OS ATRASOS NAS OBRAS DO POSTO CENTRAL DE SAÚDE EM TORRES: Reforma começou em DEZEMBRO de 2014 e ainda não terminou

16 de fevereiro de 2016


Apesar dos atrasos, obras seguem durante a temporada de veraneio no Posto Central de Saúde

Por Guile Rocha
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NOVELA ANTIGA

O mês era março de 2014. A prefeitura de Torres havia noticiado que iniciaria uma grande obra   no Posto Central de Saúde Américo Muniz – obra que incluiria a reforma e ampliação do local. As readequaçíµes no Posto Central de Saúde de Torres eram uma necessidade iminente – pois a unidade seria interditada pelo Centro Estadual de Vigilancia em Saúde (CEVS) se continuasse nas más condiçíµes em que se encontrava. "Serão acrescentadas salas ou ambientes novos com toda a infraestrutura e as condiçíµes necessárias de atendimento. Crianças e adultos não vão compartilhar mais dos mesmos ambientes e a obra fará uma clara divisão dos fluxos de pacientes e funcionários, além de uma mudança na parte estética, que está debilitada, indicava na época a arquiteta e urbanista da prefeitura Daniela Borges, responsável pelo projeto arquitetí´nico do local
Segundo informava a prefeitura, as obras iriam começar em abril do mesmo ano de 2014, com previsão de durar cerca de 6 meses. Entretanto, os prazos iniciais não se cumpriram. Houve atraso na previsão das obras no Posto Central Américo Muniz, que foram começar apenas em dezembro de 2014. A obra teve sua execução divida em dois contratos: um para a reforma do Ambulatório (licitada   em R$ 254 mil, onde a maior parte do recurso seria oriundo do Ministério da Saúde Federal) e outro para a reforma do Pronto Atendimento (cujos serviços foram orçados em   R$ 398 mil, e a maior parte do recurso provém da Secretaria Estadual de Saúde). A empresa CVS – Construçíµes LTDA – ME venceu as duas licitaçíµes, e foi a contratada para executar os serviços.
Mas o ano de 2015 passou com as obras no Posto Central ocorrendo lentamente, e logo ficou claro que demoraria mais do que os 6 meses previstos para terminar. Técnicos da Prefeitura e integrantes da Comissão de Infraestrutura da Câmara dos Vereadores vistoriaram as obras repetidas vezes desde julho do ano passado, constatando grande morosidade dos trabalhos e desencontro das informaçíµes fornecidas pela empresa CVS Construçíµes – vencedora das licitaçíµes para as obras atrasadas (a empresa também foi vencedora da licitação das obras da Praça Pinheiro Machado, na Praia Grande, também atrasadas). Então, em outubro foi realizada uma reunião entre representantes da Prefeitura, da Câmara dos Vereadores, da CREA e da empresa responsável, reunião que teve como objetivo viabilizar a conclusão das obras antes do iní­cio da temporada de verão. Novo prazo foi acordado para a entrega do Posto Central de Saúde: 15 de dezembro. Entretanto, novamente os prazos estouraram, o veraneio já está quase acabando e as obras não foram concluí­das.

EXPLICAí‡í•ES SOBRE OS ATRASOS
O jornal A FOLHA contatou a prefeitura de Torres para pedir uma explicação sobre os novos atrasos na reforma do Posto Central de Saúde. Na quinta-feira (11), fomos informados via email pela Secretaria Municipal de Saúde que houveram alguns serviços que não estavam contemplados no projeto inicial da reforma, e o impasse para chegar ao valor a ser aditivado no contrato da obra foi o que vem gerando a demora na entrega. Além disso, a secretaria municipal de saúde afirma que contata frequentemente (3 a 4 vezes por semana) a CVS Construçíµes – responsável pela obra. "A Empresa está cumprindo todos os prazos estabelecidos pelos novos aditivos, e não há motivo para responsabilizar a empresa judicialmente pelo atraso", explicou a secretaria da Saúde. Quanto a utilização de termo aditivo para definir o acréscimo de verbas   para as obras do Centro Central, a Secretaria de Saúde disse estar contatando o setor de Licitaçíµes da prefeitura para informar valores corretos – mas não conseguiram resposta até o fechamento desta matéria (18h30 de quinta-feira, 11).
Conforme ressalta a Secretaria da Saúde de Torres, o atendimento a população não sofre prejuí­zos pelos atrasos nas obras, pois os serviços continuam sendo disponibilizados em outros locais. "Posto Central está com suas atividades no Posto da Zona Sul e o Pronto Atendimento atrás do CAPS, no Vida Torrense. A população não está desassistida em relação aos serviços prestados". Também estivemos in loco nas obras do Posto Central de Saúde Américo Muniz. Lá haviam 7 funcionários trabalhando. Conversamos com um destes trabalhadores, que está na labuta desde o começo das obras – um ano e quatro meses atrás. Ele pensa que o atraso se deve a alguns imprevistos para realização de instalaçíµes elétricas e hidráulicas –  
além do fato de terem sido efetuadas algumas reformas que não estavam inicialmente previstas. "Tem sido uma obra grande, muita coisa que não havia antes (no posto) está sendo construí­da. Dá para dizer que estamos na fase dos retoques finais já. Antes era um posto e agora é como se fossem dois. Tivemos que trocar muito do telhado, algo que não estava previsto no começo. Mas as obras seguem no verão. As condiçíµes de trabalho são boas e somos pagos corretamente" afirma o trabalhador.
 


IMPORTí‚NCIA DO POSTO CENTRAL CRESCE PELO FIM DO PRONTO ATENDIMENTO NO HOSPITAL
 
Durante o perí­odo de obras do Posto de Saúde Central, os serviços ambulatoriais, de clí­nica médica, traumatologia e consultas básicas foram transferidos para a UBS do Centro vida Torrense (na Av. do Riacho) e UBS Zona Sul (No Bairro São Fancisco). Mas, na prática, a população de Torres e região que não encontrava atendimento no Posto Américo Muniz, em reformas, acabava buscando o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes para serviços de saúde – já que este se encontra bem próximo ao Posto Central. Entretanto essa atitude não é alinhavada com o que preconiza o Ministério da Saúde – que recomenda apenas buscar o hospital em situação de emergências, deixando o atendimento de baixa e média complexidade para os postos de saúde (não apenas o central, mas também aqueles de bairro).
E acontece que, paralelamente as obras, o Hospital de Torres acabou deixando de prestar serviços públicos de Pronto Atendimento aos cidadãos – uma vez que estes serviços não eram sua obrigação, mas sim dos postos de saúde. Com a decisão da administração do hospital de Torres de responsabilizar-se apenas pelos atendimentos de urgência e emergência do Sistema íšnico de Saúde, a demanda pelos serviços municipais de saúde aumentou consideravelmente – tornando ainda mais importante a reforma e modernização do Posto Central Américo Muniz, que acaba atendendo também pacientes de municí­pios satélite de Torres.
 

 

 


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