OPINIíO – Auto-estima em alta?

13 de agosto de 2013

 

 Por Fausto Araújo Santos Júnior

 

O vereador Jeferson (PTB) reclamou na última sessão da Câmara Municipal que seu partido, através do bom deputado Augusto Lara, tem disponibilizado treinamentos técnicos na cidade através do SENAC e que os cursos não estão tendo procura e, portanto, não estão sendo viabilizados.

O programa, chamado de PRONATEC, é uma iniciativa do governo federal que repassa através de convênios aos estados federativos recursos para o treinamento técnico, com objetivo final de inclusão profissional dos brasileiros de todos os pagos.

Algo está acontecendo em Torres. Será que estamos com pleno emprego? Será que uma cidade sazonal como a nossa não possui demanda de pessoas que querem se qualificar para conseguirem trabalho? Ou será que as bolsas de auxí­lio direto do governo federal estão deixando o povo satisfeito? Uma questão de auto-estima talvez em alta…

 

Cultura da cultura

 

A vereadora Lú (PT) sugeriu que a prefeitura (que é de seu partido) promova em Torres algum tipo de evento que divulgue a gastronomia e a produção de alimentos da cidade e região como forma de fomentar o trade do Turismo. Ela disse que ficou feliz em ouvir do atual secretário de Turismo de Torres Carlos Souza, no discurso de abertura da Conferência de Cultura realizada na cidade na semana passada, que vê a cultura local como uma forma de incrementar o Turismo.

Trata-se da Cultura da Cultura… No mesmo encontro que debateu o tema e organizou os representantes torrenses que representarão a cidade nas conferencias estadual e nacional, um palestrante tratou a casquinha de siri e a cachaça marisqueira como representantes da cultura de Torres. Talvez a Cultura do Lazer, do turismo de relaxamento…

Lembro que a secretaria de Turismo e Cultura de Torres, no governo João Alberto já estampou uma foto de uma casquinha de siri acompanhada de uma marisqueira em um folder turí­stico-cultural da cidade. Boa idéia, mas não é novidade!

Mas a vereadora deu outra bela idéia. No debate da aprovação do projeto que deu subsí­dios aos esportes, sugeriu que a cidade aprovasse, por lei, que 1% do orçamento fosse destinado í  Cultura em Torres. Aprovo totalmente! Cultura é uma das coisas que mais necessitam de subsí­dio, no mundo todo. Trata-se da manifestação das comunidades e da entrega de um produto feito arte aos consumidores, turistas e simples cidadãos. Não basta dar meia entrada para o povo, se não tem apoio aos empreendimentos culturais e artí­sticos. Desta forma seria meia entrada de nada…

 

 

Sai de um bolso entra n™outro?

 

O vereador Alessandro (PMDB) na mesma sessão da Câmara, em seu espaço achou estranho que a prefeitura tenha negado imprimir a resposta de seu pedido de informaçíµes sobre a prestação de contas do festival de balonismo, alegando compromisso com o princí­pio da economicidade, pois seriam várias páginas impressas. A prefeitura avisou na resposta que a municipalidade estaria aberta í s contas, caso o vereador fosse lá ver os documentos.

O vereador justificou sua estranheza ao alegar que a prefeitura gastou R$ 50 mil para contratar um operador de carro de propaganda de som. Disse também que não sabe como uma prefeitura pode defender o princí­pio da economicidade quando gasta R$ 25 mil para montar tendas defronte a salíµes nos bairros para promover o programa Prefeitura nas Ruas. Para o vereador o projeto poderia muito bem acontecer dentro dos salíµes comunitários.

 

Números e ironias…

 

 O mesmo vereador Alessandro (PMDB) estranhou também a duplicidade de informaçíµes oficiais sobre o público que teria comparecido nos shows do Festival de Balonismo. Ele denunciou que o jornal Gazeta teria publicado que houve 10 mil pagantes, quando ao mesmo tempo recebeu como oficial que houve 3,9 mil pessoas, o que consta na prestação de contas da bilheteria. Foram disponibilizadas mais de mil cortesias. Isso não combina com o marketing feito anterior ao evento, onde a própria prefeita dizia que iria comprar seu próprio ingresso. Até um familiar meu recebeu. Se a prefeita quiser, fala comigo que eu consigo entrada para os shows, então, ironizou o vereador.

