UM PRí‰DIO ABANDONADO NO MORRO DO FAROL (Parte 2)

14 de março de 2016

 

 Este patrimí´nio histórico de Torres já está há 5 anos inutilizado

 

Por Guile Rocha

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Na semana passada, publicamos no jornal A FOHA a matéria em relação ao abandono e descaso do prédio que abrigava, até 2011, a Escola Cenecista. Já são 5 anos de inutilidade para o prédio, localizado em um estratégico ponto turí­stico torrense, sobre o Morro do Farol.

Foram muitos os comentários sobre o assunto nas redes sociais, onde o jornal A FOLHA viu a matéria ser compartilhada mais de 100 vezes. Reclamaçíµes de que o local teria se tornado um "sub-mundo das drogas", e também questionamentos aos polí­ticos que não tomaram providência quanto ao uso do prédio.   Surgiu a idéia de se fazer um restaurante panorâmico por lá, e a lembrança dos tempos de festa do Gimi’s Drink Bar (que funcionou no prédio até o começo dos anos 2000). Alguns exemplos das manifestaçíµes dos cidadãos em relação ao patrimí´nio torrense abandonado. A leitora Elza Dolores da Silva lembrou que, "bem antes de ser uma escola técnica, ali (no prédio sobre o Morro do Farol)   se instalava a Escola Marcí­lio Dias, onde estudei da 1 ª a 4 ª séries".

O prédio é antigo. Registra utilização desde um projeto chamado Grupo Escolar e Colí´nia de Férias, que se iniciou no prédio entre 1937/1938. Remete a uma arquitetura escolar do perí­odo do Estado Novo da Era Vargas.  Hoje, está em ruinas, abandonado, para a tristeza da cidadania. E como quase todo o Patrimí´nio Histórico Material de Torres – seus registros edificados de antigamente – já se foi, é importante preservar os últimos remanescentes.

Em outubro de 2014, a Secretaria de Educação de Torres solicitou serviços de engenharia e arquitetura para realizar o levantamento das necessidades para a reforma. "De acordo com a disponibilidade orçamentária desta Secretaria, ficou acordado que inicialmente seria reformado apenas o 1 º pavimento, incluindo a recuperação estrutural, colocação de vidros, colocação de piso em algumas salas, pintura, reforma do telhado e construção de uma cobertura na marquise, recuperação das redes elétrica e hidráulica e troca de aberturas".  A assessoria de comunicação da prefeitura de Torres informava, então, que os gastos previstos com a obra seriam de, no mí­nimo, R$ 113 mil… acho que não é preciso nem falar, mas a obra nunca ocorreu.

 Seguimos repercutindo o assunto com um parecer do Presidente do Conselho Municipal do Patrimí´nio Histórico, Artí­stico e Cultural (COMPHAC), Leonardo Gedeon. Ele destacou o trabalho do COMPHAC pela preservação do Prédio abandonado – há muitas décadas erguido sobre o Morro do Farol – bem como de outros patrimí´nios municipais. O texto encontra-se   abaixo subscrito.

 

"O prédio do Grupo Escolar e Colí´nia de Férias   é um dos bens edificados inscritos no inventário municipal do Patrimí´nio Cultural. í‰ de extrema importância açíµes emergenciais de restauração e conservação, afim de preservar este testemunho da História da Educação no Rio Grande do Sul. O Conselho Municipal do Patrimí´nio Histórico, Artí­stico e Cultural (COMPHAC) tem interesse em analisar propostas que visem a restauração e busca parceiros para   efetivar o processo em consonância com os órgãos fiscalizadores competentes como o Instituto do Patrimí´nio, Histórico e Artí­stico do Estado (IPHAE). O Conselho trabalha na elaboração da Lei Municipal de Proteção aos Bens Culturais e tem como meta a preservação dos casarios centenários do Centro Histórico, a restauração do Bar Abrigo e do Prédio do Grupo Escolar, dois remanescentes da década de 1930. São locais de relevância histórica privilegiados na cidade de Torres e merecem ser valorizados pelo Poder Público e comunidade local, transformando espaços abandonados em atrativos culturais e turí­sticos".

 

Leonardo Gedeon – Presidente do COMPHAC  Torres

 

 

UMA ESCOLA Tí‰CNICA QUE NUNCA VEIO

 

Nilvia Pereira e Ex-Ministra Maria do Rosário debateram, em 2014, possí­vel vinda de escola técnica federal

 

No primeiro ano do mandato da prefeita Ní­lvia Pereira em Torres – uma ótima notí­cia animou os entusiastas da educação na cidade. Foi anunciado em outubro de 2013,   pela vereadora Lú Fippian (PT) – e replicado pelo site da prefeitura de Torres – a vinda de uma Escola Técnica Federal para o municí­pio, demanda antiga em Torres. A vereadora petista creditava o anúncio da vinda da Escola Técnica ao Ministério da Educação (MEC), sendo que a medida resolveria também a situação do abandonado prédio do Cenecista – que seria reformado para instalação da unidade de educação profissionalizante.

Entretanto, poucos dias depois do anúncio feito pela vereadora torrense, um representante do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – responsável pelas escolas técnicas federais – emitiu uma nota oficial. Ele declarava sua surpresa em relação as notí­cias que confirmavam a vinda da Escola Técnica para Torres. Na nota, o coordenador do IFRS Jesus R.Borges desmentiu a vinda da instituição de ensino para Torres, dizendo que houve uma ‘interpretação equivocada’ de informaçíµes – uma vez que o MEC havia apenas autorizado, na época(na época, outubro de 2013), que cidades de todo paí­s (inclusive Torres) submeterem seus projetos de criação de novos campus do IFRS para serem avaliados pelos técnicos federais.

Enfim…2 anos e meio se passaram desde o anúncio equivocado da Escola Técnica Federal para Torres. Mas a instituição de educação nunca apareceu, e os debates sobre o assunto esfriaram. Em 2014, uma visita da então Ministra Maria do Rosário í  cidade de Torres debateu os desafios de trazer um campus do IFRS para cá – e a prefeita Ní­lvia Pereira afirmava que a escola técnica era ‘uma prioridade’ do municí­pio. E, enquanto isso, o prédio da Antiga escola Cenecista continua na mesma – sem utilização efetiva, abandonado e cada vez mais deteriorado em sua estrutura.

 

VEREADORES TORRENSES BUSCAM RESPOSTAS

 

Em maio de 2015, os vereadores Alessandro Bauer (PMDB) e Gisa Webber (PP) estiveram no Ministério da Educação com o intuito de, novamente, buscar informaçíµes a respeito da instalação da Escola Técnica em Torres – mais precisamente no prédio onde a tempos atrás funcionava a Escola Cenecista. Os vereadores questionaram o diretor Oiti José de Paula quanto a situação atual da vinda da Escola Técnica, sendo que o mesmo respondeu que Torres não esta nas prioridades para se instalar um Campus da Escola Técnica pois não atende os critérios exigidos pelo MEC. Segundo o diretor, o prédio onde instalava-se o Cenecista antigamente, oferecido pelo municí­pio, tem somente três salas de aula e o MEC exige no mí­nimo dez e ainda espaço para laboratórios. Disse ainda que a proximidade com outra Escola Técnica (Santa Rosa “SC) é um fator que dificulta a vinda de uma nova escola para Torres. O diretor deixou como sugestão que se utilize o espaço do antigo Colégio Cenecista para implementar EAD™S (Ensino a Distancia) ou novos Cursos do PRONATEC.

 

 


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