EM UMA SEMANA, DUAS FATALIDADES NAS íGUAS DE TORRES

18 de março de 2016

 

FOTO:Corpo de jovem desaparecido na Praia da Cal foi encontrado em Balneário Gaivota

 

Por Guile Rocha

_____________

 

Banhistas localizaram, por volta do meio-dia de sexta-feira, dia 11, o corpo de Flávio Itamar Moraes Lopes, 21 anos. Ele estava na praia de Areias Claras, no balenário Gaivota, no extremo Sul de Santa Catarina, cerca de 30 quilí´metros de onde havia desaparecido – na Praia da Cal, em Torres. Bombeiros de Sombrio foram ao local e resgataram o corpo.

O jovem estava desaparecido desde a manhã da quarta-feira (09), quando entrou para nadar no mar da Praia da Cal e sumiu. Não havia salva-vidas, tendo em vista que a operação Golfinho terminou 04 de março. Morador de Vale Verde, Flávio estava em Torres com a namorada, Bruna Linke (20 anos) e outros familiares

Esse havia sido o primeiro caso de afogamento do ano em Torres. Entretanto, a semana ainda traria mais uma triste notí­cia…

 

Homem morre afogado na praia da Guarita

 

Na tarde de quarta-feira (16), na Praia da Guarita, mais uma pessoa acabou falecendo após entrar no mar. Trata-se de Paulo Ricardo Cares, de 46 anos, morador de Canela e que estava de visita em Torres. Segundo Stela de Marins Feitoza (moradora de Torres há um ano), que estava na água com a irmã e viu de perto a cena, um forte repuxo levou Paulo Ricardo para longe. "Ele pedia por socorro, mas tive que ajudar minha irmã de 14 anos a sair da água, pois também fomos pegas de surpresa. Um senhor tentou entrar no mar para salvá-lo, mas ele já estava longe, e este senhor quase se afogou também.   Só depois que uns surfistas chegaram e socorreram os dois. Mas infelizmente, ele (que estava se afogando no princí­pio) já estava sem vida", cita Stela.

Paulo Ricardo estava em Torres com a mulher, o filho e a nora, numa casa alugada na Itapeva. Stela conta que acompanhou todo o triste ocorrido, indo com a famí­lia até o hospital Nossa Senhora dos Navegantes. "Na praia, um senhor, enfermeiro, tentou fazer uma massagem cardí­aca, mas já era tarde. Uns 40 minutos depois a SAMU chegou, e logo depois a Brigada Militar".

Stela disse ter ficado chocada e apavorada com a situação, e revoltou-se com a falta de Salva-Vidas na orla. "O verão ainda não acabou, as praias ainda estão cheias e não há salva-vidas para o resgate. Isso é um absurdo! Estou com o senhor gritando por socorro na minha cabeça, sabendo que, se tivesse um salva vidas, ele tinha sobrevivido". Além disso, Stela pensa ser urgente que hajam mais placas indicando o perigo da Guarita e dos locais próximos as pedras da orla torrense.

Assim, em menos de uma semana, sem Salva-Vidas nas praias, ocorreram os dois primeiros óbitos do ano na orla de Torres… e fica aquela sensação de que algo poderia ter sido feito – se o poder público prestasse mais atenção (liberando mais verbas) para a competente segurança prestada pelos Bombeiros na beira da praia.

 

O ponto de vista dos Bombeiros de Torres

 

Tendo em vista estes dois tristes casos, o jornal A FOLHA contatou o Corpo de Bombeiros de Torres. Conversamos com o Sargento Cardoso, que lembrou que, desde o dia 29 de fevereiro, não há mais o serviço da Operação Golfinho nas praias do litoral gaúcho – operação que garantia o trabalho dos Salva-Vidas na orla. "Seguimos as recomendaçíµes do Governo do Estado, que decidiu encerrar a Operação Golfinho mais cedo neste ano ( em anos passados, ela seguia até meados de março).   Por nós estávamos na praia, mas a polí­tica de corte de gastos do estado do RS prejudica (a continuidade estendida do serviço de salva-vidas). Voltamos a ter menor efetivo em Torres, temos muitas ocorrências para atender e e não podemos sequer fazer a patrulha preventiva nas praias tanto quanto gostarí­amos. Infelizmente, só acompanhamos de longe estas tragédias " lamenta o sargento.

Cardoso lembra que o trabalho dos Salva-Vidas garantiu um verão seguro e sem mortes nas praias de Torres – apesar do altí­ssimo número de salvamentos. Atualmente, com recursos escassos, os bombeiros podem apenas dar rondas eventuais, informando as pessoas que os local – como a Guarita e a Cal – são de risco para o banho. E dada a real situação de agora – que é a falta dos salva vidas na orla – o Sargento Cardoso faz uma recomendação para que os banhistas sejam precavidos ao entrar na água: " Se não tem experiência, que não se arrisque mesmo, fique com a água pela cintura no máximo.   Que o banhista busque evitar locais próximos as pedras, e tome cuidado com as corrente de retorno (repuxo) que ocorrem em local fixo. E caso o socorro seja necessário, pedimos que as pessoas não tentem ser heróis (caso não tenham experiência dentro do mar), pois uma tragédia pode acabar tornando-se duas".

 

Uma boa notí­cia também  

 

Mas apesar de todas as dificuldades, uma boa notí­cia que é embasada em superação: um resgate de um turista argentino que estava se afogando – também na Praia da Guarita – foi bem sucedido na tarde da última terça-feira (15). "A ação contou com a ajuda de um salva vidas de folga, populares e surfistas que foram até o local e ajudaram a efetuar o salvamento.  Fomos avisados e prontamente pudemos atender ao turista, resgatado nas pedras da Guarita".  

 

 Resgate efetuado na terça-feira (15) foi bem sucedido na Guarita


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados