SITUAí‡íO DELICADA DO LAR DOS VELHINHOS EXPLICADA PELA GESTORA DO ESPAí‡O

16 de outubro de 2015

 

Sonia Cafrune (na tribuna na foto) foi í  Câmara dos Vereadores falar sobre dificuldades financeiras da SLAVE, que luta para sua manutenção  

 

Por Guile Rocha

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No último dia 05 de outubro, participou da tribuna popular   da Câmara de Torres,   Sí´nia Cafrune,  administradora da Sociedade Lar dos Velhinhos de Torres (SLAVE). Atuando efetivamente na cidade desde 1980, a instituição voltada para receber idosos atualmente acolhe 22 velhinhos e tem 11 funcionários fixos. Entretanto, passa por certos problemas financeiros e dificuldades na administração. E foi para esclarecer esta situação que a gestora da SLAVE se manifestou aos vereadores e a comunidade torrense.

Segundo Sí´nia Cafrune – figura emblemática na cidade pelo trabalho junto ao Lar dos Velhinhos, e que recentemente voltou a gestão do local – a situação financeira do espaço estava muito difí­cil. "Me afastei por quase 20 anos e fui chamado novamente para ajudar.  A SLAVE estava prestes a fechar em função de uma dí­vida de cerca de 230 mil reais – referente principalmente a causas trabalhistas (por problemas no pagamento do INSS e FGTS). Consegui parcelar o pagamento da dí­vida, e buscamos agora uma certidão negativa na receita para regularizar a situação e, pelo menos, ver diminuí­dos os valores da dí­vida" explicou, detalhando que o problema administrativo veio de gestíµes anteriores – sendo que houve uma, em particular, onde a então administradora do Lar dos Velhinhos acabou falecendo e a prestação de contas ficou em grande desordem.

 

Contas não fecham

 

No ano de 2013, o Lar dos Velhinhos já perdeu o caráter filantrópico. E a situação do tradicional estabelecimento para idosos está ainda mais complicada atualmente, pois as pessoas/entidades não estão autorizadas a firmar convênios junto ao SLAVE em decorrência dos processos administrativos contra o espaço, conforme sentenciou Sí´nia. "Até golpe a instituição já recebeu. Ano passado fizemos um bingo (para angariar fundos), mas o grupo que organizou o ato não repassou o dinheiro, sumiu e eu acabei sendo denunciada, tendo contas bloqueadas", lamenta a gestora. "Estou constrangida, uma moça queria fazer uma janta e doar a renda para lá, mas pedi para não fazer enquanto não regularizar a situação".

A gestora do Lar dos Velhinhos indica que a maioria dos moradores que lá estão pagam menos que os dois salários (R$ 1576) que são cobrados como mensalidade. "Assim, enquanto nossa arrecadação mensal é de R$ 22 mil, nossas despesas são de R$30 mil. Por isso a conta não fecha", explicou Sí´nia, lembrando que a instituição recebe pessoas com sérios problemas fí­sicos – principalmente sequelas do AVC e Alzheimer. "São poucos os lúcidos hoje por lá. Penso que deverí­amos duplicar as capacidades, mas há problema pelo lado orçamentário".

Conforme relatou Sí´nia, hoje o espaço para idosos conta em seu quadro de funcionários com duas enfermeiras (que se revezam em plantão), duas cozinheiras, duas mulheres responsáveis limpeza, quatro cuidadoras e uma responsável pela lavanderia. "Havia ainda uma secretária,   mas ela teve que sair em decorrência das dificuldades financeiras. As dificuldades maiores ocorrem porque não é apenas os salários dos funcionários que temos que pagar, mas há também os direitos trabalhistas, 13 ° salário", explica Sí´nia Cafrune. Quanto a participação da Prefeitura, atualmente resume-se na disponibilização de uma médica que, mensalmente, vai fazer uma visita para checar a situação dos medicamentos.

 

Parceria da comunidade

 

Mas se os tempos são difí­ceis,  a comunidade auxilia na manutenção do Lar dos Velhinhos, segundo informa Sí´nia Cafrune. "Somos agraciadas com verba angariada em  eventos beneficentes  – como o Chá das Rosas e o Homem da Cozinha (do Rotari), nesse ano – para complementar as despesas. Recebemos recentemente um veí­culo como doação (mas que precisa ser reformado).  Contamos ainda com convênio com a ULBRA-Torres – para serviços de fisioterapia, enfermagem e psicologia prestados aos idosos – e os técnicos em enfermagem da Escola Santa Rita também participam. A comunidade no geral também se faz presente: há igrejas que fazem reuniíµes, as creches e escolas também vão visitar".

E o pronunciamento da gestora do SLAVE acabou sensibilizando os vereadores e a comunidade que ouviam a sessão da Câmara de Torres. O pessoal dos ‘Malucos da Internet’ (grupo formado no Facebook) – em nome da cidadã Claudia Leite – disponibilizou a casa de eventos Hangar para fazer alguma ação em prol do lar. O Lyons Clube também vai tentar ajudar a instituição, segundo informou o vereador Alessandro Bauer.

Mas apesar de ‘faltarem pernas’ do ponto de vista financeiro, Sí´nia Cafrune indica que os idosos no local são muito bem tratados e recebem atenção. "Eles tem sua rotina, a maioria considera a SLAVE realmente como seu lar. Faço inclusive um convite para que a sociedade participe, veja de perto nossa situação", finalizou a gestora do Lar dos Velhinhos.


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