 

Mimi no meio do fogo serrado  

 

O único projeto que foi debatido na Câmara Municipal em sua primeira sessão ordinária após o recesso foi o da aprovação de subsí­dios dados pela prefeitura í  Escolinha do Mimi. Trata-se de uma luta de muitos da cidade para tentar incluir este idealista, que acredita efetivamente que o esporte e a competição saudável e respeitadora das regras é uma das formas de evitar que adolescentes tenham mais chance de ficarem longe das drogas. Mimi só recebeu ajuda de custo para que ele consiga viajar com sua equipe para competir fora de Torres. Eu acho que merecia mais.

Mas os debates em torno da aprovação do projeto (que foi aprovado de forma unânime) acabaram expondo outros lados destas ajudas í  projetos sociais na cidade. O vereador Tubarão (PMDB) reclamou, por exemplo, que não recebeu aceitação a um pedido feito por ele para que a prefeitura pagasse R$ 800 para o Coral Outono em Canto, aqui da cidade, para custear o transporte dos músicos í  Capital para que fizessem sua apresentação.   Por que é diferente pra uns? Parece que estão beneficiando somente os amigos do rei, desabafou o vereador. Será que R$ 800 para pagar um í´nibus é caro? Tem entidades que não querem apoiar… Ou tem pra todos ou vamos rachar o pau… ameaçou o peemedebista.

Já o vereador Nego (PC do B) reclamou de ter sido esquecido em todos os ritos de aprovação ao projeto de Mimi. Ele criticou afirmando que já fez algo parecido com a equipe do Mar Azul, seu bairro, e não recebeu nem obrigado das autoridades. E disse que foi ele que correu atrás do projeto para subsidiar Mimi. Eu corro, vou atrás e não apareço? Injusto. Dá vontade de votar contra, desabafou o vereador comunista torrense.

Coitado do Mimi. Ficou no meio do fogo cruzado. Mas ele merece o que recebeu, e mais!

 

Mais polêmica: R$ 7 milhíµes para asfalto através de empréstimo

 

Já entrou na Câmara Municipal um projeto de lei de autoria da prefeitura de Torres que pede permissão para que os cofres públicos recebam um novo endividamento de R$ 7 milhíµes. O dinheiro seria para asfaltar ruas na cidade. E o prazo é que é apetitoso. Seriam 30 anos para pagar. Em uma conta simples, sem levar em conta os juros, seriam em torno de 360 prestaçíµes de R$ 19,5 mil. í‰ de se pegar este dinheiro.

Ta certo que existem outras formas mais baratas de conseguir dinheiro para asfalto. A Metroplan, no Estado do RS; o Ministério do Turismo e o Ministério das Cidades, em Brasí­lia, também disponibilizam convênios neste item: asfalto. O governo anterior de João Alberto esbanjou desta prática e estamos usufruindo de várias vias novas asfaltadas por conta desta prática de conveniar e pagar somente contrapartida: mas barata. Mas nestes casos a municipalidade deve desembolsar sempre contrapartidas que podem chegar a 20% e em prazos mais exí­guos. E mais: os recursos vindos de entidades federais e estaduais sempre têm endereço certo. E í s vezes não se encaixam nas necessidades da cidade.

Acho que a prefeitura deve pegar este dinheiro.   E continuar, também, buscando convênios federais e estaduais. O valor de R$ 20 mil mensais sai na urina de qualquer orçamento, mesmo por 30 anos. E com R$ 7 milhíµes dá para asfaltar muitas ruas novas. Sugiro que sejam na área turí­stica da cidade. Desta forma se está investindo na atividade principal de Torres: o Turismo.

 


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