Maioria dos estrangeiros que participaram da Rio+20 quer voltar ao Brasil

8 de julho de 2012

 

Pesquisa encomendada pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) mostra que a maioria dos estrangeiros que participaram da Conferência das Naçíµes Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, quer voltar ao Brasil. Foram ouvidas 228 pessoas “ 101 jornalistas de 42 paí­ses e 127 representantes de delegaçíµes de 33 paí­ses “ que estiveram na conferência, realizada no mês passado no Rio de Janeiro.

A quase totalidade (97%) dos entrevistados quer voltar ao Brasil e mais da metade (cerca de 60%) voltou para casa com melhor opinião sobre o paí­s.

A pesquisa confirma o acerto em determinadas estratégias. Abrimos para um público novo no Brasil [54% estavam visitando pela primeira vez o paí­s], disse o presidente da Embratur, Flávio Dino. Para ele, o desejo de voltar ao Brasil mostra acertos de organização.

Para metade dos entrevistados, a personalidade dos brasileiros é o principal "atrativo turí­stico" do paí­s. Em segundo lugar ficaram as belezas naturais (35%) e, em terceiro, a hospitalidade brasileira (18%).

Enquanto, para 36% dos entrevistados a visita superou as expectativas iniciais, 4% disseram que a impressão sobre o Brasil foi pior do que quando chegaram ao paí­s. Entre os aspectos negativos apontados por jornalistas e delegaçíµes estrangeiras, os preços dos produtos e serviços concentraram o maior número de reclamaçíµes.

í€s vésperas do evento, os valores cobrados pela hospedagem no Rio de Janeiro atingiram ní­veis preocupantes, o que resultou em negociaçíµes entre o governo e o setor hoteleiro. Os acordos chegaram a fixar uma redução de até 60% nos custos de hospedagem de delegaçíµes de outros paí­ses.

A pesquisa mostra a necessidade de ampliação da rede hoteleira e de adoção de medidas como a desoneração [na rede hoteleira, a desoneração entra em vigor a partir de agosto]. Ao governo cabe propiciar boas condiçíµes gerais, mas o setor privado deve assegurar mais investimentos e preços justos, disse Dino.

No entanto, a reclamação sobre os preços não se restringiu aos valores cobrados pelos hotéis. Durante o evento, o preço dos alimentos e das bebidas chamou a atenção de representantes brasileiros e estrangeiros. No Riocentro, onde estavam concentradas as negociaçíµes em torno do documento final da Rio+20, uma lata de refrigerante ou uma garrafa de água custava R$ 5. O valor das refeiçíµes girava em torno de R$ 35.

Além desse aspecto, os entrevistados estrangeiros também criticaram o trânsito da cidade e os serviços de telefonia e internet. Para Dino, na relação sobre pontos negativos não houve surpresas. O presidente da Embratur acredita que o paí­s estará mais bem preparado para os próximos megaeventos, como a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olí­mpicos, em 2016, no Rio de Janeiro.

Temos hoje um trabalho muito intenso e está tudo em andamento, como o novo marco de concessão de aeroportos e investimentos em mobilidade urbana. Temos tempo suficiciente, mas a pesquisa confirma que temos que avançar muito, destacou o presidente da Embratur.

Mais de 50% dos entrevistados concordam que o paí­s está no caminho certo para sediar eventos como a Copa e os Jogos Olí­mpicos. Apesar disso, 37% deles disseram que não voltarão ao paí­s para tais competiçíµes. O público de uma conferência como a Rio+20 é distinto de um público de Copa do Mundo, avaliou Dino.

Para ele, a visão da maior parte dos estrangeiros sobre a capacidade do paí­s nesse quesito é promissora. Os mais de 50% que acreditam [na preparação do paí­s para os megaeventos] é estimulante para o setor público", acrescentou Flávio Dino. Ele disse esperar que o setor privado leve isso em consideração para planejar novos investimentos.


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