Paixão éamor?
24 de setembro de 2010
A forma como cada um de nós vivencia o amor que tem pelo outro poderá, ou não, se transformar em algo doentio ou psicopatológico. A paixão, o ciúmes, a obsessão, a necessidade de aceitação e compreensão por parte de quem gostamos, a busca pela incondicionalidade do amor, são situaçíµes que estão presentes até em relaçíµes saudáveis. Porém quando ela se cristaliza, ou seja, aparece com maior freqí¼ência e intensidade, a relação toma traços agressivos, compulsivos, impulsivos, em que o casal torna-se unido pelo encaixe neurótico, ou seja, costumamos ouvir ou dizer que aquele casal se mata, mas não se separar, ou ruim como ele pior sem ele.
Consideramos estes indivíduos insaciáveis por serem desejados e amados como antes nunca foram, depositando no parceiro expectativas grandiosas, irreais de serem abastecidos por atenção, afeto. Assim, passam a permanecer ou buscar alguém por necessidade e dependência emocional e não por uma escolha de parceira para a vida. O medo da solidão, a desconfiança e isolamento assombram o seu comportamento. Desta maneira, vemos a psicopatia nas relaçíµes, aonde ambos se ligam e lidam um com outro através de uma conduta de humilhação, dominação, controle, desprezo. Aprenderam desde a infância, que relacionar-se é agredir-se mutuamente. Tornam-se incapazes de amar, empatizar com o outro, e sim acreditam que somente conseguirão segurar o parceiro pelo domínio e submissão.
Falar de paixão é falar de patologia, tendo em vista que ambas as palavras tem a mesma origem etimológica (pathos). Ela é caracterizada por um estado de prazer exacerbado, euforia, misturado por um imenso sofrimento, insatisfação e ansiedade quando na ausência da pessoa amada. Assim a paixão acontece apenas pela atração sexual, física, enquanto o amor saudável, pela afeição, admiração da pessoa amada, respeito que vão se sedimentando ao longo dos anos. Muitas vezes o amor é confundido com a paixão. Ao contrário dela, o amor é um estado de tranqí¼ilidade e estabilidade emocional, que permite o acesso a uma relação saudável, feliz e duradoura! Assim ninguém poderá amar de verdade se não aprendeu a amar a si próprio.


