EM QUESTíO: animais e plantas geneticamente modificados

22 de março de 2013

 

No final de dezembro passado, a agência que zela pela segurança alimentar nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration) aprovou para consumo um tipo de salmão geneticamente modificado, reacendendo o debate sobre a segurança dos transgênicos e suas implicaçíµes éticas, econí´micas sociais e polí­ticas. í‰ a primeira vez que um animal geneticamente modificado é aprovado para consumo humano.

Embora boa parte do público ainda tema possí­veis efeitos negativos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente, pesquisas de opinião nos Estados Unidos e na Europa indicam que a resistência aos alimentos geneticamente modificados tem caí­do, refletindo, talvez, uma tendência de gradual mudança de posição da percepção pública.

As principais academias de ciências do mundo e instituiçíµes como a Organização das Naçíµes Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) insistem em dizer que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética realizada sob o controle dos atuais protocolos de segurança não representa risco maior do que técnicas agrí­colas convencionais de cruzamento de plantas.

No entanto, muitos cientistas discordam, ainda que os alertas não ganhem nas manchetes a mesma importância que os anúncios dos eventuais benefí­cios dos transgênicos. O posicionamento destes cientistas está baseado em pesquisas que demonstraram que os vegetais consumidos podem alterar os genes humanos, e até livros já foram escritos mostrando o risco de que os transgênicos espalhem-se pela natureza. A preocupação é ainda maior no caso dos animais transgênicos, como é o caso dos mosquitos transgênicos soltos no Brasil e em outros paí­ses para combater a dengue, e cujos efeitos sobre o homem não são conhecidos.

 

10 Transgênicos no supermercado

 

Vários produtos transgênicos já estão nos supermercados, um fato que pode ter escapado a muitos consumidores – apesar da discreta rotulagem obrigatória, no Brasil e na União Européia, de produtos com até 1% de componentes transgênicos.Veja abaixo uma lista com 10 produtos e derivados que serve de exemplo de como os transgênicos entraram e estão tentando entrar na cadeia alimentar.

 

Milho transgênico: Com as variantes transgênicas respondendo por mais de 85% das atuais lavouras do produto no Brasil e nos Estados Unidos, não é de se espantar que a pipoca consumida no cinema, por exemplo, venha de um tipo de milho que recebeu, em laboratório, um gene para torná-lo tolerante a herbicida, ou um gene para deixá-lo resistente a insetos, ou ambos. O mesmo pode ser dito da espiga, dos flocos e do milho em lata que você encontra nos supermercados. Há também os vários subprodutos – amido, glucose – usados em alimentos processados (salgadinhos, bolos, doces, biscoitos, sobremesas) que obrigam o fabricante a rotular o produto.

 

í“leos de cozinha geneticamente modificados: Os óleos extraí­dos de soja, milho e algodão, os três campeíµes entre as culturas geneticamente modificadas – e cujas sementes são uma mina de ouro para as cerca de dez multinacionais que controlam o mercado mundial – chegam í s prateleiras com a reputação "manchada" mais pela sua origem do que pela presença de DNA ou proteí­na transgênica.No processo de refino desses óleos, os componentes transgênicos são praticamente eliminados. Mesmo assim, suas embalagens são rotuladas no Brasil e nos paí­ses da União Européia.

 

Soja transgênica: O subproduto mais comum para consumo humano é o óleo de cozinha, mas há ainda o leite de soja, tofu, bebidas de frutas e soja e a pasta missí´, todos com proteí­nas transgênicas.

 

– Queijo transgênico: A quimosina, uma enzima importante na coagulação de lacticí­nios, era tradicionalmente extraí­da do estí´mago de cabritos – um procedimento custoso e "cruel". Biotecnólogos modificaram microrganismos como bactérias, fungos ou fermento com genes de estí´magos de animais, para que estes produzissem quimosina. A enzima é isolada em um processo de fermentação em que esses microrganismos são mortos.

A quimosina resultante deste processo – e que depois é inserida no soro do queijo – é tida como idêntica í  que era extraí­da da forma tradicional. Essa enzima é pioneira entre os produtos gerados por organismos geneticamente modificados e está no mercado desde os anos 90. Como a quimosina é eliminada do produto final, o queijo escapa da rotulação obrigatória.

 

– Pão, bolos e biscoitos geneticamente modificados:Trigo e centeio, os principais cereais usados para fazer pão, continuam sendo plantados de forma convencional e não há variedades geneticamente modificadas em vista. Mas vários ingredientes usados em pão e bolos vêm da soja, como farinha (geralmente, nesse caso, em proporção pequena), óleo e agentes emulsificantes como lecitina. Outros componentes podem derivar de milho transgênico, como glucose e amido. Além disso, há, entre os aditivos mais comuns, alguns que podem originar de microrganismos modificados, como ácido ascórbico, enzimas e glutamato. Dependendo da proporção destes elementos transgênicos no produto final (acima de 1%), ele terá que ser rotulado.

 

– Abobrinha transgênica: Seis variedades de abobrinha resistentes a três tipos de ví­rus são plantadas e comercializadas nos Estados Unidos e Canadá. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.

 

 

– Mamão papaia transgênico: Os Estados Unidos são o maior importador de papaia do mundo – a maior parte vem do México e não é transgênica. Mas muitos norte-americanos apreciam o papaia local, produzido no Havaí­, Flórida e Califórnia. Cerca de 85% do papaia do Havaí­, que também é exportado para Canadá, Japão e outros paí­ses, vem de uma variedade geneticamente modificada para combater um ví­rus devastador para a planta.  A fruta não é vendida no Brasil, nem na Europa

 

– Arroz transgênico: Uma das maiores fontes de calorias do mundo, mesmo assim, o cultivo comercial de variedades modificadas fica, por enquanto, na promessa. Vários tipos de arroz estão sendo testados, principalmente na China, que busca um cultivo resistente a insetos.  Falou-se muito no golden rice, uma variedade enriquecida com beta-caroteno, desenvolvida por cientistas suí­ços e alemães. O "arroz dourado", com potencial de reduzir problemas de saúde ligados í  deficiência de vitamina A, está sendo testado em paí­ses do sudeste asiático e na China, onde foi piví´ de um recente escândalo: dois dirigentes do projeto foram demitidos depois de denúncias de que pais de crianças usadas nos testes não teriam sido avisados de que elas consumiriam alimentos geneticamente modificados.

 

– Feijão transgênico: A Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária (Embrapa), conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma variedade de feijão resistente ao ví­rus do mosaico dourado, tido como o maior inimigo dessa cultura no paí­s e na América do Sul.  As sementes devem ser distribuí­das aos produtores brasileiros – livre de royalties – em 2014, o que pode ajudar o paí­s a se tornar autossuficiente no setor. í‰ o primeiro produto geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira.

 

– Salmão transgênico: Após a aprovação prévia da FDA, o público e instituiçíµes americanos têm um prazo de 60 dias (iniciado em 21 de dezembro) para se manifestar sobre o salmão geneticamente modificado para crescer mais rápido. Em seguida, a agência analisará os comentários para decidir se submete o produto a uma nova rodada de análises ou se o aprova de vez.  Francisco Aragão, pesquisador responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa, afirma que tem acompanhado o caso do salmão com interesse, e que não tem dúvidas sobre sua segurança para consumo humano.  A dúvida é em relação ao impacto no meio ambiente. (Mesmo criado em cativeiro) O salmão poderia aumentar sua população muito rapidamente e eventualmente eliminar populaçíµes de peixes nativos. As probabilidades de risco para o meio ambiente são baixas, mas não são zero.


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