Liberação do jogo

9 de abril de 2010

Um dos temas com alto viés ideológico e polemico que está em fase de novas discussíµes no Congresso Nacional é a questão da liberação dos jogos de azar. Atualmente está em fase de análise especificamente a reabertura dos Bingos, já permitido no Brasil e proibido em 2003, logo após a entrada no poder do governo Lula. Nesta semana, na Zero Hora do último domingo, um promotor público defendeu a continuidade da proibição dos Bingos e das Máquinas Caça Ní­queis. Seu argumento foi o ví­cio que esta jogatina causa a algumas pessoas, que destrói lares e patrimí´nios, além da alegada forma de limpeza de dinheiro que a atividade proporcionaria para o sistema econí´mico e fiscal nacional. Nesta mesma semana que passou, a Caixa Federal divulgou com ufanismo que foi recorde a arrecadação de 2009 nas loterias gerenciadas pela estatal. Atualmente existem jogos para todos os dias, gostos e bolsos. Não há restriçíµes financeiras para os jogos, que são, afinal, um jogo do bicho legalizado.  

 A questão, portanto, fica colocada de forma antagí´nica. Por um lado o governo proí­be jogos, inclusive Bingos e Caça Ní­queis, uma diversão de vários brasileiros que lhes foi tirada nos últimos anos. Por outro, a Caixa vê no jogo de suas loterias uma unidade de negócios com viés extremamente capitalista, não olhando de nenhuma forma para qualquer mazela que o jogo estaria causando aos jogadores dos sorteios mais do que diários que são promovidos.   Ao contrário, percorre seu caminhão por cidades do Brasil onde realiza sorteios e coloca servidores contratados na cidade para vender os jogos como cambistas vendem ingressos em entrada de jogo de futebol.  

Na vocação de um governo moderno, não deveria constar na tarefa de governar a de se transformar em babá das famí­lias e dos adultos da nação. Proibir o jogo indiscriminadamente, em todo o território nacional, com a justificativa de tirar das pessoas a tentação do vicio não seria de forma alguma uma atitude coletiva, muito menos em um paí­s onde drogas lí­citas são vendidas em qualquer bar e. Muito menos e mais sério ainda, num paí­s onde o próprio governo promove jogos de azar, vendo na atividade uma forma de capitalização de uma de suas empresas.  

Cidades turí­sticas sazonais como Torres, por exemplo, teriam o perfil adequado para serem sedes de cassinos e outros jogos como acontece nos EUA com Las Vegas. A cidade americana foi transformada de uma aldeia perdida no meio do deserto em uma ilha de turismo com visitantes de todo o mundo, onde passeios pela região, gastronomia, shows e City Turs pela cidade acontecem paralelamente, para que os visitantes não vejam por lá somente uma cidade para jogar.  

O ví­cio existe e está dentro de uma pessoa. As que têm tendência a jogar compulsivamente jogam nos jogos que existem. Caso não tivessem jogos,  eles se viciariam em outra coisa para suprir sua ânsia interna por satisfação e prazer acima da média das pessoas consideradas normais.

   Um paí­s com o deficit de emprego e renda como o Brasil e um Estado com um litoral sazonal como o nosso Rio Grande do Sul mereceriam que, em algumas cidades com este comportamento, fosse liberado por lei o funcionamento de jogos de azar. Mas, antes disto, o governo e a sociedade devem entender que se trata de hipocrisia proibir jogo onde o próprio governo é uma das maiores bancas de jogos do mundo.


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados