í“culos escuros: proteção ou risco

5 de fevereiro de 2010

 

Por Guile Rocha

   

Para muitos, o verão é a época de descansar e aproveitar a praia, gozando de todas as maravilhas que o mar, as belezas naturais e o sol propiciam tão harmoniosamente em Torres durante a estação do calor. Esta também é a época em que os raios ultra-violeta têm uma maior incidência, o que faz aumentar a preocupação com proteção solar. E não é apenas a pele que precisa de proteção: os olhos também precisam ser poupados, e para isso a importância de utilizar óculos escuros. Com a proliferação do mercado informal, este produto tornou-se acessí­vel a maioria da população, porém, mesmo com varias campanhas de saúde desenvolvidas, ainda é latente que muitas pessoas não tem consciência do perigo de usar óculos escuros sem proteção UV.

     

O ambulante informal

     

Sérgio (o nome foi alterado para preservar a identidade) é mais um entre os tantos vendedores ambulante do litoral gaúcho. Há 11 anos partiu do pobre municí­pio de Patos, no árido sertão pernambucano, para tentar a sorte nas terras mais desenvolvidas do sul sobtropical. Neste ano, o ambulante perambula na beira das praias de Torres vendendo seus óculos de sol, presos a uma velha prancha de bodyboard improvisada como mostrador. Os itens são imitaçíµes de marcas internacionalmente renomadas, com a diferença de que o produto falsificado sai em média por apenas 10% do preço do original, custando entre 15 e 30 reais nas mãos de Sérgio. O vendedor explica que compra os óculos por atacado em centros populares de São Paulo, e as grandes quantidades fazem com que a mercadoria tenha um preço mais em conta.

 

Porém, por trás destes preços aparentemente irresistí­veis, há também um risco ao qual o comprador descuidado de uma destas imitaçíµes de óculos acaba se expondo. Fabricados sem regulamentação adequada e sem dispor qualquer garantia ao consumidor, é impossí­vel saber se o produto preenche os requisitos para proteger a visão de quem usa. Segundo Sérgio, todos os seus óculos possuem lentes com proteção contra raios ultra-violeta equivalentes a 40% da encontrada nas lentes originais, mas ele admite não ter como confirmar a informação.  Compramos um para tirar a prova. O vendedor sabe que, pela falta de procedência adequada do seu produto, desempenha uma atividade ilegal, e que portanto se encontra vulnerável a ação da fiscalização, mas parece disposto a correr o risco em troca do dinheiro extra proveniente do verão. Afinal, vendendo cerca de 20 óculos todos os dias e até 40 nos finais de semana e feriados, Sérgio consegue arrecadar um bom pé-de-meia para subsistir com mais dignidade durante os longos meses do inverno.    

     

A precaução contra irregularidades

     

Em tempos aonde os cuidados com a estética vem crescendo numa ascendente vertiginosa, os óculos solares acabaram se tornando mais um acessório de moda que propriamente uma proteção ocular. Entretanto, o uso de óculos escuros sem a proteção adequada pode causar severos danos a vista, e ainda por cima seus baixos preços apenas são possí­veis pelo fato destes itens não serem fiscalizados ou taxados. Leandro Couto, técnico da í“ptica Nova, lamenta a concorrência desleal frente aos baixos preços dos óculos piratas, indicando que a venda deste produto sem procedência em Torres não se restringe apenas aos camelí´s e ambulantes. Lojas de vestuário que deveriam pagar alvarás e impostos para vender sua mercadoria também estão comercializando óculos falsificados. Isso acontece porque, infelizmente, não há uma fiscalização adequada da prefeitura ou promotoria pública, possibilitado que qualquer um cometa uma irregularidade impunemente.  

 

Além disso, ele lembra que no ano de 2008 foi sancionada a lei   n º 12903, de autoria do deputado Berfran Rosado, que regulamenta o comércio de óculos no estado, determinando que para vender o produto um estabelecimento necessita de um profissional técnico especializado em óptica, assim como estar devidamente registrados na vigilância sanitária. A ótica tem profissionais com a credibilidade necessária para saber se o material utilizado na confecção do óculos é realmente de boa qualidade. Infelizmente esta lei não está sedo cumprida no papel. í‰ difí­cil uma loja não especializada saber o quanto de raio solar é bloqueado pela lente falsificada, a não ser que ela possua o equipamento adequado para fazer a medição,  indica o técnico.

 

O UVimetro é o aparelho que mede o ní­vel de proteção dos óculos contra os raios ultravioleta (UVA, UVB e UVC), e deve estar presente em todas as óticas devidamente regulamentadas e autorizadas. Trata-se de um teste simples e rápido, que, juntamente com o selo do Inmetro, garante a qualidade das lentes do acessório.   Fizemos o teste com o óculos vendido na beira da praia pelo ambulante Sérgio. Medido em nanorads, comprovou-se que, como afirmara Sérgio, as lentes possuí­am um bloqueio equivalente a 40% contra os raios UV. Porém, engana-se quem pensa que isto significa uma proteção. Quando se utilizam óculos escuros, a pelí­cula negra faz com que haja um conforto na  retina, que se dilata,   e sem um filtro que tenha uma proteção total contra os raios UV, cria-se um conforto irreal que expíµe ainda mais a retina aos efeitos nocivos do sol. Assim, um óculos   sem a proteção adequada prejudica mais que ajuda na prevenção contra os raios UV, conclui Leandro.

 

     

O alerta do oftalmologista

 

 

        Ficar em contato com o sol utilizando óculos de material inadequado pode ocasionar, caso a pessoa tenha alguma pré-disposição, doenças graves aos olhos. Na praia estes perigos se tornam ainda maiores, já que a reflexão dos raios de sol na areia clara aumenta em até 30% a incidência dos raios UV. De acordo com o oftalmologista Hilton Couto, há apenas dois tipos de óculos escuros: aqueles que protegem e os que prejudicam. í‰ preferí­vel para a saúde não usar nenhum óculos ao invés de óculos com lentes inadequadas, já que as lentes destes acessórios falsificados muitas vezes são apenas plástico com coloração enegrecidas.

        O oftalmologista alerta para as doenças mais comuns que podem ser causadas ou agravadas pela incisão de raios UV nos olhos, no caso a Fotocoagulação, uma gradual queima da retina que causa a perda da visão com o tempo; Pterí­gio, uma carnosidade que surge no canto do olho; e a popular catarata, responsável por 50% dos casos de cegueira no planeta, cuja falta de proteção aumenta em 60% os riscos de contrair a doença. Finalizando, Hilton Couto destaca que a utilização de óculos com lentes mais escuras não garante uma proteção maior a vista, e também que pessoas com olhos mais claros não possuem necessariamente maior sensibilidade ao sol. Para contribuir ainda mais com a proteção dos olhos, além dos óculos de boa procedência, pode-se usar chapéus ou bonés que conseguem amenizar a exposição í  radiação solar.

 


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