Leite materno: Um bem essencial í  vida

19 de agosto de 2014
 
A mamãe Vitória com a pequena Antonela  
 
 
Apesar das taxas de aleitamento materno no Brasil crescerem continuamente a cada ano, os valores observados no paí­s ainda são considerados baixos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).  
 
Por Maiara Raupp
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Enquanto a OMS considera ideal que todas as crianças de até 6 meses recebam o leite materno, a última Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde, consolidada em 2008 pelo Ministério da Saúde, apontou que 41% das crianças nessa faixa etária recebiam o peito da mãe.  
Para alavancar essa estatí­stica não só no Brasil, mas em todo o mundo, é realizada anualmente, entre os dias 1 ° e 7 de agosto,  a Semana Mundial de Aleitamento Materno. Criada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, a iniciativa ocorre em mais de 170 paí­ses e faz parte de uma história mundial focada na sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança.
No Brasil, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançou durante a ação em Brasí­lia, a Campanha Nacional de Aleitamento Materno 2014, cujo tema é Amamentação. Um ganho para a vida toda. De acordo com a OMS, o leite materno é capaz de reduzir em 13% as mortes por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos. Mais do que é impedido pela vacinação ou pelo saneamento básico.
 
 

Alimento completo  

 
O leite materno é um alimento completo, de fácil digestão e rico em anticorpos. Possui tudo que o bebê precisa até os 6 meses de idade, não sendo necessário oferecer água, chá e nenhum outro alimento. Possui substâncias que protegem o bebê contra doenças, ajuda o desenvolvimento da face, dentes, fala e respiração. Não existe outro alimento que traga tantos benefí­cios í  saúde de mãe e filho, a curto e longo prazo, afirmou a nutricionista torrense, Gabrieli Monteiro. Segundo ela, há evidências que no longo prazo o leite materno diminui o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. í‰ interessante destacar também que dar de mamar ajuda í s mamães a voltarem ao peso anterior com maior facilidade, ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, reduz o risco de diabetes e do desenvolvimento de câncer de mama e ovário, concluiu Gabrieli.  
A ginecologista e obstetra, Andréia Castro, também é da mesma opinião, mesmo admitindo que não conseguiu amamentar seus dois filhos no perí­odo necessário. A amamentação é importantí­ssima até os 6 meses de forma exclusiva e até os dois anos com introdução de outros alimentos. Ela garante a imunidade do bebê desde as primeiras mamadas, pois os anticorpos maternos são transferidos para a criança.  Além disso, é um momento único para fortalecer o ví­nculo entre mãe e filho, garantiu Andréia.  
A médica, no entanto, também tranquilizou as mães que por um motivo ou outro não conseguem amamentar seus filhos. Hoje em dia as fórmulas infantis para lactantes estão bem completas, fornecendo os nutrientes necessários í  criança. Inclusive existe para todos os tipos de paladar e doenças gástricas que o bebê possa ter como refluxo, intolerâncias alimentares e alergias, informou ela, acrescentando ainda que não vê problemas muito graves em não amamentar. Eu sou mãe de dois filhos. Na primeira gestação só amamentei por 25 dias por vários motivos. Minha frustração foi enorme, ainda mais como obstetra, até que escutei alguém me dizer que nunca viu que alimentar um bebê era fazer mal. E realmente, quando meu filho tomava aquela mamadeira, ele me olhava com adoração e agradecimento por encher a barriguinha dele na hora que pedia". E segundo Andréa, ele cresceu super bem e está um enorme guri, sempre ultrapassando todas as tabelas de crescimento. " Já minha filha amamentei até os 5 meses. Quando comecei a trabalhar, naturalmente meu leite diminuiu. Eu mesma introduzi o leite artificial. Foi uma passagem sem nenhum estresse, explicou Andréia.  
A obstetra contou ainda que, no hospital de Torres, é sempre colocado o bebê em contato com a mãe nas primeiras horas para estimular a descida do leite e conquente amamentação.  Acho lindo quem pode amamentar e sempre estimulamos. Mas infelizmente algumas mulheres produzem menos leite e outras mais, finalizou ela.
 
 

