Uma das famílias adentrou em casa abandonada e em ruinas (foto.) Lá eles arrumaram o que puderam e transformaram o local em sua moradia.
Por Guile Rocha
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No dia 19 de julho, ocorreu a ação de reintegração de posse que demoliu casebres de dezenas de invasores que realizavam ocupaçíµes irregulares em terrenos (públicos e privados) de Torres. As pessoas que não tinham para onde ir foram provisoriamente encaminhadas para o ginásio da Escola Zona Sul.
Porém, as vinte pessoas (entre adultos e crianças) que estavam abrigados no ginásio tiveram de deixar o local até o último final de semana. Os últimos remanescentes foram ‘despejados’ do local onde ficaram (por cerca de 10 dias) porque as aulas da escola Zona Sul recomeçaram, e os alunos/professores precisam do espaço para realizar suas atividades normais.
O jornal A FOLHA conversou novamente com D.R. – uma das pessoas que teve que deixar primeiro a ocupação irregular, e após o ginásio escolar que lhe servia de abrigo improvisado (juntamente com a família). "Teve que ir cada um para o seu lado, sem saber o que fazer", lamenta D. "Eu e meu marido realmente não temos onde ficar. Acabamos entrando em uma casa que estava abandonada há 12 anos. Vamos ficar por lá por enquanto". D. nos enviou fotos da casa desocupada em que estão vivendo, e as imagens realmente atestavam que o local parece abandonado há tempos, estando quase em ruínas, com janelas quebradas, telhado, piso e paredes danificados, entulhos espalhados. Dois dias depois, entretanto, já estava mais arrumada, com um ar de moradia (embora sem água nem luz).
Conforme recordou D., o grupo alojado provisoriamente no Ginásio Zona Sul havia marcado uma reunião, diretamente com a prefeita Nílvia Pinto Pereira e outros representantes da municipalidade, para a sexta-feira passada (29/7). Mas no encontro, a prefeita não teria comparecido. "Quem falou com a gente foi a Carla (Macam) do Gabinete e o Maurinho (Martins de Almeida). Falaram que não tinham o que fazer por nós. Que o dinheiro do Minha Casa Miha Vida estava liberado, mas que não poderiam mexer agora porque é ano eleitoral" relatou.
Sem promessas para os invasores, conforme prefeita
No dia 20 de julho, ao ser consultada pelo jornal A FOLHA sobre uma possível concessão de moradias para os invasores, Nílvia Pereira lembrou que o município tem um cadastro de mais de 1000 famílias esperando por habitaçíµes através do programa Minha Casa Minha Vida – muitas dessas há anos na fila. "Quando estive em reunião (com os invasores), sempre deixei claro para todos que o município de Torres – se fosse garantir casas para alguém – garantiria primeiro pra os que estavam cadastrados anteriormente a data da invasão (no Programa Minha Casa Minha Vida). Nenhuma promessa foi feita pra este povo, de que eles conseguiriam casa se invadissem", havia dito Nílvia Pereira. Na oportunidade, a prefeita de Torres ainda ressaltava que foi realizado um levantamento dos invasores pela municipalidade, sendo que apenas 3 famílias estariam efetivamente cadastradas no Programa Minha Casa Minha Vida.


