Abri o computador
O que escreveria para um sarau?
Teria coragem de dizer que um tapinha não dói para quem sentir prazer com isto?
Acho que a gente está se preocupando com o que não interessa.
Desviamos o foco.
Desviamos muita coisa.
Teria que rimar, divertir…
Teria que alegrar, sorrir…
Estou calmo,
Não me façam correr, competir.
Bem,
Muito prazer,
Cá estou.
Uma parte de mim leva tudo a sério. í‰ aquela que desafina o coro dos contentes.
í‰ aquela que me mata. í‰ o vazio. í‰ um tudo boiando num gigantesco nada.
Uma outra parte só dá risadas.
O tempo todo. Acha tudo divertido e, chega a ter ansiedade aguardando o novo acontecimento que pipoca a todo momento.
O conjunto de minhas tantas partes está tranqí¼ilo. Já não briga com contradiçíµes.
í‰ a própria.
Sei que é difícil encontrar a rima certa.
Desafinamos na vida.
Desafiamos a vida.
Andamos por aí…
No fundo queremos carinho…
No fundo precisamos de muito carinho…
Queremos ser mimados.
Queremos ser amados.
Construímos cidades, mas, ninguém quer se sentir espremido.
Ninguém quer se sentir apertado.
Enfim…Andamos por aí.
Habitamos a crosta de um planeta. Apenas isto.
Habitamos a crosta de um planeta. Tudo isto!!!
í‰ tão bom passear.
Mas,
Cuidado com as formigas!
Estão assistindo a tudo.
Estão debaixo de nossos pés.
Quem olhou para o céu hoje?
Que céu nos olhou no dia de hoje?
Quem olha o quê?
Estamos olhando para onde?
Onde queremos chegar?
Aonde chegaremos?
Com quantos paus se faz uma canoa?
Furada?
E,
As formiguinhas estão assistindo a tudo.
Com respeito,
Como era de se esperar.