A arte de amamentar

 
Vinculo entre mãe e filh@ se fortalece com amamentalção
 
 
Amamentar não é uma tarefa fácil. De acordo com a enfermeira Ramona de Moraes, as mães que realmente conseguem amamentar têm que estarem dispostas e decididas desde a gestação. Há grande empenho no amamentar. Assim que nasce a gente diz í s mães que é livre demanda. Desta forma os bebês recebem leite quando querem. Como são pequenos, o estí´mago também é, então mamam pouco e muitas vezes. í‰ praticamente o dia todo no peito, inclusive durante a madrugada. í‰ bem desgastaste para a mãe, porque além de dar de amamentar, tem que trocar fralda, fazer arrotar. Entre essas atividades, se dá um cochilo. Como é um ritmo intenso e cansativo e a mãe não consegue fazer mais nada além disso, muitas desistem, descreveu Ramona, destacando ainda os problemas como fissuras nos mamilos e falta de rede de apoio como outros motivos da desistência. í‰ preciso conscientizar a sociedade de que, apesar do aleitamento materno ser um ato natural, o hábito precisa de apoio de todos “ famí­lia, profissionais de saúde e empregadores, ressaltou ela.  
Ramona, que também é mãe e amamentou sua filha até os 6 meses, também passou por dificuldades ao amamentar. No iní­cio não é fácil. Machuca a mama e eu me sentia insegura sem saber se ela estava ganhando peso, se o leite era suficiente. Mas é muito bom também! Além de alimentar a criança com todos os nutrientes que precisa, o aleitamento materno intensifica o ví­nculo entre mãe e bebê, afirmou ela.  
Para conseguir amamentar as mães precisam também de uma alimentação saudável e de muita tranquilidade, conforme orienta a nutricionista especialista em nutri materno infantil, Rafaela Macedo. As mães devem manter um momento exclusivo e calmo para amamentar, possibilitando a criação do ví­nculo. A pegada do recém nascido na mama deve estar confortável para a mãe. Ela deve permanecer bem alimentada, fazendo cerca de 6 refeiçíµes ao dia, hidratando- se de forma correta com cerca de 3 litros de água diariamente. Estar bem alimentada, bem hidratada, com estí­mulo í s mamas e tranquila, aumenta as chances de a mãe produzir um volume de leite adequado ao recém nascido. Como o organismo materno está com uma demanda energética muito acentuada em função do volume de leite produzido, é importante que a mãe não estabeleça nenhuma dieta restritiva neste perí­odo, mas sim que mantenha uma alimentação equilibrada e saudável, garantiu a especialista, destacando ainda que nenhum alimento tem necessidade de proibição, mas é importante que a mãe controle as porçíµes consumidas e a frequência de consumo.
 
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 Eu consegui!

 
 
Mesmo que seja um desafio amamentar, existem muitas mães que fazem de tudo e não medem esforços para levar esse bem natural ao seu filho. Confira abaixo alguns depoimentos de mães torrenses que amamentaram e ainda amamentam seus filhos.
 
 
 
Helen Maciel, mãe do Caio, com 6 meses de vida – FOTO ACIMA (crédito de Claudia Cardeal e Tales Teixeira Fotografia) “ Me sinto muito feliz hoje por conseguir amamentar o meu filho, pois sei que muitas mães querem, porém não conseguem. Saí­ da maternidade e ainda não tinha leite. A orientação que recebi na maternidade é que não era para eu me preocupar, pois o leite desceria e quanto mais eu colocasse o Caio para sugar, mais seria estimulada a produção de leite. O Caio nasceu na quarta-feira í  noite e meu leite desceu no sábado pela manhã. Na maternidade ele chorou de fome. Então foi dado um pouquinho de leite em pó. Tive dificuldades para amamentar o meu filho. Senti muita dor, chorei e cheguei í  conclusão de que não estava normal, porém nunca pensei em desistir de amamentar. Com o passar dos dias, eu e o Caio fomos nos conhecendo mais e com a ajuda de um bico de silicone comecei a amamentar sem dor. Hoje ele está prestes a completar 6 meses e continua mamando no peito.

Vitória Ruarte, mãe de Antonela, com 6 meses de vida “ Vejo muitas mães novas, assim como eu, negando e tirando o leite materno do seu filho. Não sei se é por preguiça ou por "falta de tempo", mas acredito que para isso sempre deve-se dar um jeito. Tem tantas mães querendo ter leite e não conseguindo. Já que eu consigo, porque não daria? Na minha opinião, a amamentação contribui muito na relação mãe e filho, pois é um momento único onde temos um tempo só nosso de muita afetividade e carinho. A sensação é ótima ainda mais sabendo os benefí­cios que o leite tem para o nosso bebê. Vejo a diferença nos bebês que mamam para os que tomam leite em pó. Os que mamam são muito mais fortes e para pegar gripe, por exemplo, é mais difí­cil. Acho a amamentação muito importante e acredito que, por ser tão essencial, deveria ter mais fontes (notí­cias ou reportagens) sobre amamentação para as mamães de primeira viajem, assim como eu. Recebi orientaçíµes da minha mãe e um pouco da minha médica, que me mostraram a importância de amamentar.
   
 
Juliana Soares, mãe do Lorenzo, com 4 anos de vida (FOTO ACIMA) “ A sensação de amamentar é incrí­vel e indescrití­vel. í‰ um amor que não existe igual. A maior aproximação entre duas pessoas no mundo. Por várias vezes, me pegava chorando, emocionada demais com aquele momento tão nosso. Parecia que o mundo parava. Recebi muitas orientaçíµes sobre a amamentação já na gravidez, palavras como "tenha uma alimentação saudável; procure um local calmo e tranquilo; mãe e bebê devem estar confortáveis; lave bem as mãos antes; procure amamentar sentada, assim evita que o bebê se afogue", e por aí­ vai… Mas por fim, me preocupava tanto antes, que quando o Lorenzo nasceu a amamentação foi bem mais tranquila do que eu pensava. Acho que quando nasce um bebê, o dom e instinto materno nascem juntos. í‰ incrí­vel. Pra mim, era tão prazeroso, que não me importava com nada e nem ninguém.

 

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