Lixo em Torres: da geração ao descarte irregular

17 de fevereiro de 2016


írea no parque do Balonismo: Lixão improvisado

O lixo é um dos piores problemas ambientais que o mundo sofre nos dias de hoje. Desde a exacerbada produção até o destino irregular, tanto da população quanto dos órgãos públicos, só vem a agravar a situação. Estimativas revelam que a quantidade de lixo produzido no mundo será 70% maior em 2030. E a pergunta é: onde vamos parar?

Por Maiara Raupp
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O lixo mundial deve ter um aumento de 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhíµes de toneladas anuais até o ano de 2025, segundo o Programa das Naçíµes Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Para os especialistas da entidade, a gestão dos resí­duos e o descarte correto de materiais se torna cada dia mais imprescindí­vel para que o mundo caminhe para um desenvolvimento sustentável.

A gestão incorreta dos resí­duos pode causar grandes danos í  população. Necessidades básicas dos seres humanos, como água limpa e segurança alimentar podem estar sob ameaça por conta de práticas impróprias na gestão de resí­duos. Isso porque, de acordo com as estimativas, a classe média mundial terá crescido de 2 bilhíµes para quase 5 bilhíµes, e com ela, os efeitos de hábitos de consumo – a considerar os atualmente praticados, irracionalmente nocivos ao meio ambiente.

Para intensificar o problema, o sistema de coleta e reaproveitamento de lixo é um dos serviços públicos mais caros em todo o mundo, conforme o Pnuma. No entanto, há possibilidades de avanço. O diretor do Centro Internacional de Tecnologia Ambiental (IETC), também ligado ao Pnuma, Matthew Gubb, informou que se a questão for tratada de forma correta, a gestão de resí­duos tem enorme potencial para transformar problemas em soluçíµes e "liderar o caminho para o desenvolvimento sustentável" por meio da recuperação e reutilização de recursos valiosos. Em outras palavras, o aproveitamento econí´mico dos resí­duos pode ser o caminho.

Como anda a gestão de resí­duos em Torres?
Ao fazer uma visita aos principais lixíµes da cidade é possí­vel flagrar que a situação é um tanto grave. Há descartes irregulares de materiais, inclusive de resí­duos poluentes. Conforme apontou um relatório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), encaminhado ao municí­pio, í  Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e ao Ministério Público, no lixão do bairro Getúlio Vargas foi constatado o recebimento de produtos de MDF, originados de restos de móveis. Segundo informaçíµes de servidores que trabalham no local o produto é destinado para a área da Recivida e colocado em um lixão há cerca de 5km.  
Em visita a Recivida, espaço destinado ao gerenciamento, separação e tratamento dos resí­duos sólidos para reciclagem – localizado a cerca de 1200 metros do Parque Estadual de Itapeva, no interior da Zona de Amortecimento da Unidade de Conservação – foi constatado pelos fiscais da SEMA resí­duos urbanos, incluindo materiais como o MDF, latas com restos de tintas, isopor, pneus, plásticos, pet, resí­duos eletrí´nicos, gesso, entre outros, caracterizando um lixão a céu aberto. Foi observado ainda servidores municipais operando uma retroescavadeira para afastamento dos resí­duos com o objetivo de passagem de veí­culos. Também foi observado caminhíµes do municí­pio descarregando restos de galhos de podas de árvores junto aos demais resí­duos, misturando aos resí­duos poluentes o que poderia ser transformado em matéria orgânica. Foram constatados ainda veí­culos particulares descarregando materiais como resto de tintas, isopor, gesso. "Ao serem abordados, informaram que haviam sido autorizados por um servidor do municí­pio, apontou o relatório.
Considerando 1) a falta de licenciamento para descarte de resí­duos sólidos/urbanos e ou aterro sanitário para o local;  2) o depósito de resí­duos sólidos, inclusive resí­duos poluentes; 3) o local estar situado em zona de amortecimento do Parque Estadual de Itapeva, onde todas as atividades voltadas ao meio ambiente ou que possa causar impactos a Unidade de Conservação devem ser previamente autorizadas pela administração do Parque, o que não foi; 4) além de considerar que o municí­pio tem ciência e faz uso do local para descarte de resí­duos sólidos/urbanos, inclusive de materiais poluentes; o relatório concluiu que   o descarte de resí­duos sólidos urbanos nestes locais (Recivida e Lixão do Getúlio Vargas), inclusive de materiais poluentes é clandestino e apresenta caracterí­stica de lixão a céu aberto, causando impacto negativo ao meio ambiente e afetando a conservação da biodiversidade do Parque Estadual de Itapeva.
Com o resultado desse relatório, a Fepam já esteve no local e deverá autuar o municí­pio e exigir a recuperação da área.


