UM RETRATO DO EMPREGO (E DO DESEMPREGO) no Brasil e em Torres

11 de março de 2013

 

 

Guichê de atendimento do Sine – Torres  

 

Por Guile Rocha

 

Na questão do emprego, quando comparado com o resto do mundo, o brasileiro não tem muito que reclamar. Enquanto paí­ses do primeiro mundo enfrentam uma crise na área, nosso Brasil encontra-se numa condição onde não faltam empregos. Mas trabalhadores qualificados, estes ainda estão faltando no mercado, principalmente em áreas básicas como a construção civil e o varejo.

 

 

NO BRASIL:

Desemprego vem diminuindo enquanto carteira assinada vai aumentando

 

A taxa de desemprego ou de desocupação no Brasil é determinada mensalmente pela Pesquisa Mensal do Emprego, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatí­stica (IBGE). Os números da pesquisa em questão são determinados a partir de estudos feitos a cada mês com a População Economicamente Ativa (PEA) das seis maiores regiíµes metropolitanas do paí­s (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife).

E a taxa de desemprego nas seis regiíµes metropolitanas pesquisadas pelo Instituto IBGE ficou em 5,4% em janeiro de 2013. No mesmo mês de 2012, o indicador havia registrado 5,5%. A taxa de janeiro é a menor para o mês desde o iní­cio da série, que começou em março de 2002.

O pleno emprego – encontrado em municí­pios com taxas de desocupação abaixo dos 3,5% – é uma realidade de muitos municí­pios brasileiros, com destaque principalmente na região Sul do paí­s. na região centro-noroeste dos estados de SC e RS, encontram-se dezenas de cidades em que o desemprego é quase nulo.

Já num plano geral, de acordo com o Censo do IBGE medido entre 2000 para 2010, temos que o percentual de empregados na população ocupada cresceu de 66,6% para 68,2% no Brasil. A segunda maior parcela da população ocupada, constituí­da pelos trabalhadores por conta própria(os profissionais liberais), passou de 23,5% para 24,0%.

Também no contingente dos empregados, aqueles com carteira de trabalho assinada tiveram aumento substancial da sua participação: de 54,4%, em 2000, para 65,2%, em 2010, enquanto isso, a participação dos que não tinham carteira assinada caiu de 36,8% para 26,5%. Em todas as regiíµes, o percentual de empregados com carteira assinada teve crescimento expressivo.

 

 

EM TORRES: O emprego….

 

O Jornal A FOLHA conversou com a coordenadora da Agencia FGTAS/Sine   aqui em Torres, Melissa Rodrigues Fraga, que falou um pouco mais sobre a situação de emprego na cidade. Ela indica que a fiscalização do Ministério do Trabalho ao emprego informal tem coibido a iniciativa de empregadores em contratar trabalhadores sem carteira assinada. "Com isso temos uma demanda maior na confecção de carteiras de trabalho, o que ajuda a tornar o emprego formal uma realidade muito mais presente aqui em Torres".

Rede hoteleira, varejista e de supermercados são as que mais procuram o Sine atrás de funcionários. Mas apesar do incremento considerável do emprego formal, há dois empecilhos aos empregadores na hora de contratar um trabalhador: o primeiro é a falta de vontade por alguns empregáveis   em trabalhar no sábado e domingo. E o segundo é  falta de qualificação. "Dentre os cargos onde a demanda por trabalhadores com mão de obra qualificada é maior, podemos citar principalmente os vendedores, garçons, camareiras e operadores de máquinas de café", cita Melissa

E são os próprios empregados que não demonstram muito interesse na busca por maior qualificação profissional, conforme explica a coordenadora do Sine. "O fato é que a qualificação agrega valor ao salário do trabalhador, e com o salário mais alto alguns empregadores sentem-se desestimulados para contratação de trabalhadores, por mais que estes sejam qualificados.  No outro lado, os empregados sentem que não precisam fazer cursos, que podem entrar sem experiência em algum trabalho e aprender por conta própria. Porém, esta relação estimula serviços prestados sem tanta qualidade (ruim para o empregador) e salários mais baixos (ruim para o empregado)".

Buscando reverter esta situação, a Agência FGTAS/Sine Torres irá disponibilizar, em ação conjunta entre os governos Federal, Estadual e Municipal, dezenas de cursos de qualificação em diversas áreas do setor produtivo, cursos que serão oferecidos pelo Pronatec. "Somente na área da construção civil iremos disponibilizar 6 cursos no decorrer do ano. Na construção civil muito do conhecimento se passa pai para filhos, mas trata-se de uma área com demanda muito grande e que ainda carece muito de qualificação profissional para aprimoramento em atividades especí­ficas".

                     

… o desemprego…

 

No decorrer dos últimos anos, a questão do desemprego vem se tornando um problema menos incomodo para a população de Torres. Os últimos dados disponí­veis no site do Ministério do Trabalho indicam que a cidade de Torres vêm incrementando substancialmente o número de pessoas empregadas: apresentamos na cidade 793 admissíµes em janeiro, 12% a mais que janeiro de 2012.

Porém, o IBGE também aponta que houveram 466 desligamentos de contratos de trabalho no último janeiro, o que representa 11% a mais que os desligamentos do mesmo mês em 2012. Isso representa muitos funcionários sendo demitidos em janeiro, bem no auge da temporada de veraneio. E para muitos destes que foram demitidos, provavelmente foi a falta de experiência e qualificação que pesou na hora da demissão.

Além disso, somos uma cidade com duas temporadas bem distintas: o veraneio e o resto do ano. Durante o veraneio, há mais oferta de trabalho do que pessoas para trabalhar. Já no resto do ano, a situação se inverte, mais gente em busca de trabalho do que gente disponí­vel.   Por isso, muitos funcionários terão seus contratos terminados durante os meses de março e maio, quando o desemprego vai se tornar uma realidade para muitas pessoas. " A sazonalidade faz com que tenhamos uma oscilação grande entre o verão e o inverno. Por isso a cidade deve achar mais soluçíµes para criar empregos durante a baixa temporada" afirmou a coordenadora do Sine, Melissa Rodrigues Fraga

 

 

… e o seguro desemprego

 

Mas quando chega o desemprego, junto chega um benefí­cio já conhecido para muitos torrenses: o seguro-desemprego. Trata-se de um benefí­cio pago pelo Governo Federal, que concede assistência financeira temporária aos trabalhadores com carteira assinada em razão de dispensa sem justa causa. O benefí­cio também pode ser requisitado ao trabalhador com contrato de trabalho suspenso em virtude de participação em curso de qualificação profissional (se oferecido pelo empregador),aos pescadores artesanais durante o perí­odo de defeso (proibição da pesca para procriação das espécies) e para o trabalhador resgatado do regime de trabalho forçado.

                      E o seguro desemprego é um benefí­cio tão bom que também é um estí­mulo para que o trabalhador assine a carteira de trabalho. Isso por que, quando atendido pelo seguro-desemprego, o trabalhador  receberá de 3 a 5 parcelas do benefí­cio, dependendo do tempo de serviço prestado (sendo o ví­nculo empregatí­cio mí­nimo de seis meses). O valor da parcela é referente a média dos últimos três meses de salário. Para receber o seguro, o beneficiado deve também estar efetivamente desempregado, não ter nenhuma outra renda para o seu sustento e não pode estar recebendo benefí­cio de prestação continuada pela Previdência Social (exceto pensão por morte ou auxí­lio-acidente). E recentemente, uma medida foi estabelecida limitando em 3 o máximo de requisiçíµes ao seguro que um cidadão pode pedir em 10 anos

                      Aqui em Torres, as parcelas do seguro-desemprego são disponibilizadas pelo FGTAS/Sine, e " a demanda é muito grande, o órgão em Torres ainda é responsável por atender as cidades próximas, como Três Cachoeiras, Arroio do Sal e Passo de Torres, pois trata-se do único local da nossa região que concede o benefí­cio", indica Melissa Fraga. E buscando enfrentar a falta de oportunidades durante a temporada de inverno, além de reduzir a baixa qualificação profissional (e a necessidade do seguro-desemprego), prefeitura municipal e empregadores da cidade estão planejado criar um "Pacto pelo Emprego", buscando garantir que o trabalhador desempregado faça um curso de capacitação e, dele, saia já empregado, " é uma motivação importante para o empregado fazer o curso", finaliza a coordenadora do Sine.

 

 

 

 


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