IMPRENSA: o que serí­amos sem ela?

5 de junho de 2015

 

 Na última segunda-feira, dia 1 ° de junho, comemorou-se o dia da imprensa ( e coincidentemente os 9 anos do jornal A FOLHA em Torres). Data importante para se refletir: como seria a vida sem a imprensa? Como seria viver sem saber o que acontece no mundo? Sem a televisão, o rádio, o jornal impresso e a internet?

 

Por Maiara Raupp

_______________

 

A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça. (¦) Um paí­s de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um paí­s cego e um paí­s miasmado, um paí­s de ideias falsas e sentimentos pervertidos, um paí­s que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os ví­cios, que lhe exploram as instituiçíµes, já resumia o diplomata e polí­tico, Rui Barbosa, há décadas atrás.

A imprensa cumpre um papel social importante de informação í  população, de forma a permitir que o cidadão tenha o conhecimento dos fatos relevantes que atingem a sociedade. E é exatamente isso que afirma a podóloga torrense Andreia Rosa. Eu não imagino como seria minha vida sem os meios de comunicação. Sou apaixonada por televisão. Sempre que tenho um tempo livre fico na frente e me consumo dos conteúdos que ela oferece. Além da TV, a internet também é um meio no qual me informo do que está acontecendo pelo mundo e me aproxima de pessoas distantes. Ela facilita ainda minha vida no trabalho, porque é por meio da internet que entro em contato com minhas clientes, garantiu Andreia. A esteticista destacou ainda que além de transmitir notí­cias, a imprensa tem um papel muito importante, que é a defesa dos direitos humanos. A imprensa é a maior garantia de defesa da liberdade com que conta o cidadão. Denunciando as injustiças que acontecem ou podem acontecer no paí­s e no mundo, finalizou ela.

Considerada também por especialistas como o quarto poder, em razão de exercer grande influência no comportamento humano, a imprensa fiscaliza e consegue manipular a opinião pública. A manipulação da informação tem sido um dos pontos mais discutidos quando o assunto é imprensa. Segundo a torrense, Sandra Silva, no Brasil existe um monopólio midiático controlado por poderosas famí­lias, que acabam usando a imprensa em causa própria. Hoje em dia os jornalistas são reféns das empresas de comunicação. Não informam e nem esclarecem a opinião pública. Omitem fatos importantes de nosso paí­s em detrimento das empresas em que trabalham, afirmou Sandra, acrescentando ainda que, em virtude disso, a grande mí­dia esta sendo engolida pela revolução digital. Chegará um tempo, não muito distante, que a mí­dia, principalmente a impressa, não existirá mais. Acredito que seja por isso que vários paí­ses estão fazendo a regulamentação midiática, completou ela. Para Sandra a imprensa local não está muito diferente. A imprensa de Torres infelizmente esta neste mesmo caminho. Na minha opinião o jornalista tem que noticiar o fato, e a avaliação tem que ser do telespectador ou leitor e não dele, concluiu a leitora.

 

Liberdade de expressão

 

 

Liberdade de expressão é essencial para a prática jornalí­stica de qualidade

 

A liberdade de imprensa ainda é uma exceção no mundo e não uma regra. Existem lí­deres apelando para que governos e grupos não usem da repressão para lidar com a imprensa e insistindo que a democracia apenas pode existir se houver uma liberdade de expressão.

Segundo um levantamento da entidade Freedom House, nos EUA, de cada 100 habitantes do planeta, apenas 14 vivem em paí­ses com liberdade de imprensa, onde jornalistas podem publicar suas histórias sobre polí­tica, corrupção, religião ou qualquer outro assunto sem temerem por sua vida, sem ver seus jornais fecharem ou ter sua liberdade assegurada.

2014 e o iní­cio de 2015 foram marcados por ataques diretos contra a imprensa, seja a decapitação dos jornalistas James Foley e Steven Sotloff pelo Estado Islâmico, ou os ataques contra a revista Charlie Hebdo. Mas os levantamentos revelam que o problema vai muito além.

Entre maio de 2014 e abril de 2015, um total de 148 jornalistas foram assassinados no mundo. Apenas nos quatro primeiro meses do ano, foram 51 assassinatos. A Lí­bia liderou a lista, com oito mortos, contra quatro no Iêmen. Na América Latina, seis jornalistas foram mortos no México, Guatemala e Honduras desde o iní­cio de 2015.

Mas a repressão não se traduz apenas em assassinatos. O ano foi marcado por uma onda de censura na Venezuela, Turquia, Sérvia e dezenas de outros paí­ses. Nos EUA, a situação também dá sinais alarmantes. Em seu informe anual, a entidade Repórteres Sem Fronteira indicou que a liberdade de imprensa nos EUA sofreu uma forte queda, fazendo o paí­s passar do 20 ° lugar em 2010 no ranking mundial para a 49 ª posição. O motivo dessa queda foi o ataque sofrido por jornalistas durante manifestaçíµes, pressíµes contra a imprensa por revelar suas fontes, escutas colocadas em redaçíµes de jornais e o fracasso do governo Obama de aprovar uma lei federal para proteger jornalistas.

Nos recentes protestos em Baltimore, cinco jornalistas foram feridos e muitos outros tiveram seus materiais confiscados ou destruí­dos, segundo o Instituto Poynter. Em maio a Organização das Naçíµes Unidas (ONU) lançou seu alerta: a liberdade da imprensa não é um luxo. í‰ ela que expíµe a injustiça, a corrupção e o abuso de poder.

No Brasil, segundo o futuro jornalista torrense Matheus Reis, ainda não se pode reclamar de tais censuras. Talvez ainda não tenhamos vivido a repressão desta forma. No entanto, mesmo que sejamos ˜livres™, vivemos outro problema que é ter que seguir a linha editorial das empresas em que trabalhamos, o que acaba tirando nossa imparcialidade, não deixa de ser uma coação a liberdade de expressão. Contudo, ainda acredito na possibilidade de uma imprensa de credibilidade. De profissionais sérios. Que não só informam como também mudam a realidade local, concluiu Matheus, que já trabalha na área desde o iní­cio da faculdade.

 

 

Um pouco da história

 

Até o século XV não existia o que hoje chamamos de imprensa. O alemão, João Gutemberg, foi o inventor do processo de impressão com tipos  móveis, e desse aperfeiçoamento nasceu a verdadeira imprensa, que tem se aprimorado até hoje.

O 1 º de junho ficou marcado como o Dia Nacional da Imprensa por ter sido a data em que circulou no paí­s a primeira edição do Correio Braziliense. Esse jornal foi editado pelo brasileiro Hipólito José da Costa, em 1808, durante seu exí­lio em Londres.

O Correio Braziliense, no iní­cio, era uma brochura de 100 páginas, semelhante a um livro. Ele chegou ao Brasil enviado clandestinamente e adotou este formato entre 1808 e 1822, possuindo 29 volumes no total. O jornal reunia notí­cias internacionais e diversos assuntos de interesse da população brasileira. Em 1960, Assis Chateubriand, fundador da cadeia de rádio e jornais Diários Associados, decidiu fazer a impressão do Correio Braziliense em uma segunda fase. O jornal se mantém atuante até hoje com sua versão impressa e online.  

Até 1999, o Dia Nacional da Imprensa era comemorado em 10 de setembro, pois foi a data em que circulou o primeiro número do jornal Gazeta do Rio de Janeiro, sob proteção do governo de D. João VI, com um forte caráter oficial.

 

 

FOTO: Primeira edição do Correio Braziliense: 1 de junho de 1808

 

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados