EDITORIAL – IMPí‰RIO DISFARí‡ADO DE REPÚBLICA

7 de setembro de 2013

 

Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; Quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influencia, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; Quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifí­cio; Então poderás afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está CONDENADA.

Ayn Rand, uma   escritora e filosofa judia, fugitiva da União Soviética na década de 1920, que militou pela liberdade em todo o mundo.

 

 

 Neste dia 7 de setembro, os brasileiros comemoram a Independência do paí­s. Independência conquistada de direito no século 19. í€ época, os moradores e cidadãos brasileiros queriam fugir do sistema colonial. Queriam poder usufruir da riqueza de seu trabalho sem pagar pedágio í  Portugal. Não cabiam mais na tolerância dos brasileiros colonizados, as pesadas taxas cobradas sobre a produção dos empreendedores locais. E conseguimos. O Grito do Ipiranga promulgou definitivamente a liberdade de nossa nação. í‰ramos um paí­s, mesmo que ainda imperial. Portugal não receberia mais pedágio por sua teórica posse do Brasil.

No final do mesmo século, nosso povo conseguiu avançar mais um pouco em nome da liberdade individual. A proclamação da República transformou-nos de direito em uma nação dividida em federaçíµes. A idéia central era dar mais poder ao cidadão, através de Estados e através de municí­pios independentes. Mas, de lá para cá, as mudanças foram somente no papel. De direito somos, sim, uma República Federativa; mas de fato ainda somos um império, agora dominado por Brasí­lia. E, o que é pior, com uma carga tributária muito mais pesada do que á que dávamos í  Portugal.

Atualmente qualquer brasileiro paga quase metade do que consome e produz para o Planalto Central dividir o bolo. E, deste bolo, somente 10% ficam nos municí­pios, onde moramos, onde trabalhamos, onde plantamos nossas sementes de crescimento pessoal e profissional. 20% ficam para os Estados Federativos e os outros 70% em Brasí­lia. Portanto, somos um império, de fato. Império este que paga caro í  nossa corte.

Nossa última constituição, promulgada em 1988 e chamada de Constituição Cidadã, foi feita com boas intençíµes. Mas os deputados e juristas constituintes esqueceram um pequeno detalhe: fazer contas. Parece que os Constituintes eram muito bons teóricos de legislação em prol de direitos humanos, mas legislaram em nome de uma equação que nunca fecharia. Deram direitos (alguns utópicos) aos simples viventes, que moram nas cidades, mas esqueceram de inverter a matriz tributária, mantendo os tributos em Brasí­lia, para serem divididos como qualquer império o faz: de forma altamente centralizada e ditatorial. E   os constituintes não previram as naturais mazelas que esta equação invertida iriam ocasionar: a submissão obrigatória dos municí­pios e Estados ao poder central. E  a submissão e necessidade de implorar por dinheiro é o primeiro passo para levar almas puras a se posicionarem do lado das almas corrompidas. E é isto que está acontecendo no Brasil.    

A Verdadeira independência representa para os seres a soberania individual. E soberania para um ser humano significa liberdade.  Mas que soberania e esta que o Brasil espera que dá a seus pares de cidadania, que obriga que se trabalhe por quase seis meses para pagar o trabalho dos que dirigem o paí­s? Que soberania é esta, onde nosso governo propaga oficialmente e aos quatro ventos, que somos donos de uma empresa de petróleo, quando nossa gasolina é uma das mais caras do mundo? Que soberania é esta, quando o mesmo governo coloca nas propagandas de TV que os brasileiros são donos de um banco (ou vários bancos), mas os juros e taxas bancárias que pagamos são quase criminosos e iguais aos dos bancos ditos privados? Que soberania é esta que obriga os prefeitos de nossas cidades irem de chapéu na mão a Brasí­lia para mendigar mais leitos em Hospitais, quando este dinheiro mendigado deveria estar nas nossas cidades, onde ficamos doentes? Que soberania é esta que somos obrigados a colaborar com Escolas para que tenham o mí­nimo de dignidade ao lidar com nossos filhos (ou colocá-los em escolas particulares), quando a Educação gratuita e universalizada é base de nossa constituição e Brasí­lia e os Estados federativos não investem sequer o que está constituí­do nas leis para que assim o façam, e nada acontece com os gestores? Que soberania é esta que estampa para nossos jovens que a carreira mais bem remunerada no paí­s é a carreira no serviço público, quando quem produz para pagar os impostos deste serviço público somos nós, simples brasileiros civis e trabalhadores privados?

Definitivamente não temos o que comemorar na data que a história indica que foi promulgada a Independência do Brasil. Somos uma nação que diz que tem Estados federativos autí´nomos, quando não se pode sequer fazer uma lei penal que diferencie um Estado do outro. Somos um paí­s que diz que temos municí­pios independentes, quando, ao contrario, eles são submissos aos Estados federativos, que por sua vez são submissos í  Brasí­lia, submissos ao Império da Ilha da Fantasia chamado Brasí­lia.

Talvez, se as ameaças do povo de ir í s ruas neste 7 de setembro reclamar de seu desconforto em relação a ser brasileiro consiga ser realizada e chame a atenção, aí­ sim possamos ter um ponto a ser comemorado. Mesmo não sabendo muito bem o que reclamar, os brasileiros estão certos. Algo tem de mudar e de forma radical e rápida.

 


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