Farol de Torres í s escuras: apagão ésí­mbolo do descaso com o turismo LOCAL

15 de março de 2016

 

 

 


No Morro do Farol, farol desligado (Créditos: Camila Lummertz)

 

Alguém se deu conta que um dos principais pontos turí­sticos de Torres, que recebe diariamente milhares de pessoas, está simplesmente í s escuras há cerca de pelo menos seis meses? O farol, que deveria estar aceso para guiar embarcaçíµes, encontra-se desligado e o pior: ninguém sabe, ninguém viu.


Por Maiara Raupp
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Há cerca de seis meses venho observando que nenhuma das torres localizadas no Morro do Farol estão acendendo durante a noite. Na esperança de que fosse um mau contato, que eu estivesse equivocada, que algum órgão público fosse ver e tomar providências, nada fiz. Mas passou o verão, época que a cidade enche de turistas, e nada foi feito. Um total descaso com o turismo local.

Ao buscar informaçíµes com relação aos responsáveis pela manutenção dos faróis, obtive uma simples resposta no órgão municipal que deveria estar atento a isso: eu nem vi que o farol não estava acendendo. Daí­ me caiu os butiá do bolso.
Ao entrar em contato com o Serviço de Sinalização Náutica do Sul, departamento da Marinha que tem como missão operar, manter, instalar, desativar e fiscalizar os sinais de auxí­lio í  navegação, fixos e flutuantes, a fim de contribuir para a Segurança da Navegação na área de Jurisdição do Comando do 5 º Distrito Naval, fui informada que a responsabilidade da manutenção dos faróis é da Marinha, no entanto quando há um problema com os faróis dentro de dois anos, tem que ser feita uma denúncia, geralmente por parte do municí­pio, para que o reparo seja efetivado. A manutenção dos faróis pelo estado é realizado de dois em dois anos, tempo de durabilidade do equipamento. No entanto, muitas vezes por descargas elétricas ou atos de vandalismo, o faróis deixam de funcionar. Mas como não temos como fiscalizar diariamente, é preciso nos avisar para arrumarmos. Senão ficará por muito tempo sem funcionamento, explicou o comandante Edgar.
Por sorte, fui informada que uma equipe está percorrendo o estado verificando os faróis e deve estar passando por Torres na próxima semana. Até o final da próxima semana o farol de Torres deverá estar em plena funcionalidade, garantiu o comandante. E no final de semana, a  marinha efetivamente esteve em Torres – e a torre mais alta (das antenas de telecomunicaçíµes) agora está com as luzes acesas. Mas o Farol clássico, mais antigo, continua na mesma, as escuras.
Fico me perguntando: E se não fosse essa equipe estar vindo? E se não fosse o jornal A FOLHA indo atrás? Até quando o farol de Torres ficaria í s escuras?
 

 

Saiba a importância de um farol  

Ainda nos dias de hoje, os faróis exercem uma importante função para a navegação e como atrativo turí­stico. Este instrumento surgiu com a necessidade do homem de se deslocar í  noite sendo um ponto de referência. No começo eram acesas fogueiras nos lugares mais altos da costa, mas a necessidade fez evoluir este sistema de iluminação náutica até chegar no que existe hoje: obras imponentes, de rara beleza e de suma importância.
Os faróis ainda são um marco seguro para os navegantes. Têm-se hoje os GPS que podem guiar em qualquer parte do mundo, mas os faróis com seus lampejos a cada tempo exato propiciam um conforto aos navegantes de uma maneira diferente. Quem viaja í  noite sabe o que é isto. As embarcaçíµes não usam luz própria para iluminar o caminho, mas com todos os atuais apetrechos tecnológicos, a luz de um farol é a confirmação mais segura do rumo a ser seguido. í‰ a que traz mais alivio. Não há tela de radar, nem GPS que proporcione a enorme satisfação de se enxergar a primeira tênue piscada do farol ainda longe. í‰ algo real, está ali, aquela luz magní­fica com seus lampejos rápidos, que se originam de um ponto exato, não deixando dúvidas. í‰ o que faz í s vezes o navegante ficar ali estático na proa do seu barco curtindo naquela escuridão, aquilo que o faz sorrir por dentro, aquela luzinha que aparece do nada, como se fosse uma coisa mágica.

 


A história dos faróis de Torres

 

Primeiro Farol de Torres, construí­do em 1912 (FOTO: acervo de Jaime Batista)

A construção do primeiro farol de Torres foi autorizada pelo Ministério da Marinha do Brasil em 1908. A decisão do local, entre outros motivos, levava em consideração a longa distância entre o Farol de Santa Marta (SC) e o de Cidreira (RS), que permeava 222,4 Km, além do trecho perigoso para navegação. Entre os obstáculos, a formação rochosa quase submersa (Recife das Torres), mais conhecida como a Ilha dos Lobos. O primeiro farol veio da França e começou a ser instalado em Torres somente em 1911. Foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 1912. Desse dia em diante a Torre Norte, além de sinalizar aos navegantes, também passou a ter visitação de turistas no iní­cio do empreendimento balnear de José Antí´nio Picoral (a partir de 1915). Surge então o Morro do Farol.
O segundo farol surgiu em consequência da corrosão e queda do primeiro em 1928. Com a urgência de construir outro farol, a Superintendência de Navegação da Marinha encomendou da Suécia um equipamento pré-fabricado de montagem rápida. No centro da torre havia um passadiço proporcionando a faroleiros e turistas terem acesso ao topo onde avistavam navios e paisagens. Somente no iní­cio da década de 1950 é que a torre apresentou grandes problemas na estrutura.
O terceiro farol foi então inaugurado oficialmente em 21 de maio de 1952. Dotado de uma tecnologia náutica mais avançada, se comparada aos dois primeiros, este novo farol foi construí­do sob uma base de concreto armado, muito sólida e apropriada í s condiçíµes do terreno em que foi erguido. Sua desativação ocorreu em 3 de setembro de 1993.
O quarto farol foi construí­do pela Companhia Riograndense de Telecomunicaçíµes (CRT). No dia 3 de setembro, portanto, distante 30m do farol que o antecedeu, esta nova obra foi inaugurada, fazendo com que a epopeia farolí­stica torrense completasse mais de um século de história. Sem o charme e a distinção das três obras anteriores, o atual farol é um sí­mbolo de seu tempo, prático, quase retilí­neo e discrepantemente engajado na monumental paisagem que o circunda.

 

 


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