PRAí‡A PINHEIRO MACHADO: Um longo caminho entre a promessa e a realização

5 de dezembro de 2015

 

Prazo final para entrega da obra na praça seria no próximo dia 20 de dezembro. Mas apesar dos trabalhos estarem em andamento, muito falta a ser feito.


Por Guile Rocha
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Em março de 2014, o Jornal A FOLHA fez uma ronda pelas praças da cidade, relatando em matéria especial os problemas e as potencialidades desses importantes espaços de conví­vio público e turismo na cidade. Naquela época, 21 meses atrás, verificamos a situação de abandono da praça Pinheiro Machado – aquela da pista de Skate, após a lomba da Praia Grande. A cesta de basquete (coisa simples, mas que tanto já alegrou jogadores eventuais) havia sido arrancada. A região central da praça estava toda avariada. O playground também não existia mais. Uma placa lá estampada pedia compreensão dos visitantes, dizendo que o espaço seria revitalizado em 2014.

O então secretário municipal do Planejamento, Carlos Cechin, anunciava na época que   a praça – ao ser remodelada – teria novo playground e quadra de basquete, além do espelho d’água, bancos, lixeiras e plano paisagí­stico. O valor total anunciado para a obra foi de R$ 551.731,69. A maior parte da verba viria do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo, junto   com contrapartida da Prefeitura de Torres – no valor de R$ 161.737,73.

2014 de promessas…
2015 de atrasos

Entretanto,   2014 passou sem que a praça tivesse sequer começado as obras.  Fomos novamente atrás de explicaçíµes com Carlos Cechin, que disse que os projetos estavam OK junto a Caixa Econí´mica Federal (que libera os recursos). Mas as obras não começaram, e depois a prefeitura alegou a  impossibilidade de realizar obras durante o perí­odo eleitoral de 2014 (que foi até outubro).   Para além das justificativas, o que ocorreu – de fato – foi que  a praça mais vocacionada ao turismo de Torres entrou no veraneio de 2015 atirada.
A Pinheiro Machado do último veraneio até pí´de recepcionar a Feira de Artesãos de Torres, mas as tendas apenas camuflavam a destruição de sua área central abandonada, que também foi lar provisório para andarilhos. Com tudo isso, não surpreende que a praça tenha sido alvo de crí­tica de moradores e visitantes enquanto ficava a espera das anunciadas melhorias.
Enfim,   no dia 28 de março de 2015, foi anunciado pela Prefeitura o lançamento das obras na Praça Pinheiro Machado. Também foram anunciadas na data que a praça estaria adequada para í s regras de acessibilidade, teria espaço para instalação de um estabelecimento ao estilo café e com banheiros públicos (a serem construí­dos pela iniciativa privada, segundo sugestão da prefeitura). Os trabalhos, realizados pela CVS-Construçíµes (de Tramandaí­), tinham como previsão de término, desta vez, o dia 9 de setembro Mas, infelizmente sem surpresa, evidenciou-se que a entrega não ocorreria no prazo previsto. Durante todo o ano de 2015 a obra esteve vagarosamente se arrastando, mas a demora desta vez gerou preocupação maior do Legislativo.
Em reunião no último dia 09 de novembro, com o propósito de encaminhar solução para as obras   realizadas pela CVS Construçíµes – vencedora do processo licitatório não apenas da praça Pinheiro Machado, mas também do atrasado Posto de Saúde Central – o vereador petista Davino Lopes (Presidente da comissão de Infraestrutura da Câmara) cobrou uma solução. "A Comissão vem vistoriando as obras desde julho deste ano, e constatou que a morosidade e o desencontro de informaçíµes comprometem os trabalhos", relatou o vereador Davino. Afinal, ficou definido na reunião que o prazo de entrega definitivo para a Pinheiro Machado seria no dia 20 de dezembro – a tempo da temporada de veraneio.
Foram 21 meses que se passaram desde a primeira promessa. E agora, em dezembro, o cidadão que passar pela praça percebe que trabalhadores e máquinas estão, sim, empenhados na finalização dos trabalhos. Entretanto, é muito difí­cil de acreditar que tudo esteja pronto para o dia 20 de dezembro, como previsto: Até esta quarta-feira (02 de dezembro) não há nem sinal de lâmina d’água, playground ou quadra de basquete. Apenas um amorfo canteiro de obras instalado no local,  parte do calçamento e pavimentação sendo colocada.

