PEC dos Municí­pios pode aumentar independência das prefeituras

11 de janeiro de 2010

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 406/09, em tramitação na Câmara Federal, estabelece um valor mí­nimo anual de recursos para o Fundo de Participação dos Municí­pios (FPM) e aumenta a parcela municipal na distribuição dos recursos arrecadados com tributos federais e estaduais.  

Pela PEC, no caso do ICMS, que é um imposto estadual, a parcela destinada aos municí­pios aumentará de 25% para 30% do total arrecadado. Já em relação ao Imposto de Renda e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), tributos federais, a PEC eleva de 48% para 50% a parcela da arrecadação que deve ser repassada aos estados e municí­pios.  

A proposta cria também um dispositivo para evitar reduçíµes nos repasses ao FPM: o valor mí­nimo anual de recursos para o Fundo seria estabelecido com base na média dos repasses efetuados pela União nos cinco anos anteriores.

 O autor do projeto, deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), afirma que a Constituição estabeleceu uma repartição inadequada das receitas tributárias entre os entes da Federação, sem levar em conta a quantidade de encargos e responsabilidades atribuí­das aos municí­pios.

Segundo ele, hoje, o governo federal concentra 60% de toda a arrecadação e as cidades ficam com apenas 15%. Kaefer afirma que a redistribuição é fundamental para reduzir a dependência das prefeituras em relação ao governo federal e í s emendas parlamentares.

   

Divisão de receitas

   

A PEC introduz também uma inovação nas normas tributárias constitucionais em favor da descentralização de recursos para os municí­pios. Pelo texto, 23,5% da arrecadação das contribuiçíµes sociais sobre receita, faturamento e lucro – ou seja, as receitas do PIS/COFINS e da Contribuição sobre o Lucro Lí­quido (CSLL) “ será distribuí­da para os municí­pios e para o Distrito Federal.  

A proposta determina ainda que esses novos recursos recebidos pelos municí­pios e pelo DF devem ser necessariamente aplicados, na sua totalidade, em açíµes e serviços públicos de saúde. Atualmente, a União não reparte com os demais entes federativos as receitas do PIS/COFINS e da CSLL, responsáveis por boa parte do aumento da arrecadação federal nos últimos anos.  

Kaefer calcula que a mudança geraria uma receita adicional de R$ 50 bilhíµes para os municí­pios e o DF. "O suficiente para que os municí­pios possam ter autonomia, retomem a sua capacidade de investimento e não dependam tanto de nós próprios, das emendas dos deputados", afirma o parlamentar.

   

Tramitação

   

A PEC será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania quanto í  admissibilidade. Se aprovada, será votada por uma comissão especial e, posteriormente, encaminhada ao Plenário para votação em dois turnos

 

 


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