EDITORIAL – Papado étrabalhar o Inconsciente Coletivo

18 de fevereiro de 2013

 

O assunto da semana é a renúncia do Papa Bento XVI. A repercussão mundial do ato, que se formaliza no próximo dia 28 de fevereiro, anunciando a quaresma como um perí­odo onde a comunidade católica deverá exercitar com mais vigor o verdadeiro significado dos 40 dias, que iniciam no Carnaval e se encerram no dia da ressurreição de Cristo, na Páscoa, sugerem que a sociedade saiba separar muito bem o significado da religião do significado da cidadania. Separar muito bem as leis de Deus, das leis dos homens.

Um papado em um planeta bastante fiel ao cristianismo, nada mais é do que exercer o papel de sugerir atitudes mundiais que mantenha equilibrado, intercultural e intersocialmente, o inconsciente coletivo da humanidade. Portanto, diferente do que muitos fiéis mais submissos imaginam… Ser Papa não é algo sagrado: trata-se de uma liderança de algo que certa ideologia religiosa considera, agora sim, Sagrado. E o sagrado neste caso para a maioria das religiíµes, com mais ênfase na religião Católica, se trata do módus vivendi que sugere o caminho da Verdade, a verdade interior, da alma… A verdade una, que cada ser humano possui e que ninguém consegue acessar, somente ele próprio ou algo acima dele, que se chama de Deus. O Papa não é Deus. O Papa tampouco é um segundo Jesus. O Papa nada mais é do que um pastor, que procura manter pessoas que acreditam em determinadas escritas, no caso a Bí­blia Sagrada, dentro da lógica institucional, sem misturar direito social com direito espiritual. O Papa é o defensor da Constituição do Cristianismo: A Bí­blia.

O Papa que renuncia manteve de forma inconteste os chamados dogmas que iluminam a forma mais pura de viver em sociedade na estrada da verdade interior, í quela verdade que o Deus dos Católicos (que é o mesmo Deus de todas as religiíµes) sugere através da Bí­blia, com dois testamentos, como se fossem duas ediçíµes de um livro, que recebe na segunda escrita mais modernidade de comunicação social, sugere mais proximidade entre as leis de Deus e as leis dos Homens. Manteve valores da famí­lia tradicional como se fosse marcos, como marcos de reflexão í  melhor forma dos seres humanos passarem por sua vida terrena mantendo certo porto seguro de suas verdades interiores. A Famí­lia como o local onde se pode chegar nelas (verdades interiores) de forma mais vivencial. Onde nascer e crescer obedecendo a valores familiares, após criar outra famí­lia e multiplicar os seres dentro destes valores, que se misturam, agora, com valores das famí­lias antecessoras e da nova famí­lia, formando um ciclo virtuoso de sucessão de um valor vivencial moral através de geraçíµes. Foi isto o que defendeu o Papa Bento XVI em seus oito anos de mandato na cúpula da Igreja Católica Romana.

Surfar em pontos crí­ticos da sociedade como a permissão do aborto, o uso de métodos anticoncepcionais, o celibato dos padres e a existência de diferença entre o sexo masculino e feminino, se tratam da sempre forte tendência da humanidade de tentar misturar a lei dos homens com a lei de Deus. O que nunca será saudável. E o Papa se manteve firme e forte dentro das Leis de Deus, militadas pelo cristianismo. í‰ que todas as sociedades que caí­ram na tentação de formalizar as leis espirituais de determinada religião em leis sociais acabaram em guerra. E a guerra não é nada saudável no mundo espiritual, como não é saudável no mundo carnal, objetivo, presencial, social. Isto significa deduzir que a militância da sociedade em mudar dogmas da religião católica não se trataria de uma ação saudável, já que as leis de Deus são punidas pela vida espiritual. Já as leis dos homens são punidas e regradas pela vida mundana, onde a liberdade e a obediência são regidas por textos e sansíµes objetivas, palpáveis.

 A sempre insistente vontade da sociedade em sugerir mudança nos dogmas da Igreja Católica se trata de uma intromissão í  fatores que devem ser decididos dentro do fórum interno da Igreja. Já a intromissão da Igreja em leis da sociedade nada mais é do que um sinal… Um sinal que aquela lei, se colocada em prática de forma generalizada, sem contrapontos, poderá sugerir que o Inconsciente Coletivo da humanidade entre em um terreno perigoso, talvez irresponsável. Mas somente um sinal, que os praticantes daquela determinada religião seguirão ou, ao contrário, optarão por infringir, optando neste caso por se colocar mais do lado da lei dos homens do que na lei de Deus.

A mudança do papado, portanto, é uma questão de foro í­ntimo, dos católicos e simpatizantes da religião. O novo Papa terá a mesma missão: a de orquestrar um organograma imenso de multiplicadores da religião entre todas as culturas do planeta no sentido de manter o inconsciente coletivo da humanidade de acordo com as leis de Deus. A obediência destas instruçíµes papais por cada um de nós é uma opção. E o papel mais salutar da sociedade é o de mostrar isto de forma isenta, dando espaço para o contraditório, mas respeitando a religião, respeitando, inclusive, todas as religiíµes, que são livres para sugerir o que bem entendem, pois trabalham em nome de Deus.

Para os católicos, a Quaresma deveria ser utilizada como um perí­odo de reflexão dos valores que eles (católicos) estão levando junto a si dentro da sociedade, inclusive para ter bem claro o perfil do novo lí­der do cristianismo no planeta. Para os céticos, a quaresma nada mais será do que o perí­odo entre o Carnaval e a Páscoa, onde a Sexta-Feira Santa é comemorada com banquetes de peixe, uma forma hipócrita de militar a abstinência e Jejum sugeridos no perí­odo da morte e ressurreição de Jesus Cristo, para os cristãos, é claro.


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