FOTO: Espaço do Recivida terá   que passar por melhorias para recebimento de resí­duos  

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 O outro lado da moeda: Prefeitura explica LIXí•ES

Em contato com a diretora de desenvolvimento sustentável da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Gizelani Guazelli, ela afirmou que essa situação dos lixíµes já é caso de polí­cia e que alguns apontamentos do relatório são surpresa para ela, no entanto as medidas já estão sendo tomadas para reverter esse quadro.  
Com relação ao depósito de lixo no terreno próximo ao Parque do Balonismo a diretora explicou que na gestão anterior (até final de 2012), os carroceiros colocavam os resí­duos na área logo atrás da pista de motocross. Fizemos várias reuniíµes com eles na tentativa de organizá-los em um associação ou cooperativa e fazer com que entendessem que este modo de operação não poderia continuar. Partimos  em busca de um local em que fosse possí­vel armazenar este material temporariamente e de forma organizada para que pudéssemos destinar adequadamente estes resí­duos, pois a maioria é passí­vel de aproveitamento (madeira, caliça, restos de poda, etc.). Alguns carroceiros e pequenos transportadores aderiram ao projeto e a área está em fase final de licenciamento. Mas o problema é que muitos carroceiros continuam clandestinos,  garantiu Gizelani.
A diretora contou ainda que o local onde depositavam anteriormente foi cercado, colocado uma   corrente fechando a entrada e uma placa alertando sobre a proibição de deposição de resí­duos no local. Foi inútil, desapareceram com a corrente e com a placa e desrespeitaram os alertas, disse ela, acrescentando ainda que foram feitos mutiríµes com caminhíµes da prefeitura e a equipe de coletores para limpeza e implantação do Projeto de Recuperação (PRADE) da área. Desde então, a deposição de resí­duos tem sido feita na rua paralela, contí­gua a antiga área, de forma clandestina e ilegal. Já agendamos açíµes de coibição desta atividade juntamente com a Patrulha Ambiental, mas não tivemos sucesso. Infelizmente a Prefeitura não tem poder de polí­cia, nem contingente para manter a área sob vigilância, então o que faremos será novo mutirão para limpeza e colocação de novas placas para tentar amenizar o problema, além de continuar a educação ambiental e a conscientização para adesão do Projeto Sempre Limpa, informou Gizelani.


FOTO: Caminhão na Recivida

 

PROVIDíŠNCIAS NA RecividaCom relação ao relatório enviado pela SEMA, a diretora afirmou ter ficado surpresa ao saber de várias coisas como a deposição de material por caminhíµes particulares. A Recivida está licenciada para receber material reciclável e nosso funcionário pelo jeito não está sabendo diferenciar bem as coisas, ressaltou ela, explicando ainda um equí­voco do relatório. No documento consta a deposição de gesso e o consideraram poluente, quando na verdade, este material foi retirado da classe C (poluente) para classe B (reciclável) faz alguns anos, esclareceu Gizelani.
A especialista informou ainda que após o recebimento do relatório, a equipe responsável da Secretaria Municipal de Meio Ambiente se reuniu para tomar algumas providências. Dentre elas estão:  

– Os portíµes serão fechados, permitindo a entrada somente de veí­culos autorizados. Isto eu venho pedindo desde que entrei nesta pasta, mas infelizmente não foi efetuado devido ao uso que os moradores do entorno fazem como um atalho para suas casas, mas dessa vez acredito que não terá como manter aberto, falou a diretora.
– Serão contratados seguranças exclusivos para o local. Hoje ainda é precária a segurança no local, apesar de ter vigilantes í  noite, durante o dia o local fica um pouco desguarnecido, pois é uma área grande, ressaltou Gizelani.
– No local onde estão depositados os materiais irregulares será feita uma triagem pelo pessoal da cooperativa e o restante será levado para locais adequados;
– Os veí­culos que precisarem descartar materiais lá serão cadastrados na Secretaria e serão feitos relatórios dos materiais que são colocados lá.  
 

Lixão da Recivida pegou fogo
Na noite do último domingo, dia 7 de fevereiro, o lixão próximo í  Recivida pegou fogo. De acordo com Gizelani um funcionário informou que colocaram fogo no local. Ele chamou os bombeiros mas não foi atendido. Ele conseguiu controlar o foco do incêndio com a máquina, mas foi notificado pela Patram, concluiu a diretora.  

 


írea de triagem no bairro Getúlio Vargas
 

Com relação ao lixão do bairro Getúlio Vargas, a diretora informou que há um projeto a ser aplicado para o manejo dos resí­duos da construção civil e implantação de um viveiro e horta comunitária, que está no aguardo de licenciamento. O projeto visa normatizar o descarte de materiais provenientes da Construção Civil e galhos de podas, hoje basicamente transportados por veí­culos de tração animal e pequenos veí­culos motorizados. Para isso é necessário adequar e equipar um espaço onde possa ser separado e destinado corretamente e para tanto, temos como ajuste para essas necessidades, equipamentos adquiridos através do Convênio com a FUNASA em cumprimento com a Polí­tica Nacional de Resí­duos Sólidos, completou Gizelani.

 


Projeto para triagem de resí­duos no bairro Getúlio Vargas

 

 


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