Há uma idade em que parece urgente saber tudo. Qual curso fazer, que profissão escolher, onde estudar, como passar no vestibular e qual caminho seguir. Muitas dessas perguntas chegam ao mesmo tempo e, nem sempre, encontram respostas prontas. Foi justamente nesse território de dúvidas, expectativas e descobertas que a Escola de Educação Básica São Domingos, Unidade Educacional do SAGRADO – Rede de Educação, promoveu, na quinta-feira, 13 de agosto, a palestra do Ensino Médio com a palestra “Adolescer hoje: emoções, escolhas e sentidos”, com o professor doutor Ailton Dias.
O encontro foi dirigido aos educandos do Ensino Médio e propôs uma conversa sobre a adolescência para além da idade cronológica. Ailton Dias, doutor e mestre em Educação, especialista em Psicopedagogia, bacharel em Teologia, Psicologia e Filosofia e licenciado em História, abordou as transformações fisiológicas, afetivas, emocionais, cognitivas, sociais e espirituais características dessa etapa da vida.
EMOÇÕES
Em um período marcado pela intensidade dos sentimentos e, muitas vezes, pela dificuldade de expressar o que acontece internamente, reconhecer as próprias emoções pode ser um primeiro passo para estabelecer relações mais conscientes consigo e com os outros. A palestra também tratou das dificuldades de comunicação assertiva e da sensação de viver entre diferentes polos emocionais.
Para os educandos que estão no último ano da Educação Básica, esse olhar encontrou uma realidade bastante próxima. A aproximação do ENEM, dos vestibulares e das decisões sobre o futuro costuma transformar o segundo semestre em um período de cobranças e ansiedade.
ESCOLHAS
Outro ponto central da conversa foi justamente a pressão para escolher. A apresentação mostrou que a sociedade contemporânea oferece uma quantidade cada vez maior de cursos, profissões e possibilidades. Se, por um lado, essa diversidade amplia os caminhos, por outro pode gerar dúvida, ansiedade e até paralisia diante da necessidade de decidir. A apresentação trouxe, inclusive, dados do Sisu 2026, que reuniu 7.388 cursos de graduação e 274,8 mil vagas em instituições públicas de ensino superior.
Para a educanda Sofia Spessatto Leffa, da 3ª série 2, a palestra ajudou a tirar um pouco do peso de acreditar que todas as decisões precisam estar definidas imediatamente.
“A gente passa a adolescência inteira pensando no que vai fazer, quando vai fazer, planejando e sempre pressionada para ter uma escolha, para ter um plano definido. E agora a gente para pensar que não precisa estar sempre com tudo 100% programado. A vida não é uma corrida.”
Assim como a educanda Laura de Souza dos Santos, da 3ª série 2, também destacou que o encontro trouxe uma nova perspectiva sobre o próprio caminho.
SENTIDOS
A escola apareceu na palestra como um espaço seguro de experimentação, onde os adolescentes podem descobrir interesses, testar possibilidades, rever decisões e construir novos projetos. A ideia também dialogou com a realidade de quem está se preparando para provas extensas e exigentes, nas quais o preparo emocional e físico também interfere na experiência.
Para Laura, também da 3ª série do Ensino Médio 2, esse foi um dos aspectos que mais chamou sua atenção. “Ele começava a falar e eu pensava ‘nossa, isso é muito eu’. É muito bem retratado, certinho, o que eu estou sentindo, como eu estou vivendo esse momento.”
A educanda também destacou a relação entre ansiedade e preparação para as avaliações. “Nos últimos meses, principalmente chegando agora no último semestre, a gente começa a pensar no final do ano, o que gera muita ansiedade. Então, o palestrante nos fez perceber que está tudo bem pensar nas suas decisões e que não é uma decisão para a sua vida. Você pode mudar isso depois. A gente só tem 17 anos.”

CAMINHOS
Ao final, a reflexão proposta pelo professor Dr. Ailton encontrou síntese nos versos de Cecília Meireles apresentados durante a palestra: “Todos os dias estarás refazendo o teu desenho. Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.”
A mensagem dialoga diretamente com o momento vivido pelos educandos da 3ª série. Em vez da cobrança por respostas definitivas, o encontro propôs repertório, critérios e coragem para experimentar. Afinal, escolher também pode significar mudar de direção, descobrir novos interesses e compreender que o projeto de vida não precisa estar pronto aos 17 anos.







