$Uma matéria com alto grau de repercussão e com chamada de capa veiculada em Zero Hora no último domingo mostrou que todos os municípios do Rio Grande do Sul cumprem com suas metas legais de investimento em Saúde e Educação. Mas a matéria critica as cidades. O viés da reportagem culpa as gestíµes municipais pelos maus resultados qualitativos de atendimento í população nestes itens.
Todas as prefeituras do Rio Grande do Sul, com exceção de uma, investiram o mínimo ou até mais do que o exigido por lei em saúde e educação no último ano. Se a notícia soa como um alento, especialistas alertam para algo que os números não mostram: a má qualidade da gestão pública, que acaba minando os resultados ou fazendo com que demorem a aparecer, diz Zero Hora na matéria.
Confederação Nacional dos Municípios aponta sobrecarga das prefeituras
Em média, os municípios gaúchos destinaram 29% da receita líquida para o ensino em 2012. Torres, aqui no Litoral, por exemplo, investiu mais de 28% do Orçamento em Educação (quando a lei exige 25%); e investiu mais de 18% em Saúde (quando a lei exige 15%). Embora o índice supere o percentual exigido por lei, os prefeitos reclamam da falta de recursos e consideram baixos os valores repassados pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Até defensor dos prefeitos reclama dos próprios prefeitos
Até o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, reconhece que existem deficiências de gestão. Segundo ele, um bom professor nem sempre é um bom secretário municipal, e nem todos os prefeitos se dão conta desse paradoxo ao escolher um integrante do magistério para comandar o setor. Apesar disso, ele argumenta que os administradores fazem o que podem, diz a matéria de Zero Hora.
Governo Estadual e Federal não cumprem o que manda a Constituição
Mas a matéria sequer falou do mais importante. í‰ que a cada dia que passa há uma incidência maior de cobranças (inclusive jurídicas) para que os direitos dos cidadãos sejam cumpridos. E é nos municípios que estes cidadãos vivem; í‰ lá também que eles reclamam na justiça por direitos í leitos em Hospitais; a vagas em creches, a vagas em clínicas de recuperação de drogados, dentre outros direitos constitucionais. E os governos, o Estadual e o Federal, não cumprem o que a lei constituída exige que invistam em Saúde e Educação. Deixa na mão do município a obrigação de resolver sozinhos os embates. í‰ por isso que a maioria até ultrapassa o exigido por lei. Ninguém é bonzinho nesta história: trata-se de fazer por osmose.
Incrivelmente, Zero Hora sequer tocou neste assunto, uma tendência a fomentar para que se mantenha a centralização forçada das decisíµes e recursos nos governos federais e estaduais (que dão verba a ZH e outros jornais estaduais e federais) e que se jogue a culpa das mazelas do sistema no primo pobre dos tributos: o município.
Abaixo os índices de aplicação em Saúde e Educação de algumas cidades do entorno de Torres. Colocamos também a cidade de Gramado: turística e de tamanho similar ao de Torres, para uma analise mais apurada do leitor de A FOLHA.
TORRES
EDUCAí‡íƒO – 28,39%
INVESIMENTO PER CAPITA – R$ 411,71
Saúde – 18,02%
INVESTIMENTO PE R CAPITA R$ 258,10
TRíŠS CACHOEIRAS:
EDUCAí‡íƒO – 33,03%
SAíšDE – 24,75 %
ARROIO DO SAL:
EDUCAí‡íƒO – 26,23%
SAíšDE – 20,75%
DOM PEDRO DE ALCí‚NTARA:
EDUCAí‡íƒO – 29,65%
SAíšDE – 19,43%
MAMPITUBA:
EDUCAí‡íƒO – 28,02%
SAíšDE – 18,50%
MORRINHOS DO SUL:
EDUCAí‡íƒO – 34,80%
SAíšDE – 19,15%
TERRA DE AREIA:
EDUCAí‡íƒO – 28,12%
SAíšDE – 22,09%
GRAMADO
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EDUCAí‡íƒO – 27,27% |
SAíšDE – 18,97% |


