Século XXI, ano X d.c. Incrível a persistência de certas distorçíµes vindas do passado cumulativo, e prosseguem causando, além de sofrimentos, outras consequências negativas no universo social e ambiental. São danos que se espraiam, sem limites e fronteiras, no Planeta Hospício-Circo globalizado. Há uma empenho, dos humanóides, em legitimar este título degradante atribuído por nós í velha Terra. São condutas decorrentes dos usos e costumes, na maioria grotescos e chocantes. Pedindo desculpas pelo eco em ão, vamos pinçar a banalização do velho e gasto substantivo tradição. Nós, latinos, por qualquer dê-cá-uma-paia, elevamos, alto e bom som, qualquer factóide í categoria de fato tradicional. No Reino-Unido (chamado de Inglaterra), uma tradição = 50 anos; aqui = a 5.
São frequentes as parelhas tradição com a quebra das leis, do bom senso, dos bons costumes e, principalmente do ridículo. Vamos ter que sublinhar os exemplos que se seguem. Acompanhem os crudelíssimos trotes, aplicados com toda a carga de sadomasoquismo, a título de boas vindas aos bixos das universidades. Ali, do outro lado do rio, temos a tradicional farra-do-boi catarina, uma imitação grotesca das selvagens touradas espanholas. Esta farra expressa tudo aquilo de que o brasileiro gosta: o duplo prazer da desobediência civil, aliado a uma pesada dose de crueldade contra o animal. Trata-se de uma tradição expressamente proibida. A gaucholândia, por sua vez, se mostra especialmente fértil no cultivo de tradiçíµes antagí´nicas, com destaque para o amor-bandido peão-cavalo. A competição freio-de-ouro, por exemplo, é muito cruel. O ginete deveria usar, também, um buçal na boca, para legitimar aquela boçalidade.
SOBROU CACíCA, FALTOU MULA
Subitamente, o Rio Grande gaudério se vê acometido de um surto de auto-crítica. Tem a ver com a merdificação anual de mais de 200 quilí´metros de praia. í‰ a cavalgada na areia, bem naquela faixa destinada aos banhos de mar. Mais uma judiação contra os cavalos e mais uma agressão contra o ambiente costeiro, já duramente degradado.
Muy amigo do seu pingo, o gaucho costuma atribuir a ele parte de suas virtudes varonis. (Esta saiu do fundo do baú!…) Não leva em conta, que se trata de um veículo de curta autonomia. Não deve ser forçado a lidas e viagens distantes. Nada além da lida nas invernadas em volta do galpão. Para longo curso, existem os híbridos, cruzamento jumento + égua. O resultado são os burros e mulas. Estas sim, por alguma razão, passaram í historia como as desbravadoras tropas de mulas.
grlacerd@terra.com.br


