Por que reinventar o que já estápronto?

6 de agosto de 2010

A Ulbra de Torres está fechando aos poucos sua faculdade de Turismo aqui no campus local. O motivo é a falta de alunos para viabilizar a formação de novas turmas. Sabe-se que a atividade profissional de turismólogo não é bem aquela que cidades com perfil turí­stico do tamanho de Torres e outras cidades da região oferecem. Na maioria dos casos o mercado exige, na prática, profissionais do turismo formados em hotelaria, em Guias turí­sticos, em atividades ligadas ao mercado de entretenimento ou a eventos, qualificaçíµes oferecidas por cursos superiores de tecnólogo ou por cursos profissionalizantes técnicos, inclusive disponí­veis na Ulbra. Mas a formação com uma visão mais abrangente de Turismo para moradores da região poderia proporcionar para a sociedade produtiva local centenas de empreendedores com visão clara de onde eles estão vivendo e irão, consequentemente, produzir. E isto seria positivo para a formação de novos pequenos empresários, maior segmento da região. Portanto, o motivo maior da falta de interesse dos jovens de Torres e região de se inscreverem no curso de Turismo da Ulbra é, sem dúvida, os custos demandados para a formação, que vão do pagamento das mensalidades, passam pela necessária aquisição de livros, e deveria passar também por viagens para conhecimento de destinos turí­sticos pelo paí­s e pelo mundo.  E a estrutura econí´mica da maioria das famí­lias que habitam nosso Litoral não permite que haja esta demanda adicional no orçamento sem que haja um sacrifí­cio enorme dos orçamentos familiares, muitas vezes se apresentando impossí­vel de ser seguido.  

Por outro lado existem duas grandes correntes aceitas quase por 100% da sociedade brasileira. A de que o paí­s deve incrementar mais polí­ticas públicas voltadas para a Educação, em todos os ní­veis; e a segunda a de proporcionar mais vagas gratuitas para o Ensino Superior. A diferença que divide a sociedade sobre o modelo de conseguir estas duas demandas claras para o desenvolvimento dos jovens da nação é a forma de realizar os feitos. Uma corrente, a atual, liderada pelo PT, sugere a construção de novas universidades públicas para aumentar a possibilidade de mais brasileiros estudarem de graça em suas opçíµes profissionais universitárias, embora exista um programa competente deste governo, o PROUNI que propicia vagas nas universidades privadas, mas em número menor do que a ociosidade de muitos centros competentes de Ensino Superior exige. A outra, liderada por partidos mais liberais, sugere que o aumento do número de brasileiros com acesso ao ensino gratuito seja conseguido através da compra de vagas nas universidades privadas, de forma prática, rápida e eficiente. O feito para o aluno é praticamente o mesmo. A diferença é que o custo da nação para a construção e para a manutenção de novas universidades federais através de professores e funcionários concursados, estáveis e sujeitos í s corporativas polí­ticas salariais do funcionalismo público é muito maior do que o aproveitamento das vagas ociosas em universidades privadas. Portanto, seria muito mais eficiente para a nação que, ao invés de construir novos campi de universidades públicas, o governo federal utilizasse este dinheiro para comprar vagas nas universidades privadas, é claro, nas competentes, sérias e com boas notas na avaliação anual realizada pelo MEC. Os que acham que a opção da construção é melhor, cabe uma explicação, ou não?  

Este é, ou deveria de ser, um tema central em debates polí­ticos. Em época de eleição para presidente e governador de Estados e dos legisladores, o questionamento sobre o rumo dos ideais dos projetos de governo neste sentido é, talvez, um dos temas mais importantes e pragmáticos para serem respondidos e debatidos em seus fundamentos pelos candidatos í s cadeiras maiores do executivo e dos legislativos do paí­s e dos Estados. A sociedade deve querer saber se os candidatos preferem gastar mais em construçíµes de campi, ou se preferem usar os recursos públicos recolhidos dos impostos de seus cidadãos em compras de vagas em universidades já existentes. E deve cobrar a fundamentação de suas escolhas, pois nelas estarão os rumos que os mesmos polí­ticos pretendem dar í s polí­ticas públicas de Saúde, Segurança e Infraestrutura da nação e dos Estados federativos do Brasil.

 Se houvesse a opção mais pragmática de comprar vagas, certamente a Ulbra de Torres reativaria sua faculdade de Turismo em Torres. Atualmente, o aumento crescente das possibilidades dos brasileiros estudarem de graça é uma concorrência quase que mortal í s universidades que se estabelecem em regiíµes de famí­lias pobres ou de classe média como a do Litoral Norte.  


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