OPINIíO – Democracia mostra a realidade

5 de agosto de 2013

 

Na polêmica votação da compra do ex-hotel Beira Mar, a questão foi colocada í  avaliação do povo, das entidades, dos formadores de opinião.   E o que fica é o resultado desta profí­cua decisão dos vereadores de Torres. Mesmo eles não sendo obrigados a fazer Audiência Pública, assim o fizeram, e isto deve ser comemorado pela população.

O debate ocorrido, se colocado do lado da visí­vel mobilização feita pelo governo Ní­lvia em prol da aprovação da compra, dá, como em todo o processo democrático, a possibilidade da sociedade tirar suas conclusíµes da situação polí­tico-partidária na cidade. Foram entidades, jornais, pessoas simples, profissionais liberais, dentre outros, que colocaram suas posiçíµes públicas sobre o processo, já aprovado, mas que deixa um belo legado de exemplo de debate aos torrenses.

Democracia mostra a realidade. Mesmo que se enxerguem monstros para algumas visíµes, a realidade é esta. Que se conheçam os monstros e os transformem em amigos é a sugestão que a abertura de opiniíµes diversas, âmago da democracia, sugere para os simples viventes, todos nós. A possibilidade de se fugir dos monstros e adentrar por um caminho colorido, talvez com as cores do arco-í­ris, também é uma possibilidade legí­tima. Mas o monstro continuará lá. E não existem monstros. Eles fazem parte de nosso imaginário. São visíµes de nossa psique, muitas vezes distorcidas. São somente visíµes diferentes, talvez peremptoriamente contrárias. E ter opiniíµes contrárias é a coisa mais saudável no mundo em que vivemos. Que seria do Inter se não tivesse o Grêmio, e vice-versa?

 

Cavalo encilhado

 

A maioria das entidades de classe de Torres se posicionou a favor da compra do prédio, pelos menos os seus representantes… Os discursos que fundamentaram os apoios das organizaçíµes da chamada sociedade civil organizada foram todos polí­ticos. E isto é normal. O processo da tomada de decisão é polí­tico, já que, de direito, foi de responsabilidade do poder executivo e do poder legislativo a aprovação da compra.  Os discursos foram polí­tico porque defendem interesses corporativos. Por mais que tenham havido argumentos técnicos, o fim das entidades e as vantagens que elas poderiam receber em troca daquele voto de apoio acaba pesando, e muito. Quase que de forma incondicional.

E a prefeita Ní­lvia assumiu publicamente que as entidades da cidade seriam presenteadas com salas no prédio do hotel Beira Mar para abrigar seus interesses corporativos. Ou seja: havia um interesse direto em jogo. E, como as entidades da cidade, todas, são frágeis financeiramente, não dá para deixar de se considerar que as decisíµes em prol da compra do prédio não tenham sido bastante influenciadas por esta espécie de presente. Como se diz no RS, Cavalo encilhado só passa uma vez…

 

Servidores estão certos. Quem não chora não mama…

 

 

í‰ natural que tenha havido uma campanha dos servidores públicos para que a compra do prédio saí­sse.   Não é deles a responsabilidade de decidir sobre onde e como serão gastos ou investidos o dinheiro público: trata-se de responsabilidade dos POLíTICOS que estão na gestão da prefeitura esta decisão; e dos vereadores, que são eleitos para dar pitacos nas decisíµes do executivo, dentre outras coisas de suas funçíµes legais. Os servidores públicos, saudavelmente, defendem e sempre defenderão melhorias em suas condiçíµes de trabalho e em seus salários. Trata-se de uma defesa visceral de seres humanos normais.

Mesmo existindo polí­ticos preconceituosos, que taxam posiçíµes contrárias í  compra de coisas da elite, que taxam de elitistas as  posiçíµes que preferem que um hotel seja utilizado para fomentar o TURISTA que sustenta a cidade de Torres desde sempre, ao invés de propiciar aos servidores públicos vista para o mar, é saudável que a sociedade (que não é servidor público) coloque suas opiniíµes.   E é normal que pessoas que defendam classes, justamente por teoricamente serem ví­timas de preconceito, que tenham posiçíµes preconceituosas í s classes, mesmo sendo uma hipocrisia. Mas é assim… Democracia é realidade. Democracia í s vezes é demagogia, também…

Todos os vereadores querem que os funcionários públicos de Torres sejam felizes, ganhem bem, tenham um bom ambiente de trabalho. A sociedade também… Ninguém foi contra este bem estar. Somente se deram opiniíµes sobre prioridades.

 Lembro que as elites hoje em dias são os polí­ticos… A elite dos polí­ticos é a elite brasileira atualmente… Pelo menos foi o que se viu nas manifestaçíµes das ruas. Os salários entre 20 e 30 mil reais por mês das cúpulas dos três poderes deram  aos polí­ticos este tí­tulo.

 

 

 

Muito debate interno

 

A democracia mostra a realidade. E por isso que o PP e o PMDB vão ter de conversar muito internamente após a votação polêmica da compra do Beira Mar. í‰ que dois edis do Partido Progressista de Torres foram contra certa determinação do partido. E a prefeita Ní­lvia teve de se mexer para buscar os dois votos. E acabou se comprometendo com mais dois partidos. PTB e PC do B já fazem parte do governo Nilvia & Brocca. O ex-vereador George Rech já está trabalhando na prefeitura há duas semanas por conta da parceria. Ele é o novo secretário dos Direitos Humanos e Ação Social. E o PC do B está prestes a embarcar no quadro executivo da municipalidade. Fala-se em uma gerencia de Esportes com status de secretaria. Há uma pressão grande da sociedade para que se funde uma Secretaria de Cultura. E o partido dos Comunistas pode estar entrando nesta.

Acontece que o governo Ní­lvia é pragmático. Pode cobrar do PP do vice Broca este esforço fisiológico demandado em cima da hora por conta da rebeldia de Fábio da Rosa e de Gisa Webber. E aí­ o PP deve conversar sério sobre o assunto. Não imagino que nada vá ocorrer de mais importante. Gisa é filha de um expoente pepista da cidade. Quase dá para se dizer que o Pepismo em Torres é Clovismo (Clovismo de Clóvis Webber Rodrigues “in memórian). Fábio da Rosa vai se incomodar mais. Mas acho que nada de mais sério deva acontecer. Mas haverá conversas. Democracia é isto.

 

Muito debate interno II

 

Já o PMDB deve conferir sua força. Principalmente por ser o partido mais tradicional da cidade e representar a oposição ao governo atual. O partido liberou os votos dos militantes, mas o vereador Gimi, além de votar diferente de seus parceiros peemedebistas, acabou em seu discurso desqualificando seu parceiro Alessandro. Não precisava criticar os argumentos de seu colega para dar seu voto. Bastava dar o voto e apontar as vantagens. Ou colocar argumentos de outros votantes como fundamentação da desqualificação do voto contra. Mas ele pegou um parceiro e acabou desqualificando o partido. Olho o lance!

 

 

 

 

 


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