LEMBRANí‡AS DO BELVEDERE

14 de agosto de 2014

 

Roni Dalpiaz

Mestre em Marketing, Administrador e Turismólogo.

e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

 

 

Há tempos venho pensando em como escrever sobre uma boa lembrança da minha infância e um marco  de nossa Torres  esquecido e marginalizado  (pelo menos nos últimos trinta e poucos anos): O Belvedere.

 

Belvedere em italiano quer dizer mirante, mirador ou observatório. Terraço no alto de um morro e de onde se descortina um belo panorama.  Na minha lembrança vejo um amplo espelho d ´água com uma grande quantidade de peixes coloridos. No meio deste espelho d ´agua um obelisco demarca o local como uma grande flecha cravada na água.

 

No ano de 1967 desceu na praça da prainha um helicóptero, e nele estava o então presidente da República do Brasil, o General Costa e Silva. De lá, o presidente se deslocou para uma clareira as margens da BR 101, próximo onde hoje está o posto Belvedere. No percurso alunos das escolas do municí­pio o saudavam com acenos de bandeirinhas do Brasil. (eu não estava nesta, mas estava na chegada do presidente Médici em setenta e poucos. Que mania que eles tinham de colocar os estudantes fazendo isso naquele tempo!).

 

Nesta data seria inaugurada parte da BR 101 entre Torres e Osório.

 

Houve uma grande preparação para este evento significativo para o estado e para o paí­s. Bondosa quantidade de carne foi assada e oferecida aos convidados e a população que lá assistiu a inauguração.

 

Meu pai foi o responsável por trazer, de caminhão de Capão da Canoa, o chope (da Brahma) que seria consumido na festa. Diz ele que foi escoltado por batedores durante todo o trajeto, visto a importância da carga. Era uma multidão, e pelo que se sabe faminta e sedenta, pois não sobrou nada do caminhão de chope que teve que ser reforçado com caixas de cerveja adquiridas na cidade.

 

                      Após a inauguração o Belvedere passou a ser um local procurado pelos torrenses. Geralmente aos fins de semana as famí­lias torrenses costumavam ir até lá para olhar a BR 101, a mata atlântica, fazer piquenique ou apenas admirar a novidade. Essa prática perdurou por muitos anos até o lugar ser ocupado por uma zona do meretrí­cio. Esta atividade, mais tarde, também foi substituí­da (ao que parece) e atualmente existe um restaurante e parador para caminhoneiros. A cidade virou as costas para o velho Belvedere.

Bem, são lembranças que í s vezes submergem empurradas por memórias emprestadas.

Acredito que o Belvedere ainda esteja na memória de uma boa parte dos torrenses. Quem tiver mais informaçíµes me envie e quem sabe poderá suscitar uma nova crí´nica.

 

 Fonte: Memórias emprestadas pelo meu pai, Lerio Dalpiaz e pelo seu Silvio B. Costa cliente da minha galeria de arte (Cenart “ Artes e Molduras).

 

 


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