PARQUE ESTADUAL DE ITAPEVA: A preservação depende de você, sua proteção depende dele

19 de março de 2016



Unidade de Conservação, é uma das mais importantes barreiras naturais da região, protegendo a população local de fortes tempestades

 

 


Por Maiara Raupp
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O Parque Estadual de Itapeva (Peva) abriga um dos últimos remanescente de Mata Atlântica de restinga do litoral norte do Rio Grande do Sul. Ocupando uma área de mil hectares, o Parque, criado em 2002, está localizado em Torres. Sua criação teve por objetivo conservar os recursos naturais existentes na formação Mata Atlântica do estado, incluindo espécies da fauna e flora silvestres dos ecossistemas de dunas, banhados, mata paludosa e mata de restinga.
O Peva é um patrimí´nio histórico, cultural e ambiental, pois é um dos últimos remanescentes de um mosaico único de paisagens que varia desde a faixa de praia, com as dunas móveis, passando pelas dunas fixadas pela vegetação de restingas, banhados, áreas alagadas e mata paludosa. Existem espécies animais e vegetais que são endêmicas, ou seja, que ocorrem apenas nesta região. Então a conservação é importantí­ssima no intuito de preservar este ambiente que é um patrimí´nio de valor inestimável sendo um testemunho da fisionomia original de Torres afirmou o biólogo, Tiago Machado da Silva.
Além de preservar a fauna e flora local, o Parque tem outra importante função, que inclusive protege a comunidade torrense de desastres naturais. Outra virtude do Parque é que ela funciona como barreira natural. Esta área verde contribui para o resfriamento da atmosfera com a evapotranspiração das plantas, que absorvem a radiação solar para suas atividades biológicas, como a fotossí­ntese “ processo pelo qual as plantas utilizam a energia solar para realizar diversas reaçíµes quí­micas que irão produzir seu alimento “ e com dias mais quentes as plantas aumentam o processo de evapotranspiração, o que diminui a temperatura local em cerca de 3 a 4 graus, falou Tiago, embasado em estudos.
O professor explicou ainda que, em áreas mais quentes, o ar tende a subir mais rapidamente e se estiver carregado de partí­culas de poeira em suspensão devido í  ação das atividades humanas, somado a condiçíµes favoráveis, ocorre formação de chuvas intensas e torrenciais. Essas partí­culas auxiliam na formação das gotí­culas de chuva e a combinação de fatores como calor, umidade e poeira em suspensão, faz com que as nuvens se formem mais rapidamente e de forma intensa. í‰ nessa hora que a área do Parque age. Com maior absorção de energia solar e maior evapotranspiração dos elementos vegetais, diminui a temperatura da região. Como a cidade fica ao lado, provavelmente não dará tempo para que estas nuvens mais pesadas se formem, disse o professor.

Importância da preservação X especulação imobiliária

De acordo com o biólogo, se essa região não for preservada pode provocar mais enchentes e tempestades na cidade. Enchentes, visto que as áreas alagáveis presentes na região do Parque são as poucas válvulas de escape para as águas pluviais, já que outras que funcionavam como verdadeiros reservatórios e acumulavam e drenavam naturalmente a água durante as chuvas torrenciais, foram totalmente aterrados pelo interesse privado da construção civil, como alguns condomí­nios que se instalaram na cidade, assegurou Tiago.
O professor chamou atenção ainda para a necessidade do equilí­brio entre homem e natureza. As pessoas têm que aceitar que vivemos em um ambiente com os outros seres vivos e caso não consigamos conviver harmonicamente, poderemos sim sofrer com as consequências. Tempestades mais severas serão só o começo. Os danos serão irreversí­veis ao ambiente caso, por puro capricho de alguns ˜poderosos™, seja destruí­do esse fragmento de mata atlântica, considerado por estudiosos hotspots,de  imprescindí­vel preservação para í s geraçíµes futuras, concluiu Tiago.

Mais sobre o Parque

O Parque é uma Unidade de Conservação de Uso Integral o qual visa proteger ecossistemas e espécies da fauna e da flora raros e sob ameaça. Além disso, deve incentivar e promover atividades de pesquisa cientí­fica, educação ambiental e turismo ecológico. Reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Unesco como única, a área é de relevante importância para conservação da biodiversidade da cultura local, sendo sua preservação um dever para com as próximas geraçíµes. Também podem ser encontrados dentro do Parque sí­tios arqueológicos, com vestí­gios de populaçíµes pré-históricas de povos indí­genas, sambaquianas e de colonizadores.  

 


 

 

   

 


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