A notícia da semana no RS é a divulgação que o Conselhão do governo estadual fará reuniíµes nas comunidades aonde existem pedágios nas estradas estaduais, buscando o que o governo chama de participação popular nas decisíµes da governadoria. O processo é previsível. Todas as comunidades irão querer estradas sem pedágio e, ao mesmo tempo, a duplicação das vias, o que é saudável, afinal é obrigação do Estado fazer isto.
Mas não é difícil de prever, também, a resposta do governo. Serão negadas parcialmente as duas demandas legítimas das comunidades. E no final se terá pedágio e as duplicaçíµes ficarão para o futuro. Ou, caso as comunidades escolham que querem pedágio, mas exijam, também, a duplicação, os valores serão similares ou maiores do que os atuais. E caso optem por não terem pedágios, as comunidades receberão do governo a notícia que a estrada em voga ficará difícil de receber manutenção í contento.
E a novela que abre o capítulo da participação popular – como saída para o final de seu enredo – pode acabar abrindo a mesma novela a seguir, talvez mudando os protagonistas. O Conselhão e as comunidades irão ser os culpados pelo futuro das estradas. O governo trata de tirar o corpo fora em uma decisão (que deveria ser de governo do Estado), pois é dever dele construir estradas. Recebe o Fundo de Participação Estadual, o FPE, que vem do governo federal, justamente para isto: substituir o papel federal em questíµes de infraestrutura regional.
Esta atitude de Estado no RS estampa mais uma mazela de um governo pesado, inchado, ineficiente e corporativo. Mais uma vez, os governantes fogem do enfrentamento í s mazelas dos altos custos da máquina pública, e terceirizam para a sociedade o dever de mudar algo que só depende do governo para mudar. Não trabalham uma vírgula sequer no sentido de diminuir despesas; não enfrentam a previdência pública e o necessário embate social entre as cúpulas corporativas dos três poderes, no sentido de reestruturar a viciada máquina de remunerar cada vez melhor o topo da pirâmide do executivo, legislativo e judiciário – e sacrificar os menores salários públicos como um todo; enfim, trabalham olhando somente para um lado: o aumento de receitas, geralmente conseguido através do aumento da já extorsiva carga tributária dos brasileiros, principalmente dos gaúchos.
O governo do Rio Grande do Sul é formado por 19 secretarias de Estado e 9 secretarias ligadas a governadoria do Estado; 3 estruturas ligadas ao Gabinete do vice-governador e 6 estruturas ligadas ao Gabinete do Governador. Não enxergamos ultimamente, em nenhum horizonte, após a passagem dos últimos governantes no poder (vindos de todas as frentes políticas do Estado) sequer uma fagulha de espírito de responsabilidade fiscal, no sentido de colocar nossas finanças públicas e naturalmente o plano de cargos e salários dos servidores estaduais, principalmente das cúpulas de todos os poderes, no lugar do tamanho da capacidade e da realidade das receitas ordinárias locais.
Ao contrário, o último governo ainda aumentou o número de secretarias e contratou mais um grande naco de CCs caros para preencher rapidamente o esforço do governo anterior, de Yeda Crusius, que diminuiu despesas caminhando ao menos com a vontade de colocar as finanças locais nos eixos, mesmo que tenha sido sem açíµes efetivas que pudessem conseguir isto com mais eficácia. Exemplos: o fechamento e venda de estatais deficitárias, da venda até de estatais equilibradas para cumprir o papel de investir em infraestrutura local, dentre outros.
Um sindicato. í‰ isto. Os últimos governos estaduais no RS têm se comportando como um sindicato que milita a favor da continuidade do ciclo vicioso de conseguir empregos com salários polpudos para partidos políticos alinhados; e manter o estabelieshment das cúpulas dos três poderes do Estado, remunerando com diferença abismal os chefes e sacrificando a base de serviços essenciais sociais como os da Educação, da Saúde, da Segurança e nos serviços que projetam a infraestrutura local. As colunas de debate sobre os problemas que afunilam o Estado acabam divulgadas em jornais de circulação estadual, repetidamente, tão somente as negociaçíµes salariais milionários entre as corporaçíµes da política e dos servidores estaduais, onde se sabe que sempre serão dados TODOS os benefícios requeridos pela parte demandadora, principalmente também se a "categoria" que pede aumentos for das cúpulas, do judiciário, por exemplo… Por que será?
O Estado milita por um lado afirmando que não tem dinheiro; o outro lado, as corporaçíµes, sempre afirmando que se trata de um dever da sociedade os aumentos…O Estado não mostra vontade de se adequar aos aumentos legais, por exemplo, baixando outras despesas ordinárias… E o que se resulta é o já esperado novo fardo social, que acaba deixando a sociedade sempre quase que obrigada a ceder a mais um aumento de imposto. Portanto, o Estado, a Assembléia Legislativa, o Judiciário, o Ministério Público, a cúpula do CPERGS, a cúpula da Brigada Militar, a cúpula da Polícia Civil, dentre outras cúpulas, brincam de dirigir, mas, no fundo, se comportam como sindicalistas aumentando emprego & renda de servidores í serviço dos partidos políticos, de todas as agremiaçíµes. O Estado e o governo estadual, portanto também, são, no fundo, os líderes maiores de novelas que começam e terminam sempre com o final previsível: a continuidade e o maior sacrifício da sociedade trabalhadora em prol de vantagens aos trabalhadores e dirigentes do setor público.


