Outono

28 de março de 2013

Gosto dessa época do ano especialmente pela cor luminosa do sol, um amarelo dourado, porém frio, bem diferente do amarelo dourado quente da Primavera e do Verão. Acompanhando essa luz e, talvez, motivados por ela, surgem todos os dourados possí­veis das folhas das árvores, especialmente das árvores de folhas caducas que deixam para trás os verdes, vestem-se de amarelos, vermelhos e ocres e caem colorindo o solo ao redor dos troncos de suas mães. Surge um festival de cores surpreendente. Nessa época outonal vale a pena subir a serra gaúcha pela antiga BR 116 e observar os plátanos que circundam grande trecho dessa estrada e a tornam um cenário de coloridos indescrití­veis. Além dos plátanos muitas outras espécies de árvores européias trazidas em sementes pelos imigrantes povoam a serra e as ruas das cidades da região deixando-as coloridas de outono e luz.

                      Desde muito pequena fui conquistada pelas árvores de folhas caducas. Na minha infância havia os cinamomos que ficavam com suas copas amarelas e perdiam lentamente todas as suas folhas. Ficava cismando porque eram árvores de folhas caducas. Pensava que talvez fosse porque tais folhas envelhecem e caem, tal qual os dentes velhos que vão caindo com a idade que leva os idosos a caducarem, a perderem a noção de tempo e espaço, a perderem mais fios de cabelos que também mudam de cor e caem com mais intensidade do que na juventude. Para mim a caducidade das folhas tinha uma analogia í­ntima com a caducidade humana, talvez o motivo de me levar a amar tanto o outono e suas cores incrí­veis. Essa época do ano me parece rodeada de uma certa fragilidade, uma fragilidade comovente e dolorida, de previsão do final de uma fase que não voltará mais, embora outonos continuarão a se repetir até o final definitivo dos tempos desse planeta Terra, embora os velhos humanos possam ter ainda para viverem muitos outonos, fica em mim uma sensação dolorosa de finitude.

                      Ao mesmo tempo em que o outono me desperta sentimentos felizes ante a beleza das cores das quais meu coração artista é amante fiel, nasce também um sentimento de nostalgia, de saudade, de ausência, em especial nos dias nublados e chuvosos nos quais todo colorido perde o viço mascarado pelo cinza das manhãs pouco luminosas enxovalhadas de lama, das tardes nubladas e curtas pela fuga da luz que se vai embora cada vez mais cedo, das noites escuras pelo esconder-se da lua por detrás de nuvens espessas de água e dor. Nostalgia de mim mesma, da menina que envelheceu com a vivência dos anos tantas vezes felizes e tantas vezes sofridos, da menina que ainda olha com aquele olho comprido o vaivém das estaçíµes e que nunca desiste de esperar pelas cores das luzes outonais, pelas cores da alegria e da felicidade, mesmo em tempos em que a vida chuvosa e acinzentada teima em machucar, em ferir, em matar as esperanças e judiar do meu coraçãozinho que vai ficando cada vez mais apertado entre as paredes da intolerância, da injustiça, dos afetos não correspondidos e dos açoites dos amores feridos.

                      Ah, as cores do outono, doces cores do outono. Quero vivê-las todas com intensidade, quero viver tanto as cores dos luminosos dias de sol dourado de alegrias e felicidades, quanto as cores dos acinzentados e dolorosos dias de chuva e frio das feridas injustas e mal cicatrizadas que ficam doendo, doendo, doendo!

                      Ainda quero a felicidade de muitos outonos em minha vida, ainda quero as múltiplas cores douradas, quero muitos amarelos, muitos vermelhos, muitos ocres. Quero todas as cores alegres dos meus outonos mesmo que venham alternadas também com as cores dolorosas dos dias cor de chumbo e mágoa. Quero outonos, muitos outonos!

 

                      Registramos a visita na última semana da Prefeita Ní­lvia e do Vice Broca ao Bairro IGRA Norte, vistoriando in loco os problemas de escoamento de águas e esgotos que perturbam a saudável vida no bairro. O diagnóstico está feito e confirmado, aguardamos as soluçíµes.

                      Muito obrigada pela visita e pela atenção aos nossos pedidos de SOS!

             


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