SUBMARINOS NAZISTAS NA ITAPEVA?

9 de agosto de 2016


Submarino nazista igual ao bombardeado no ano de 1942 próximo a Araranguá (SC)

 

Por Roni Dalpiaz
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Começo este texto com a lembrança de uma conversa que tive anos atrás com o seu João Barcelos. Nesta conversa falamos sobre Torres antiga e ele, muito conhecedor do assunto, me deu várias informaçíµes. Uma delas foi a respeito da possibilidade de ter passado por nossas águas alguns submarinos alemães, inclusive sobre o afundamento de um deles em nossa costa.
Em 1978 a Prefeitura Municipal de Torres lançou o Mapa Histórico de Torres criado por Dante de Laytano comemorativo ao centenário da criação do municí­pio (1878 – 1978). Neste mapa, entre outros eventos históricos, havia o desenho de um submarino afundando, perto da Ilha dos Lobos com a seguinte descrição: 1943- Afundamento de um submarino nazista pela F.A.B..
Para reforçar esta tese, em 15 de julho de 2011 foram encontrados a 75 metros de profundidade no litoral catarinense (próximo í s praias de São Francisco do Sul-SC), os restos do submarino alemão U513, afundado por um avião americano em águas territoriais brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial. O submarino afundou no dia 19 de julho de 1943 em consequência de um bombardeio do avião Martin PBM da Marinha americana, deixando 46 tripulantes mortos e apenas sete sobreviventes, incluindo seu comandante. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram afundados em águas brasileiras 11 submarinos alemães. Vários grupos de arqueologia submarina desenvolvem trabalhos de pesquisa documental para tentar achá-los, mas o U513 é o primeiro a ser encontrado.
Em 26 de Agosto de 1942 um avião da FAB decolou da base aérea de Canoas-RS e bombardeou um submarino alemão perto de Araranguá-SC (deveria ser entre Morro dos Conventos e Arroio do Silva, pois pertenciam ao municí­pio de Araranguá) que devido as avarias, adernou. O avião sofreu com os estilhaços da bomba que atingiu o submarino, tendo que forçar sua descida na cidade de Osório-RS.
O primeiro submarino foi afundado no mesmo ano do que o de Torres e o segundo foi mais próximo de Torres, mas um ano antes. Isto não prova nada, mas ajuda a embasar a tese de que realmente passaram submarinos nazistas por nossas águas.
O morro da Itapeva parece que já foi um lugar estratégico para Torres. Na época da Segunda Guerra Mundial Torres estava, como vimos, na rota dos submarinos Alemães e dizem que até podem ter parado por aqui, próximo ao morro da Itapeva.
Sabe-se que durante a segunda Guerra Mundial, Torres sofria apagíµes e dizem que estes eventos estavam relacionados com as sinalizaçíµes que aconteciam no morro da Itapeva. Esses sinais eram feitos por alguém que estava em cima do morro da Itapeva e que aproveitava os apagíµes da cidade para isso (ou o contrário, apagava as luzes da cidade para emitir os sinais ficando mais visí­vel do mar?). Dizem até que o famoso Picoral teria ligaçíµes com os alemães (e o nazismo) e por este motivo seria, mais tarde, confiscado o seu famoso Quadrado Picoral pelo governo estadual. Nesta época, coincidentemente, era o Balneário Picoral quem fornecia eletricidade para a cidade.
Isto tudo podem ser apenas ilaçíµes, porém existia um conjunto de casas no morro da Itapeva onde moravam alguns alemães. Algumas dessas casas ficavam no alto do morro e em uma delas, logo na entrada, havia uma prateleira muito grande, com um fundo falso. Atrás desta prateleira havia um grande vão coberto com um marco de madeira esculpida que levava para uma sala um ní­vel abaixo da casa. O marco divisório da casa para o porão era todo esculpido com pequenas suásticas nazistas em todo o seu entorno. Este trabalho pode ter sido feito por algum dos serviçais torrenses desses alemães no perí­odo da segunda grande guerra. No sopé do morro havia uma casa conhecida como hotel dos Black. Esta casa era de alvenaria e do lado de fora, descendo uma escada de três degraus, existia um grande avarandado com vários apartamentos, porta e janela alinhados, com um corredor no meio. Muitos confundiam e até chamavam esta casa de hotel, mas na verdade se tratava de uma hospedaria ou um albergue, que dizem estar relacionado com a estadia de pessoas de origem alemã vinda dos submarinos. As luzes da Itapeva, também estavam conectadas com os relatos sobre os submarinos alemães que emergiram enviando homens de bote até a costa junto as pedras. Esses alemães possivelmente foram recebidos por estes moradores que os presentearam com roupas de tricí´, comida e mantimentos, além de abrigá-los.
Com a criação do Parque da Itapeva o estado desapropriou várias propriedades no morro da Itapeva, inclusive as casas dos alemães. Hoje ainda é possí­vel localizar as casas entrando no parque, porém de fora as casas e os terrenos que circundam o antigo camping ficaram escondidas pela vegetação, que não existia anteriormente.
O tema nazismo e submarinos é sempre interessante e polêmico. Histórias, lendas, verdade ou mentira. Narrativas tantas vezes replicadas podem ser confundidas ou desvirtuadas.
Talvez um dia, assim como o submarino encontrado na costa catarinense, o nosso submarino afundado também seja localizado e com ele sejam trazidas í  luz as histórias sobre este tema, que ainda estão submersas ou escondidas pela vegetação.
Estima-se que 71.467 cidadãos alemães emigraram da Alemanha para o Brasil no perí­odo compreendido entre 1919 e 1934. Deste número, 25 mil alemães vieram para o Rio Grande do Sul. Dos três milhíµes de gaúchos contabilizados no final dos anos 1930, 620.000 já possuí­am sangue alemão. Os ideais do partido nazista logo se propagaram pelo mundo, chegando inclusive ao Brasil. Células do partido começaram a espalhar-se pelo Rio Grande do Sul,  em cidades como Porto Alegre, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Apesar do baixo número de filiados, eram muitos os simpatizantes. Por todo o Estado, adeptos da ideologia nazista reuniam-se para ouvir os discursos do Fuhrer diretamente de Berlim. Além do povo, o governador do Rio Grande do Sul na época, general Flores da Cunha também simpatizava com os ideais trazidos da Alemanha.  

Este texto foi escrito com base em fontes que preferiram manter-se em sigilo e também das seguintes: Adalberto Day. Submarinos alemães: mitos ou lendas. Blogspot; Site Globo.com. Submarino nazista afundado é encontrado no litoral catarinense; Rudinei Dias da Cunha. Uma breve história de avião de patrulha da FAB na segunda guerra mundial; João Barcelos. Blogspot.


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