FOTO: Projeto atendendo cerca de 80 alunos do colégio Maria Imaculada, de Porto Alegre
Iniciativa é realizada com grupos de alunos de várias idades e localidades do estado
Por Maiara Raupp
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A cada ano que passa as crianças estão mais presas dentro de suas casas. Enquanto nas décadas passadas os pequenos tinham mais autonomia para brincar na rua e até mesmo se deslocar sozinhos, hoje os pais têm que lidar com o medo da violência, do trânsito e de pessoas estranhas. Desta forma, ficar dentro de casa é a opção mais prática, mas não a melhor delas, segundo o escritor do jornal britânico The Guardian, George Monbiot. Essa falta de contato das crianças atuais com a natureza traz sérias consequências em diversas esferas, disse ele.
No Reino Unido, por exemplo, apenas uma em cada dez crianças tem o hábito de praticar atividades ao ar livre em ambiente natural. Em contrapartida, os adolescentes que têm entre 11 e 15 anos gastam metade do dia em frente a uma tela, seja ela de computador, televisão ou smartphone. A situação é semelhante em diversas partes do mundo e esse novo hábito ˜doméstico™ é perigoso, principalmente para a saúde. A inatividade dos jovens resulta em doenças como diabetes, obesidade, raquitismo e declínio das habilidades cardiorrespiratórias. Muitos desses problemas seriam evitados se as brincadeiras em meio í natureza fossem mantidas. Isso é possível verificar em um estudo conduzido pela Universidade de Illinois, nos EUA. A pesquisa mostra que brincar na grama, entre árvores, ajuda até mesmo a reduzir os sintomas do déficit de atenção e dos problemas de hiperatividade, afirmou George.
O escritor falou ainda que além da saúde, a falta de contato das novas geraçíµes com a natureza pode se transformar em um problema muito maior. Como ter cuidado ou se preocupar com algo que você não conhece e não tem intimidade?, indagou George. Para ele, os ativistas ambientais costumam ser pessoas que passaram a infância imersos na natureza. Sem um sentimento pelo mundo natural e sua função, sem uma intensidade de envolvimento nas experiências da infância, as pessoas não vão dedicar suas vidas í proteção, conclui o escritor.
Projeto Caranguejo Fantasma
Foi pensando em promover o conhecimento para que, consequentemente, se preserve mais – além de transformar o meio ambiente em uma grande sala de aula – que o biólogo Francis Custódio criou em Torres o projeto Caranguejo Fantasma. O projeto tem como objetivo, enquanto proposta de Educação Ambiental, demonstrar aos professores e coordenadores pedagógicos como é possível aliar conteúdos do currículo escolar í s questíµes ambientais de forma prática e prazerosa. Além disso, o projeto visa despertar nos alunos a sensibilidade para essas questíµes ambientais, através da própria observação, o que desperta neles um espírito investigativo, característica que está cada vez menos presente nos ambientes escolares, explicou Francis.
Na última segunda-feira (2 de maio), o projeto atendeu cerca de 80 alunos da escola Maria Imaculada, de Porto Alegre. O grupo saiu rumo ao Morro das Furnas, observando as belezas naturais do local, além de, ao ar livre, com a brisa do mar, e uma vista maravilhosa, obterem informaçíµes com relação aos ecossistemas da região e as formaçíµes geológicas, sendo todas ilustradas na prática. Após a trilha pelo morro e pelo Parque da Guarita, o grupo foi levado para conhecer outras praias da cidade.
Na parte noturna, os alunos fizeram a caça ao caranguejo fantasma – cujo nome científico é Ocypodequadrata – um pequeno crustáceo que habita todo o litoral brasileiro, sendo responsável por comer toda a matéria orgânica depositada nas áreas de praias. O pequeno animal é conhecido também como o lixeiro das praias porque desempenha importante papel de limpeza e manutenção dos ecossistemas costeiros. Leva o nome de Fantasma porque é de coloração muito clara e é visto somente í noite, com lanterna e uma dose de sorte! Por isso, a busca pelo Caranguejo Fantasma é muito divertida e não foi diferente para os alunos do Maria Imaculada.
Na terça-feira (3), o grupo de alunos foi se aventurar no Morro dos Macacos, uma propriedade rural e particular que beira a Lagoa de Sombrio (SC), preservada por um agricultor. í‰ uma área que possui trilhas no interior da Mata Atlântica, sendo a pacífica convivência entre macacos-prego (do gênero Sapujus) e seres humanos – o ponto principal do passeio, já que é permitida a alimentação dos receptivos animais.
Os alunos do colégio Maria Imaculada ficaram encantados com as descobertas, questionando muito o biólogo Francis e a geóloga Kátia Storchi. Não é a toa que todo ano os professores do colégio procuram trazer grupos para essa atividade.
FOTO: Aliar teoria e prática é umas das melhores formas de educar para preservar
Parcerias municipais
í‰ intrigante que nenhuma escola da rede de ensino de Torres tenha se interessado ainda em realizar esse projeto com os alunos do próprio município. Atendemos escolas de várias cidades, principalmente da serra gaúcha, litoral e região metropolitana de Porto Alegre, mas de Torres ainda não. Seria perfeito mostrar para os que são da terra, a sua importância e características. Assim poderíamos conscientizar mais e preservar mais. Porque a partir do contato real com a natureza, a sensibilidade fica muito maior. Além disso, os alunos captam essas noçíµes e passam o que aprendem para os familiares e amigos, garantiu Francis, confessando que faltam apenas parcerias para isso.
Mais informaçíµes sobre o projeto pelos telefones (51) 8422-9530/ (51) 8165-2756 ou pelo e-mail francis.bio.custodio@gmail.com.
Mais informaçíµes sobre o projeto pelos telefones (51) 8422-9530/ (51) 8165-2756 ou pelo e-mail francis.bio.custodio@gmail.com.


