SkyRainbow Hot Air Balloon, organizadora do evento. Quando pensávamos em como iríamos nos locomover do aeroporto até o hotel ou para outro aeroporto eles já haviam pensado e disponibilizado o transporte. Realmente ficamos impressionados com toda organização e acolhimento de todos.
Jornal A Folha – Quais as diferenças dos demais Festivais que já participaste? Principalmente dos realizados no Brasil e o nosso em Torres?
Giovani – Este é o segundo evento internacional que participo. O primeiro foi em Bogotá e agora em Taitung (condado de Taiwan). O que posso perceber nestas duas experiências fora do Brasil é a organização e a forma com que tratam os pilotos. Como para estes eventos normalmente vamos em duas pessoas, sempre temos a nossa espera uma equipe de quatro pessoas locais para nos ajudar durante o trabalho com balão, além do suporte necessário para tudo. Não quero com isso desmerecer os eventos no Brasil, que da mesma forma possuem uma excelente organização. Mas acaba sendo diferente pois somos locais e não temos estas necessidades. Pelo que percebo em Torres, por exemplo, os pilotos internacionais recebem o mesmo suporte que estou recebendo aqui neste evento. í‰ uma questão de necessidade. No campo onde inflamos os balíµes existe a marcação do espaço de cada balão. Existem estacas prontas para amarração dos balíµes, facilitando a apresentação dos balíµes em voo cativo. O público aqui admira muito e respeita seu espaço. Todo o terreno do balão é aberto e somente quando autorizado o público se aproxima e interage com os balíµes.
Jornal A Folha- Estás participando da competição ou é apenas festivo?
Giovani – Eu estou participando como fiesta (festivo). Os balíµes de forma não participam da competição. Eu estou com o balão em formato de aquário (fishbowl) do piloto Eduardo Melo. O balão veio especialmente dos Estados Unidos para participar do evento. Os demais balíµes participaram na primeira semana de uma competição que segue os mesmos padríµes do Brasil.
Jornal A Folha – í‰s o único brasileiro? Tem pilotos de todos os lugares do mundo?
Giovani – Aqui eu sou o único piloto brasileiro. Junto comigo está o amigo Verner Cabral, que veio me acompanhar. Os demais pilotos são dos mais variados lugares do mundo como Suíça, França, Holanda, Alemanha, Austrália, Rússia, Japão, China e por ai vai.
Jornal A Folha – Como está sendo essa experiência?
Giovani – A experiência tem sido muito agradável. Sempre aprendendo algo novo, pois temos várias culturas diferentes que respiram balonismo. Cada momento dividido com estas pessoas nos traz um novo ensinamento. Novas amizades se formam e, mesmo com a dificuldade na comunicação, com certeza são portas que se abrirão futuramente para novas experiências.
Jornal A Folha – Como foi a experiência com o tufão? Qual a sensação? Como eles se preparam para essas catástrofes? Como tudo ficou após a passagem? E o Festival?
Giovani – O tufão não foi algo muito agradável. Já havia passado por algo parecido em Torres com a passagem do furacão Catarina. Aqui não foi muito diferente, pois a força e o rastro de destruição que deixou foi igual ou superior ao furacão de Torres. Acordamos por volta das 4 da manhã com o barulho do vento e o prédio do hotel balançando. Estávamos no 5 ° andar. Durante o dia todo observava e ficava pasmo, pois não observei na cidade e no hotel nenhum tipo de preparação para este evento climático. Está certo que aqui na ilha isto ocorre algumas vezes por ano, mas o que eles não esperavam é que seria um dos mais fortes dos últimos anos. Antes do tufão, havíamos visitado alguns pontos turísticos da cidade. Realmente foi muito triste voltar a estes locais e ver a destruição completa que o vento e a chuva causaram. O festival foi interrompido no dia que era previsto a chegada do vento e estava programado o reinício para o dia 12/07. Isso não ocorreu, tamanha a destruição causada no local do evento. Estão ainda trabalhando duro para a limpeza da cidade, inclusive com ajuda do exército. O local do evento está sendo reconstruído e a previsão para o reinício será dia 17/07. Devemos terminar nossa participação no evento dia 27/07 e o mesmo deve continuar até 07/08.
FOTO: Giovani fazendo uma participação especial no comando do Kiwi, da Nova Zelandia


