Em Torres, sensei mais graduado do RS éhomenageado por ex-alunos com treino surpresa

2 de fevereiro de 2016

 

Oswaldo Monteiro (ao centro) é uma das maiores referências do judí´ gaúcho

 

 Em meio a um  fim de semana  complicado em razão do forte temporal que caiu sobre Porto Alegre na noite de sexta-feira, uma notí­cia boa. Um grupo de ex-alunos do professor Oswaldo Monteiro realizou uma homenagem ao antigo sensei, que hoje sofre de carcinoma. O ato ocorreu em Torres, onde o professor mora atualmente, e reuniu cerca de 40 alunos.

Como discí­pulo do sensei Oswaldo, resolvi resgatar os alunos que ele firmou nos anos 80 no Grêmio e fazer uma homenagem ainda em  vida, conta Marcelo Martins, o faixa preta 3 º dan que organizou o evento. Ele revela que acertou com um amigo o empréstimo da academia Lotus Clube e levou o professor para lá: Nesse momento o professor Oswaldo foi surpreendido e presenteado com uma placa de agradecimento. Para Marcelo, a homenagem se tratou de um momento histórico para o judí´ gaúcho, uma homenagem ainda em vida ao  professor, que é o mais graduado do Rio Grande do Sul: nono dan. (A homenagem) fez muitos de nós chorar. Somos muito agradecidos, não apenas pela formação no judí´, mas pela formação social, ressalta.

Depois da entrega da placa, Marcelo ministrou um  treino  sob a supervisão do sensei Oswaldo, que permaneceu no local, observando os ex-alunos. Em seguida, todos foram para um almoço de confraternização no Passo de Torres, na divisa entre Rio Grade do Sul e Santa Catarina. Também posaram para fotos, todos juntos, tanto no tatame quanto fora dele (e com a bandeira do Grêmio, clube pelo qual Oswaldo atuou por muitos anos). Além de Marcelo, participaram da aula e homenagem: José Alexandre Brito, Roger Gloeden, José Anélio, Jeferson Neil, Tio Ari, Jorge Sá, Torben Borges, Clodoaldo Rodrigues, Willy Schneider, Marcelo Mansilha, ílvaro Couto e Rafael Brito.

 

 

FOTO: Professor foi homenageado em Torres por ex-alunos

 

 

A extensa biografia do Sensei Oswaldo

 

Iniciou no judí´ em abril de 1957, como já tinha passado no concurso da Guarda Civil da época, resolveu fazer judí´ com um colega que já era faixa roxa, na academia do professor Loanzi. Iniciou na faixa branca aos 23 anos. Uns anos depois foi transferido para a Polí­cia de Choque, assim tendo que ir para São Paulo, competir já com a faixa marrom, ficando lá por algum tempo. Forjado nos tatames mais nipí´nicos da época no Brasil, em São Paulo, adquiriu rapidamente as graduaçíµes, por aprender junto a japoneses natos, oriundos da grande imigração ocorrida para São Paulo. Iniciou na academia do professor Ogawa, no bairro da Liberdade, onde recebeu a faixa preta. Depois de um ano com o professor Ogawa, retornou a Porto Alegre.

Funcionário público na área da segurança, em 1962 Oswaldo recebeu o convite do Coronel Pedro Américo Leal para fazer parte do corpo docente da Academia de Polí­cia que se chamava í  época Escola de Polí­cia. A partir dai iniciou-se seu lecionado, passando por Exército, Brigada Militar, Polí­cia de Choque e dava aula na Academia de Polí­cia, inclusive foi escolhido a dar aulas aos delegados e sendo o paraninfo deste grupo.

O primeiro clube onde ministrou aulas foi na Escola Rui Barbosa, ficando 26 anos. Foi primeiro professor do Leopoldina Juvenil, no SESC de Porto Alegre, clube Cruzeiro e Grêmio Futebol Porto Alegrense. Em matéria para o ‘Portal do Judí´’, Oswaldo lembra que, em uma gestão da Federação Gaúcha de Judí´, era promovido o intercâmbio entre os clubes: "Assim todos tinham o acesso, a treinar em clubes diferentes. Esse intercâmbio era entre alunos e professores, isso ajudava muito e unificava o judí´. Nesse tempo, os atletas que se destacavam estavam no Esparta, Internacional e no Rui Barbosa, tinham excelentes atletas e um ní­vel fantástico. Os torneios eram divididos por faixa, não por peso, era bem mais difí­cil. Lembro de um judoca: o Nilton Santos, que era muito bom de quadril, não importava muito o tamanho e o peso do adversário".

Oswaldo formou muitos professores e alguns nomes de peso do judí´ gaúcho passaram pelos tatames junto com o sensei – assim como assistentes ou alunos da faixa branca, como o professor Marcelo Xavier (desde a faixa branca), professor Breno Jones (que trabalhou junto na FGJ), entre tantos outros. Entre os atletas formados por Oswaldo estão Luí­s Henrique e o Emir – ambos de Caxias do Sul, campeíµes pan-americanos. Como competidor não teve uma relevância muito grande e projeção, mas na arte de professor Oswaldo Monteiro é mestre.

Na Serra Gaúcha foi onde Oswaldo formou o maior número de alunos. Ele não lembra quantos são, mas afirma serem muitos. Quando atuou em Caxias do Sul pela primeira vez, em 1974, (onde afirma ter ‘fundado’ o judí´ na cidade), formou muitos atletas. Quem mostrou empenho nesta época foi o sensei Fernando Kuse, que hoje é Kodansha. Mas para o Portal do Judí´, o sensei Oswaldolembrou de muitos outros nomes também passaram por suas mãos, como: sensei Luí­s Alberto Moraes, Cid Rodrigues Júnior, Almerindo Batista, Sérgio Zimmermann, Cleto Mendes, Breno Jones, Antí´nio Irigaray, Luiz Escandiel (Tatu), Antí´nio Carlos (Kiko) e Carlos Matias.

Em 1987, após muitos anos atuando em Porto Alegre junto ao Grêmio, o sensei Osvaldo foi emprestado ao Recreio da Juventude (de Caxias do Sul). E pelo clube caxiense foi campeão Brasileiro em 1990. Lá também recebeu o nono grau. "Eu tinha uma equipe forte, e respaldo do clube. Lembro que, em uma determinada época, meus alunos iniciavam os treinamentos í s cinco horas da manhã. Eram turnos integrais, depois da escola os alunos voltavam para praticar o randori, esse treinamento era realizado somente para os competidores". informou o sensei para o ‘Portal do Judí´’.

Atualmente, aos 81 anos, o Kodansha mais graduado do Rio Grande do Sul mora em Torres.

 

 

*Com informaçíµes de Tiago Medina  (Federação Gaúcha de Judí´) e Portal do Judí´


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