Futuro da RECIVIDA vira tema de discussão ideológica na Cãmara Municipal

30 de abril de 2010

Vereadores do PP querem manter trabalho de lixo orgânico na cidade e prefeitura sinaliza que mandará tudo para Içara

Após uma reunião realizada na prefeitura municipal no iní­cio da tarde da segunda “ feira (26), a discussão, logo após, na sessão da Câmara Municipal dividiu opiniíµes de certa forma ideológicas entre os vereadores, o que é saudável, mas não define se trata de ideologia pura ou de ataques de bandeiras da oposição contra bandeiras da atual administração. Por um lado alguns vereadores aprovam a tendência da municipalidade em mandar cada vez, ais o lixo sujo para Içara e trabalhar na Recivida somente a parte recolhida na Seletiva: o lixo limpo.  

 

 Mas outra corrente, coincidentemente do PP, oposição frontal do governo atual, defende que as atividades da Recivida devem manter o processamento do lixo orgânico aqui, questionam o custo do transporte do mesmo por uma empresa para Içara, e sugerem até a possibilidade de a municipalidade votar a ter um lixão na cidade, se for para baixar custos.  

O vereador Gimi (PMDB), em seu pronunciamento na sessão, explicou que na compreensão sua sobre o futuro da Recivida, a municipalidade acerta ao rechaçar a idéia de manter o lixo orgânico aqui ao invés de mandar para Içara em Santa Catarina como o processo é feito hoje.    

Estamos falando de uma decisão simples, exemplificou Gimi. Devemos escolher se nossa cidade, que é turí­stica e o meio ambiente é fator de alto grau de cuidado, ira querer mandar o lixo que captamos aqui para outro local legalmente licenciado como é hoje; ou se, ao contrário, queremos que a RECIVIDA se torne uma central de tratamento de lixo da região para viabilizar economicamente o processo, disse. Para mim não tem dúvida, e é claro que devemos ser responsáveis e optarmos por ficar longe do lixo, encerrou.  

Gimi fez um histórico do processo e mais uma vez disse que a municipalidade pretende ampliar o trabalho de captação e separação da Coleta Seletiva e deixar o lixo sujo para ir para fora da cidade.  

O vereador Brocca (PP) em seu pronunciamento discordou. Admiro o seu trabalho, vereador Gimi, mas acho difí­cil defender o prefeito neste caso, afirmou. A licença não renovada era provisória, pois contava com investimentos obrigatórios a serem feitos. E o setor do meio ambiente tem dinheiro para projetos em Brasí­lia, que não foi buscado, lembrou. O chorume pode ser captado sem dar problema ao meio ambiente, basta fazer encanamento, disse. Pagamos R$ 6 mil por dia em transporte, e a pesagem é feita de forma perigosa e com difí­cil aferição, disse. O vereador defende que seja revisto o custo do transporte do lixo e falou até em, se necessário, rever o envio para Içara do lixo.

 

   José Ivan defendeu atitude da municipalidade em

respeitar insalubridade e sugere manter a postura

   

Já o vereador José Ivan (PMDB), em seu pronunciamento na sessão da Câmara da última segunda-feira, lembrou que há tempos atrás, as prefeituras recolhiam o lixo e colocava em qualquer local, o que, inclusive, gerava disputas para colocar em terras que queriam melhor adubar, e que este trabalho insalubre foi feito já na administração João Alberto  

Disponho-me a disponibilizar fotos de lixíµes aqui de Torres, nas íguas Claras, disse Ivan. Mas hoje as prefeituras têm responsabilidades perante a insalubridade e í s leis ambientais, que são rí­gidas, continuou o vereador peemedebista.   Antigamente as pessoas brigavam com os urubus pela captura de lixo reciclável nos lixíµes e não temos mais isto, o que se quer é ter um local de trabalho com o lixo seco, da coleta seletiva, encerrou  

A vereadora Professora Lú (PT) em seu espaço sobre o mesmo debate foi conservadora embora defenda a continuidade das atividades da Recivida. O que acho é que temos que entender Recivida como um bem público, afirmou. Não podemos somente nos pautar por uma denúncia, sem provas, que pode ser uma calúnia, feita por um funcionário que foi demitido e parece rebelde, lembrou a vereadora. í‰, sim, de responsabilidade investigar, mas hoje me senti satisfeita com a reunião na prefeitura com os vereadores, mesmo achando curta. A RECIVIDA tem que permanecer aberta e deve receber investimento, continuou. Não defendo o prefeito, mas caso seja feito um processo de acusação, quem vai preso? Por que só agora ela este denunciante apareceu?indagou.

 

 Rogerinho defende a Usina em pleno funcionamento

 e aproveitamento dos investimentos

 lá feitos no governo anterior.

   

 Em seguida, o presidente da casa, vereador Rogerinho (PP), usou também seu espaço e defendeu a manutenção da Recivida e uma gestão mais eficiente do local. Eu saí­ insatisfeito da reunião porque não fui convencido pelas explicaçíµes da municipalidade, falou Rogerinho. Não foi levado em conta os investimentos da prefeitura anterior, que foram pesados e com recursos do governo federal, afirmou o presidente da casa. Quando o prefeito João Alberto assumiu, a licença valia até 2008, disse.   De forma alguma o governo atual poderia dizer que não sabia da licença e seus preâmbulos, e a licença só foi negada porque não foram cumpridas as exigência da FEPAM, afirmou. Não houve interesse da municipalidade em assumir a responsabilidade no processo, acusou.    

O vereador Tiago lembrou sobre o tema em seu pronunciamento que a RECIVIDA nunca funcionou antes do governo atual. Na época já havia processo contra empresas que construí­ram a RECIVIDA. A licença ambiental ia até 2008 e em 26 de setembro deste ano o municí­pio protocolou sua renovação, quando a Fepam , quase um ano após, indeferiu o pedido, exigindo a tal da salsicheira, disse.. E sabemos que esta salsicheira, que serviria para guardar o lixo orgânico, pegou fogo e não se sabe se foi acidental ou criminoso, afirmou. Inclusive na época várias hipóteses foram lançadas, lembrou o vereador que participou do processo como vereador í  época.  

   

A questão é ideológica com dois vieses diferentes

   

A Recivida deverá ser fechada para adaptaçíµes ambientais nos próximos dias para poder, após, operar ao menos com a separação do lixo oriundo da Coleta Seletiva de Lixo, em atividade há quase um ano na cidade. O maior problema são os empregados e associados da Associação dos Catadores de Lixo que trabalha atualmente com a separação do lixo com valor comercial presente no lixo misturado recolhido na cidade. A municipalidade afirmou que está se reunindo com os dirigentes da associação para encaminhar soluçíµes viáveis para os trabalhadores.

 Mas a questão acabou voltando para uma questão ideológica. Uns querem a Usina funcionando como usina na í­ntegra como foi criada no antigo governo Milanês. Outros preferem a terceirização da coleta, separação e envio do lixo sujo, ficando para o municí­pio (e os catadores) somente o lixo seco.    


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