PREVENTIVO DE Cí‚NCER DO COLO UTERINO: O QUE TODA MULHER DEVE SABER

16 de outubro de 2015

Por Karin Hamerski Madeira Schaefer (Mestre em Saúde e Gestão do Trabalho)e Leandra Carlos da Rosa (Acadêmica do 9 º semestre do Curso de Enfermagem, ULBRA/Torres).

 

O exame citopatológico ou papanicolau, popularmente conhecido como preventivo do câncer de colo de útero é um dos mais importantes exames para a saúde da mulher. Este exame é simples e tem reduzido as mortes por câncer de colo de útero em 70%, desde sua criação pelo Dr. George Papanicolau em 1940. O sucesso do exame se deve í  detecção segura e rápida de células que predispíµem o câncer de colo uterino, além de algumas doenças sexualmente transmissí­veis (DST).

O Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer (INCA), definiu que, no Brasil, o exame colpocitológico deve ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade ou em mulheres com idade inferior a 25 anos, que iniciaram a atividade sexual antes desta faixa etária.

Os principais fatores de risco identificados para este tipo de câncer estão associados í s baixas condiçíµes socioeconí´micas, ao iní­cio da atividade sexual, í  multiplicidade de parceiros, ao tabagismo (diretamente relacionados í  quantidade de cigarros fumados), í  higiene í­ntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais.

Estudos recentes apontam que o ví­rus papiloma humano (HPV) tem papel importante no desenvolvimento da neoplasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. Este ví­rus está presente em mais de 90% dos casos de cânceres do colo do útero. A transmissão da infecção pelo HPV ocorre por via sexual, presumidamente por meio de abrasíµes microscópicas na mucosa ou na pele da região anogenital. Consequentemente, o uso de preservativos (camisinha) durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer por intermédio do contato com a pele da vulva, a região perineal, a perianal e a bolsa escrotal.

A infecção pelo HPV apresenta-se na maioria das vezes de forma assintomática, com lesíµes subclí­nicas (inaparentes), já as lesíµes clí­nicas podem ser únicas ou múltiplas, restritas ou difusas, de tamanho variável,planas ou exofí­ticas, sendo também conhecidas como condiloma acuminado, verruga genital ou crista de galo. As lesíµes aparecem com maior frequência na vulva, no perí­neo, na região perianal, na vagina e no colo do útero. Menos comumente podem estar presentes em áreas extragenitais como conjuntiva, mucosa nasal, oral e larí­ngea. Dependendo do tamanho e localização anatí´mica, as lesíµes podem ser dolorosas, friáveis e/ou pruriginosas.

As lesíµes precursoras do câncer do colo do útero são assintomáticas, podendo ser detectadas por meio da realização periódica do exame citopatológico e confirmadas pela colposcopia e exame histopatológico. No estágio invasor da doença os principais sintomas são sangramento vaginal (espontâneo, após relação sexual ou esforço), corrimento e dor pélvica, que podem estar associados com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.

Para prevenir a doença já existem duas vacinas aprovadas e comercialmente disponí­veis no Brasil: a bivalente, que protege contra os tipos oncogênicos 16 e 18, e a quadrivalente, que protege contra os tipos não oncogênicos 6 e 11 e os tipos oncogênicos 16 e 18.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2007), uma das estratégias para a detecção precoce é o rastreamento, que é realizado através do exame citopatológico em mulheres assintomáticas, aparentemente saudáveis, com objetivo de identificar lesíµes precursoras ou sugestivas de câncer e encaminhá-las para investigação e tratamento.

As recomendaçíµes prévias para a coleta do exame citopatológico são:

Não utilizar lubrificantes, espermicidas ou medicamentos vaginais 48 horas antes da coleta, pois essas substâncias recobrem os elementos celulares dificultando a avaliação microscópica, prejudicando a qualidade da amostra.

Evitar a realização de exames intravaginais, como a ultrassonografia, 48 horas anteriores í  coleta, pois é utilizado gel para a introdução do transdutor.

Não realizar o exame no perí­odo menstrual, pois a presença de sangue pode prejudicar o diagnóstico citopatológico. Deve-se aguardar o quinto dia após o término da menstruação.

Embora usual, a recomendação de abstinência sexual prévia ao exame só é justificada quando são utilizados preservativos com lubrificante ou espermicidas. Na prática a presença de espermatozoides não compromete a avaliação microscópica.

 

 


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