Secretário de Planejamento explica na Câmara

E na última segunda-feira (30/11), o atua secretário de Planejamento do municí­pio, Ricardo ‘Casca’ Pereira, falou da situação da Praça Pinheiro Machado – ao ser convidado para ocupar a Tribuna da Câmara dos Vereadores de Torres. Casca, que está há 5 meses a frente da secretaria (em substituição a Carlos Cechin), afirmou novamente que mantêm-se a previsão de que a praça seja entregue até dia 20 de dezembro., Ele disse que a prefeitura analisou a possibilidade de entrar na justiça contra a CVS- Construçíµes pelos atrasos nas obras, mas que decidiu partir para uma solução mais amistosa (extensão do prazo de entrega) para garantir que a praça Pinheiro Machado fosse concluí­da o quanto antes.
O secretário de Planejamento de Torres fez ainda uma espécie de desabafo na Câmara, questionando o que considera uma  ‘malandragem’   praticada por certas empresas – ao firmarem contratos com a prefeitura. Segundo ele, há empresas que correntemente alegam a necessidade de suplementação orçamentária para as obras (gastos além dos especificado na licitação) e justificam demais os atrasos em decorrência de chuvas (para assim estenderem o prazo de entrega das obras).   Estas coisas realmente acontecem – e inclusive podem aparecer como cláusulas nos contratos – mas Ricardo ‘Casca’ Pereira deixou a entender que a prática torna-se abusiva contra a prefeitura.  

 

 

Praça na Lagoa do Violão não será concluí­da a tempo para o veraneio  

 

 

Cercada por fauna e flora em pleno centro de Torres, a Lagoa do Violão é um dos pontos de atração turí­stica e contemplativa mais apreciado na cidade. E dava dó ver que, em frente a este cartão postal, um gramadão (também chamado de Praça Alberto Teixeira da Rosa) se estendia há anos sem grande uso. Por isso que, lá em maio, noticiamos no jornal A FOLHA com muita satisfação: estavam finalmente começando as obras do largo da Lagoa do Violão – área do antigo Ginásio.O local, ficou marcado pelo ginásio municipal  – construí­do lá no começo dos anos 2000 – e virou elefante-branco após o Furação Catarina devastar sua estrutura. Abandonado por anos, a estrutura fantasma  ia se deteriorando enquanto servia de deposito de lixo, abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. Apenas em 2011 foi autorizada sua demolição. Enfim, o tempo passou e muito se pensou em relação ao que fazer no espaço, até que foi decidido pela atual gestão da prefeitura pela construção de uma praça.
Segundo informou a prefeitura, o projeto previa que a nova praça seria voltada para o esporte, contando com quadra poliesportiva cercada, playground, academia ao ar livre e cancha de bocha, além de área para café com banheiros(este a ser construí­do pela iniciativa privada). Haveria ainda espaços destinados para contemplação da Lagoa do Violão e eventos (inclusive sendo mantido espaço para a Feira Ecológica). O investimento previsto na Praça Alberto Teixeira da Rosa foi de R$ 406 mil   -sendo o repasse do Ministério do Esporte (a partir de emenda parlamentar da deputada Manuela D’ívila – PC do B) de R$ 292 mil, além da contrapartida da Prefeitura de R$ 124 mil.
A promessa inicial era de que as obras iriam começar em 2014, mas apenas um ano depois do previsto elas efetivamente tiveram princí­pio. Uma placa federal, até hoje lá encravada, anunciava o término das obras para julho de 2015. Uma matéria da prefeitura de Torres anunciava – em junho deste ano – que a praça deveria estar finalizada até outubro.     Entretanto,  a empresa vencedora no processo licitatório (Construlix Construçíµes Saneamento Ltda, de Viamão) não conseguiu cumprir o prazo. As obras – quando andam – vão a passos de tartaruga. E o local que poderia ser atrativo turí­stico para o próximo verão será apenas mais um canteiro de obras í  beira da Lagoa do Violão.


 


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