FORMIGAS

3 de abril de 2010

Abri o computador

 

O que escreveria para um sarau?

 

Teria coragem de dizer que um tapinha não dói para quem sentir prazer com isto?

 

Acho que a gente está se preocupando com o que não interessa.

 

Desviamos o foco.

 

Desviamos muita coisa.

 

Teria que rimar, divertir…

 

Teria que alegrar, sorrir…

 

Estou calmo,

 

Não me façam correr, competir.

 

Bem,

 

Muito prazer,

 

Cá estou.

 

Uma parte de mim leva tudo a sério. í‰ aquela que desafina o coro dos contentes.

 

í‰ aquela que me mata. í‰ o vazio. í‰ um tudo boiando num gigantesco nada.

 

Uma outra parte só dá risadas.

 

 O tempo todo. Acha tudo divertido e, chega a ter ansiedade aguardando o novo acontecimento que pipoca a todo momento.

 

O conjunto de minhas tantas partes está tranqí¼ilo. Já não briga com contradiçíµes.

í‰ a própria.

Sei que é difí­cil encontrar a rima certa.

 

Desafinamos na vida.

 

Desafiamos a vida.

 

Andamos por aí­…

 

No fundo queremos carinho…

 

No fundo precisamos de muito carinho…

 

Queremos ser mimados.

 

Queremos ser amados.

 

Construí­mos cidades, mas, ninguém quer se sentir espremido.

 

Ninguém quer se sentir apertado.

 

Enfim…Andamos por aí­.

 

Habitamos a crosta de um planeta. Apenas isto.

 

Habitamos a crosta de um planeta. Tudo isto!!!

 

í‰ tão bom passear.

 

Mas,

 

Cuidado com as formigas!

 

Estão assistindo a tudo.

 

Estão debaixo de nossos pés.

 

Quem olhou para o céu hoje?

 

Que céu nos olhou no dia de hoje?

 

Quem olha o quê?

 

Estamos olhando para onde?

 

Onde queremos chegar?

 

Aonde chegaremos?

 

Com quantos paus se faz uma canoa?

 

Furada?

 

E,

 

As formiguinhas estão assistindo a tudo.

 

Com respeito,

 

Como era de se esperar.    

 

 


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