Participei de uma reunião junto í empresários do comércio de Torres com a prefeita Nílvia nesta semana. Ela mostrou que pretende ser democrática de ponta em suas decisíµes. Ao receber uma proposta de intervenção na Avenida Barão do Rio Branco, feita com projeto assinado por arquiteta local, arquiteta esta paga pelos empresários de duas quadras da avenida, delegou para o que chama de Conferência Pública os próximos passos. O encontro já está marcado, deverá buscar participação de todos interessados, mas não sei se esta forma de governar funcionará em cidades que vivem do Turismo.
Mesmo se Torres fosse um local Standard, onde a população vive do que produz e exporta, decisíµes que chegam a este nível de debate seriam difíceis, como o são em qualquer lugar. Os interesses são divergentes e mobilizaçíµes artificiais podem ser montadas para fazer o que NíƒO DEVERIA DE SER FEITO. Em locais onde o Turismo sustenta o ganha-pão da maioria dos viventes, como nossa Torres, a questão fica ainda mais complexa: Como a visão de turismo de um local será padronizada? Praticamente impossível. Como gosto será democratizado? E gosto faz parte de qualquer decisão de turismo…
A prefeita e sua equipe estão muito bem intencionadas com o processo. Querem ouvir e dividir responsabilidades futuras, âmago da Cidadania, onde os bí´nus são proporcionais aos í´nus. Mas acho difícil chegar a um lugar saudável desta forma. Muitas vezes o administrador deve decidir o que DEVE SER FEITO, mesmo que muitos não queiram que aquilo seja realizado daquela forma. Mas vou torcer para isto. A chamada Conferência sobre a urbanidade será dia 1 º de março. Vamos comparecer a participar.
Não precisa de participação, ou precisa?
Já após um mês de trabalho da nova administração, a sociedade não pode exigir posturas firmes sobre planos de trabalho. Mas pode (e deve) exigir que ao menos o feijão com arroz vá í mesa…
Por outro lado, podem-se notar atitudes de governo que deverão ser padronizadas daqui para adiante. Por exemplo: A prefeita Nílvia, na mesma reunião que compareci, na quarta-feira (6), deu um exemplo do que não quer que seja repetido em seu governo. Ao elogiar o formato estético das luminárias do Calçadão da Avenida Beira Mar, dizendo que o equipamento é bonito, modernizou e reformou a orla, ela criticou a falta de eficiência em iluminação do conjunto. Disse que presenciou a escuridão do outro lado da avenida, que, após a mudança, fica a as escuras… Nílvia disse que este é o tipo de atitude que não quer repetir em seu governo. Ela quer tudo perfeito, com uma visão sistêmica do processo. Portanto, elogiou o ex-governo e criticou-o, mesmo que elegantemente.
Mas há de se lembrar que já passa um mês de governo e as lâmpadas do calçadão estão na maioria queimadas. Não houve manutenção da iluminação do lugar onde mais passam os turistas na cidade. Se já é escuro com as lâmpadas funcionando, pior fica com metade delas apagadas… Tomara que este feijão com arroz que não vai í mesa não seja padronizado. E para trocar lâmpadas, não é necessária a participação dos contribuintes em conferências, nem pedido de providências da Câmara Municipal. Olho no lance!
Sobre a iluminação
Sobre a mesma questão da iluminação do Calçadão, sugiro que sejamos racionais e resolvamos o problema da falta de luz no outro lado da rua, já que a prefeito elogiou o desenho das luminárias. Dá para se colocar luminárias IGUAIS as do calçadão, também nas calçadas opostas, em menos número que no calçadão, já que no lado oposto podemos contar também com a iluminação das casas e estabelecimento comerciais. Com isto, teríamos o APROVEITAMENTO DAS LUMINíRIAS e, melhor ainda, teríamos MAIS PADRONIZAí‡íƒO AINDA DO SISTEMA DE ILUMINAí‡íƒO.
Eu, particularmente, acho que os postes antigos, que ainda existem na parte antiga da beira da praia (que não sofreu reforma), mais combinam com avenidas de cidades industriais, iluminando os operários que nas madrugadas estão indo pegar em seus postos nas fábricas. E não me parece ser esta a impressão que se deva passar ao visitante em uma cidade turística.
Mais quase 50 CCs
Outra atitude de governo da nova administração é a contratação de CCs para a prefeitura. Foram aprovados quase 50 a mais na semana passada, na Câmara Municipal, em contrato de um ano, quando a oposição sugeriu que fossem por seis meses.
Mesmo que estejam incluídas 30 novas monitoras de creches, o número mostra o quão a administração irá se utilizar de cargos de confiança em sua gestão, pois são os monitores de creches que deveriam, estes sim, serem aproveitados, ou concursados. E ainda existem pessoas do último concurso realizado na cidade, em 2012, que estão aguardando e poderiam ser chamadas.
O fato é que são 50 CCs a mais que a administração anterior. Na Saúde, o governo Nílvia mantém os contratos especiais, sem concurso, e tomou a liberdade de renomear todos, colocando lá pessoas de ligaçíµes diretas com a nova administração. Outros CCs do governo João Alberto foram trocados por CCs do governo Nílvia, absolutamente normal. Mesmo assim, foram mais 50 CCs, pagos pela população, que deixarão cada vez mais longe a possibilidade financeira da prefeitura contratar por concurso, sonho de muitos, inclusive do PT e do PP, partidos que dominam a gestão Nílvia e Brocca. Torcemos, nós, que as coisas sejam bem encaixadas e que tudo de certo. Mas o governo novo mostra vontades adicionais de contrataçíµes políticas. Sinal amarelo.
Postura reta e firme. Parabéns
O novo secretário de Turismo de Torres, Carlos Souza, vem se comportando como quem sabe o que quer e não está se rendendo í s pressíµes corporativas de inicio de governo. Cancelou eventos após a tragédia de Santa Maria, cancelou outros eventos que foram realizados em outros veraneios por não se encaixarem em seus planos; e formatou com coragem uma programação de Carnaval eclética, quando havia uma pressão local de focar as atividades somente em temas carnavalescos.
Carlos apresenta para os turistas locais formatos e estilos de atividades noturnas para agradar quem quer pular Carnaval, mas também oferece alternativa para quem vê no carnaval somente um feriado a ser aproveitado na praia, diga-se de passagem, o gosto da maioria dos gaúchos.
Tem gente que quis empurrar para o secretário alguns shows com preços exorbitantes por terem feito campanha política contra o governo anterior e a favor deste, e Carlos tirou este direito dos espertinhos, que querem sugar dinheiro público empurrando preços totalmente FORA DO MERCADO.
Parabéns ao secretário.
Para meu gosto, a única baixa para a cidade que aconteceu foi uma baixa privada. O projeto Torres na Cena de meu amigo, o competente produtor cultural Sandro Lopes, teve azar de estar em andamento justamente após a tragédia de Santa Maria. Para piorar, um dos atores de uma peça que seria apresentada neste final de semana ficou adoentado e cancelou o show.
Mas o Torres na Cena não fazia parte dos apoios da prefeitura e foi cancelado por motivos de força maior. Certamente, veremos o projeto por aqui, talvez até em breve, no outono. A FOLHA torce pelo produtor Sandro e parabeniza o secretário Carlos. Ele sabe o que quer e vai fazer o que imagina que deva ser feito. Sem ceder í s pressíµes.


