Por Fausto Araújo Santos Jr.
O presidente da Câmara Municipal Antí´nio Machado reclamou na última sessão da casa em seu pronunciamento que os jornais deveriam cobrir com mais afinco o Rodeio do CTG da Vila São João.
Pois digo: primeiro, que os organizadores do rodeio tiveram muitos meios de comunicação locais que cobriram o evento. Inclusive gastaram verbas publicitárias do CTG para chamar o público para lá nestes veículos escolhidos por eles a dedo. A FOLHA nunca recebeu um centavo da organização para promover o Rodeio Crioulo da Vila. Mesmo assim, já fizemos várias matérias sobre outras várias ediçíµes do encontro tradicionalista torrense.
Neste ano fui lá, paguei entrada (pois sequer convite oficial recebi) e saboreei um churrasco no acampamento do anfitrião. E digo: não acho que é obrigação de A FOLHA, anualmente repercutir o evento no jornal, muito menos de fazer matéria anunciando a edição, matéria que fazemos todos os anos, mesmo nunca tendo recebido nada da organização. Há se pensar melhor a estratégia de marketing do Rodeio. Pelo que imagino o pessoal acha que ta bom… E punto final.
Cumbuca alheia
Faz parte da democracia as pessoas elogiarem e criticarem as entidades ao seu gosto. Criticarem ou elogiarem inclusive empresas privadas que são alimentadas pelo mercado, ou seja, se não houver quem gosta, quebram.
Foi o que fez o presidente da Câmara, Vereador Machado, para com os jornais. Ao meter a mão na cumbuca privada alheia, ele inclusive reclamou que os jornais deveriam cobrir em suas páginas o Rodeio da Vila ao invés de cobrir as brigas dele, (presidente da Câmara) com o vereador oposicionista Alessandro Bauer. Tem todo o direito, mas dá espaço para que se meta a mão na cumbuca PíšBLICA alheia, uma das funçíµes institucionais de jornais. Então vamos lá!
Antes de criticar os jornais o nobre presidente poderia trabalhar um pouco melhor nas açíµes necessárias para com sua função como presidente da Câmara de Vereadores, que são muitas… Poderia, por exemplo, colocar uma mesa na casa legislativa para que os jornalistas possam ao menos escrever a mão seu trabalho nas sessíµes e nas audiências públicas realizadas nas dependências do legislativo torrense. Deveria providenciar uma rede hi fi para que jornalistas e pessoas de qualquer função possam assistir í s sessíµes e se manterem conectados ao mundo pela web, como existe em parlamentos modernos. Deveria contratar um jornalista para produzir relizes, como existem já em várias Câmaras espalhadas pelo RS. Isto falando somente da relação da casa com as notícias e os jornalistas. Mas existem outras pendências na cumbuca da Câmara Municipal.
Por exemplo: a Lei de acesso í informação exige que todos os dados da casa sejam públicos, no site, incluindo salários e benefícios dos servidores. Não tem. As diárias deveriam ser transformadas em relatórios de viagens. O MP já sinalizou que deseja isto. Não são. E principalmente, o presidente poderia seguir um pouco mais o regimento da casa e não colocar em votação projetos sem passar pelos trâmites normais.
Cumbuca alheia II
E o vereador Machado pode como presidente da Câmara opinar sobre o teor da cobertura jornalística. Pode inclusive chamar uma matéria que espelha o debate na Câmara de briga entre ele e a oposição. Mas deve também ouvir o outro lado.
Pois bem: para A FOLHA não se trata de briguinha política a cobertura completa do debate sobre o investimento de R$ 6 milhíµes pela prefeitura. Responsavelmente, achamos que briguinha é reclamar disto. O presidente da Câmara tem a obrigação de assimilar debates entre seus pares, mesmo que ele ache os argumentos supérfluos. E não deveria reclamar da repercussão na mídia dos mesmos debates. A Câmara é esta, os debates são estes, os vereadores foram eleitos pelos votos e, portanto, é essa, só essa, a representação pública da cidade na casa legislativa. Se o debate é vazio ou não, é lá que a decisão final é aprovada, sendo vazia, cheia ou abarrotada de opinião. A câmara é esta. Quem gosta, que curta, quem não gosta, que espere mais 3,5 anos e mude!
Portanto, embora admire o grau ideológico do presidente Machado, discordo com o vereador. Democraticamente, discordo!
Ciclovia mão única?
Tomo a liberdade de criticar a Ciclovia que foi pintada rente ao Calçadão da Praia Grande. Ficou muito estreita! Se uma bicicleta cruza com outra no lado oposto corre risco de bater, ou, pior, ter de desviar para a rua correndo risco de ser pega por um carro…
Trata-se de uma idéia projetada ( diferente da implantada pela atual) pela antiga administração e que o governo atual aceitou, o que acho responsável, pois ciclovias já fazem parte ativa de qualquer novo desenho urbano. Mas está estreita! Olho no lance!
Vereador Dê e o Caminho da Santinha
O vereador Deomar Goulart utilizou seu pronunciamento para comemorar a continuidade do Caminho da Santinha. O Ministério Público questionou a segurança dos transeuntes e chamou uma audiência pública, realizada na semana passada, para colher opiniíµes da população.
Dê Goulart criticou a falta de participação da comunidade na audiência. Disse que tinha no máximo 30 pessoas. E lembrou que teve participação ativa quando da pavimentação do Caminho, no Governo Cafrune, lembrando que, inclusive, foi ele que forneceu o cimento para a construção.
Dê lamentou, no entanto, que soube que foi um ex-secretário do Meio ambiente de Torres o autor da ação no MP, que de certa forma sugeria que fechasse o equipamento de turismo religioso e de contemplação. Ele ( ex-secretário) teria dito na argumentação ao MP, que é mais fácil cair uma pedra na cabeça de alguém ali do que cair um avião… Dê lamentou, e eu concordo com o vereador. Trata-se de paranóia do ex-secretário ( que ninguém sabe quem é) ou algo parecido…
No final o vereador elogiou a atitude do promotor Marcio Carvalho. Ele comemorou a afirmação do MP através de seu representante que não queria que açíµes de profilaxia do MP influenciem na cultura da cidade. Gol de placa!


